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Já a Seguir

23
Ago18

O Último Sharknado: o Fin de uma era

Manuel Reis

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[Sem spoilers] “É tão mau que é bom” é a expressão normalmente associada aos filmes do Syfy: terríveis, com actores quase esquecidos, pouco talentosos ou em início de carreira (qualquer uma das seis combinações possíveis entre as opções, na verdade), efeitos especiais super-manhosos e, com sorte, um ou outro cameo de alguém relevante no último ano. É um bom resumo daquilo que o canal de vamos-dizer-que-é-ficção-científica (para ser justo, nos últimos anos, voltou a ser mais) faz várias vezes, especialmente durante o Verão.

 

Mas o fenómeno Sharknado é algo à parte. Sim, começou com uma encomenda habitual à Asylum: Dêem-nos um filme, têm este orçamento minúsculo e este calendário para o produzir. E é uma história típica do Syfy: um tornado com tubarões. É difícil explicar o que destacou Sharknado de um Tubarão com 3 Cabeças ou de outras ideias terríveis. Fin (Ian Ziering, conhecido pelo seu passado em Beverly Hills, 90210), é um homem numa missão: salvar a sua família e, se conseguir, os seus amigos. Tara Reid (sensação dos filmes de adolescentes entre 1998 e 2003, incluindo os clássicos American Pie e Van Wilder) é April, a ex-companheira dele. Depois há tubarões e moto-serras. É tudo o que precisam de saber para ver o primeiro, que tem um ritmo bastante diferente dos seguintes.

 

Após uma notória subida de orçamento, o segundo filme muda a abordagem de um filme que segue, sobretudo, a história dos personagens para algo que começa a incluir referências directas a filmes ou fenómenos da cultura pop, com os seguintes a insistir ainda mais nessa vertente. Os filmes continuam a ter um fio condutor (mesmo que por vezes pareça que não), mas o ênfase dado aos cameos é progressivamente maior à medida que os filmes avançam. No entanto, no 5º filme - reparem que a fórmula conseguiu durar quatro filmes - já se notava algum cansaço e algum esgotamento de ideias (sejamos francos, depois do terceiro era complicado superar). O twist final é muito bem conseguido e lançava boas possibilidades para o sexto.

 

Felizmente o Syfy deu a Anthony C. Ferrante e à sua equipa a hipótese de se despedirem de forma digna deste fenómeno. Só a hipótese, porque o orçamento e o tempo de produção devem ter sido mais curtos. Os efeitos especiais são os piores da saga, os cameos não são tantos, nem, de uma forma geral, tão notórios (se bem que os principais nomes são melhor aproveitados), a direcção de actores é pavorosa, a continuidade é terrível e o guião é, em muitos momentos, péssimo: Em suma, boa parte daquilo que me fez adorar Sharknado desde o primeiro momento. A primeira meia-hora é bastante bem conseguida (não conseguia parar de rir) e, depois de momentos meh (ou abaixo disso), o final é completamente "fora" e, sendo a despedida, puxa (genuinamente) à lágrima - com uma participação completamente inesperada. Não sendo o meu preferido (3) nem o melhor da saga (consenso geral vai para o primeiro, eu digo o 2), é uma conclusão minimamente satisfatória para uma saga que, felizmente, termina aqui.

 

Tive a sorte de ver os cinco primeiros em sala, a convite do canal (a quem agradeço - foram sempre sessões muito animadas, especialmente a primeira - quem lá esteve sabe do que estou a falar). O último, The Last Sharknado: It’s About Time!, passa hoje, dia 23 de Agosto, às 22:15, no Syfy. Merecia, no mínimo, uma festa de despedida - que teremos de ser nós a fazer, no conforto do nosso lar.

 

Fico à espera do remake hollywoodesco com o The Rock.

27
Abr18

Westworld e As Vozes da Dolores

Manuel Reis

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Westworld regressou. O que é que isso significa? Que, semanalmente, temos uma série sobre a qual temos teorias para debater, personagens que nos fazem pensar (e outras que nos fazem desesperar de tanto pretensiosismo, ou ambos), múltiplas (demasiadas?) timelines e labirintos (se são metafóricos ou não, vou-vos deixar na dúvida). Isto quer dizer que, durante as próximas 9 semanas, temos tópico de conversa mais do que garantido - ao contrário de outras séries cuja popularidade explodiu recentemente mas que, em circunstâncias normais, há-de acalmar nas próximas semanas. (Sim, estou a falar de La Casa de Papel, que ainda não vi nem planeio ver nos dias que vêm: demasiadas séries, pouco tempo, e esse tempo torna-se mais escasso devido ao que vão ler a seguir.)

 

Isto tudo para dizer o quê? Que estou a fazer um podcast sobre Westworld. O nome (e estou à vontade para dizer isto, porque não fui eu que me lembrei dele) é absolutamente brilhante - As Vozes da Dolores - e é exactamente o mesmo formato d' A Cabeça do Ned, o meu outro podcast sobre Game of Thrones. (que está parado porque… Bem, não há série até 2019.) Torna-se ainda melhor porque, desta vez, a Marta Gomes da Silva (a pessoa mais vezes convidada d' A Cabeça) estará em todos os episódios (menos um), efectivamente sendo a co-host do projecto. Como bónus, e apesar de começarmos isto na segunda temporada, gravámos 10 episódios mais curtos em que falamos da primeira temporada da série, depois de a termos revisto.

 

Estamos no iTunes, no Mixcloud e no YouTube - onde adicionamos à loucura alguns bónus visuais. Também podem subscrever o feed directamente na vossa app de podcasts preferida. Passem também pelo nosso Facebook, onde vamos partilhando links sobre a série e sobre os episódios. Deixem feedback! É muito importante para nós.

 

Se são fãs de Westworld, ouçam As Vozes da Dolores. Prometemos elogiar o que achamos bom, gozar com o que achamos ridículo, contar as mortes do Teddy (para quem não vê a série, é tipo o que acontecia ao Pedro Granger há uns anos) e questionar a nossa existência e convivência com robots.

 

Se nunca viram Westworld, experimentem! Vejam o primeiro episódio e ouçam As Vozes da Dolores logo a seguir. Eu sei, a série pode ser (é) confusa. Eu e a Marta tentamos ajudar a que seja menos.

05
Mar18

Ver os Óscares foi um martírio.

Manuel Reis

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Nunca tive uma experiência de visionamento dos Óscares tão má como a deste ano. Sim, supera sair às 5 da manhã de uma sala de cinema no Amoreiras com gente bêbada a arrastar-se pelas escadas.

 

Antigamente, no tempo da RTP, só havia duas opções: Quem queria ver em directo, via e levava com comentários. Quem não queria, via um resumo na noite seguinte, já legendado. A TVI continuou com isto durante algum tempo e foi aprendendo: Com as pessoas cada vez mais a quererem ver a cerimónia original, sem úteis traduções simultâneas ou - pior - comentários desnecessários, a TVI foi dando mais espaço à cerimónia propriamente dita. Nos últimos anos só eram feitos comentários em alguns intervalos. Algo que, para quem gosta de cinema ou de ver a cerimónia dos Óscares, era absolutamente perfeito.

 

Depois veio a SIC.

 

Mas a SIC anunciou-se com uma "inovação": pela primeira vez, a cerimónia seria transmitida num dos seus canais de cabo, sem comentários desnecessários. A SIC Caras (que começou como exclusivo NOS e entretanto alargou a cobertura a outras operadoras) transmitiu a cerimónia dessa forma até ao ano passado, com a cerimónia a ser transmitida da forma "habitual" no sinal aberto. Tudo bem: mudava de canal e via a cerimónia.

 

Até este ano. Este ano decidiram fazer uma parceria com a NOS. Cartazes em todo o lado a falar no canal Óscares e que a cerimónia ia ser exibida na SIC. Hoje, vou ao site da SIC e vejo que a cerimónia ia também ser transmitida online, mas não na SIC Caras: na TV, só na SIC, e com comentários em Português. "Bem", penso eu, "isto pode dar problemas". Costumo ver os jogos da Liga Europa na SIC e estão sempre com um atraso de 30/40 segundos (por vezes mais) face à emissão televisiva. Ora, para quem quer discutir as coisas em tempo real… é chato.

 

Então pensei: vamos lá arriscar a SIC. Assim que mudei da RTP (onde tinha acabado de ver a final do Festival da Canção) para a SIC, vi logo o que ia dar. Intervalos ao ritmo americano. Os convidados em estúdio não tinham tempo para construir uma ideia. Não se conseguiam ouvir as entrevistas na red carpet por inteiro (e, às vezes, de todo).

 

…a cerimónia dos Óscares não deixa espaço para se comentar o que lá acontece.

 

Fui à procura de outros streams, directos dos EUA, mas nada: tudo o que encontrei estava sobrecarregado. "Bem", pensei eu, "vamos lá tentar ver na SIC". E até começou bem. Calados durante o monólogo do Jimmy Kimmel. Mas, durante o monólogo, ouvi qualquer coisa estranha: risos. Não eram os risos do Dolby Theater. Eram de quem estava em Carnaxide. Eles tinham via aberta. E tanto tinham via aberta que começaram a falar durante a parte final do monólogo do Jimmy, não deixando perceber a piada do jet ski que foi referida ao longo de toda a cerimónia. Saturei: fui ao site da SIC abrir o stream que eles prometiam que não tinha comentários. E não tinha. "Óptimo, vou atrasando a timeline do Twitter… Dá para gerir." Durante a cerimónia ainda me disseram "põe no canal 700", mas era só para clientes NOS e… não sou.

 

Percebi pelos comentários das pessoas que, ao longo da cerimónia, os maus timings eram recorrentes. A conta da SIC Notícias no Twitter até se armou em parva a responder às queixas. A verdade é que a cerimónia dos Óscares não deixa espaço para se comentar o que lá acontece. Para isso é que a ABC e a Academia têm (online) emissões de bastidores paralelas.

 

Além disto, a transmissão era poluída com oráculos e tickers (as barras em baixo) completamente desnecessários e com informações erradas. Algo que o canal oficial dos Óscares não devia deixar que acontecesse. Catano, têm um activo e não sabem tratar bem desse activo? Não há um mínimo de cuidado? Se há, não parece.

 

Voltando à história principal, passei para o stream à espera de que os problemas acabassem. E estava tão enganado. Durante a emissão, o stream (com boa qualidade de imagem, vá lá) era interrompido por publicidade sobreposta. (Nos intervalos, o stream só transmitia auto-promoções da SIC - quando havia publicidade, não era do stream principal, mas de vídeos que lá apareciam. Como um anúncio do YouTube.) Felizmente esses anúncios não interromperam a cerimónia… Até ao discuro de James Ivory pela vitória em Melhor Argumento Adaptado, que só ouvi pela metade.

 

Sempre me foi ensinado: "If it ain't broke, don't fix it." "Se não está partido, não o arranjes." E não só a cerimónia dos Óscares não está "partida" (pelo contrário: Kimmel volta a ser elogiado pelo segundo ano consecutivo), como o grande público tem uma compreensão e utilização cada vez maior da língua inglesa. Em 2018 é desnecessário um acompanhamento permanente da cerimónia, tal como também não é necessário aderir a todos os intervalos para passar publicidade comercial. Nunca pensei dizer isto, mas… SIC, preciso que sejam mais como a TVI, nisto. (APENAS NISTO.)

 

Sim, são muitas queixas. Mas sabem porquê? Porque os Óscares são um bom produto televisivo e têm público verdadeiramente interessado no assunto. E, quando não são um bom produto televisivo (quando foi apresentado pelas duplas Baldwin/Martin ou Franco/Hathaway, por exemplo), continuam a ser uma das principais noites de televisão do planeta. E entristece-me que um canal pague uns valentes milhares de euros para, depois, tratar o produto desta forma. É dar pérolas a porcos.

 

(Podem ler o rescaldo sobre os resultados e a cerimónia propriamente dita aqui.)

28
Fev18

Já que estão aqui, vão ver The Good Place

Manuel Reis

Voltando um pouco atrás, em relação ao texto sobre a Anabela: obrigado aos novos subscritores, a quem se fartou de rir, a quem partilhou entre os amigos e ao Sapo pelo duplo destaque (blogs e homepage). Isto não é um blog de teorias de conspiração nem de conteúdo humorístico, é apenas de cultura pop e de tudo o que a possa rodear. Foram quase sete mil visualizações num só dia, e eu prometo que vou fazer da Anabela aquilo que as "gémeas" Olsen são para o John Oliver. Ainda bem que cá chegaram.

 

No entanto, penso: se só agora me conheceram, eu tenho de vos dizer algo que vos agarre e que acredite (melhor, que saiba) que vai melhorar as vossas vidas. Como é que vou fazer isso? Com mais uma sugestão de conteúdo a que podem assistir.

 

Eis The Good Place.

 

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Comecei-a a ver pelo pedigree: Kristen Bell (Veronica Mars) e Ted Danson (Cheers, CSI) a liderar o elenco, criada por Michael Schur (guionista da versão americana de The Office, co-criador de Parks and Recreation e Brooklyn Nine-Nine). A sinopse ajuda: Uma mulher (interpretada pela Kristen) morre e vai para uma interpretação do paraíso (o Lugar Bom a que se refere o título da série) em que só os melhores vão. E isso é decidido através de um sistema de pontuação, baseado em boas e más acções, e que determinou que Eleanor Shellstrop (a tal mulher) é, sem sombra de dúvidas, uma boa pessoa. Só que não é. Enganaram-se na Eleanor Shellstorp.*

 

*Para quem disser que isto é spoiler: não é. É a premissa base da série. Isso não é um spoiler.

 

Isto podia ter ido por um caminho muito básico, de uma sitcom em que há um equívoco e se tenta esconder o equívoco e viver com isso. Mas não. Esta série é a série, aquela que eu vejo religiosamente quando acordo e sei que há um novo episódio (está no Netflix). Consegue condensar em 22 minutos a explicação de temas normalmente chatos (como filosofia ou ética) para boa parte da população, especialmente durante a segunda temporada. E notem que, apesar do cartão que aparece antes de cada episódio, não é uma série do Netflix, mas sim da NBC. Ou seja, uma comédia de um canal mainstream. No entanto, a forma como cada episódio é escrito e produzido para que os finais estejam quase colados aos inícios dos episódios seguintes faz com que funcione de forma perfeita numa plataforma de streaming.

 

Este mundo está cada vez mais inundado de séries, havendo praticamente uma para cada um. The Good Place, felizmente, é para todos.

 

 

26
Fev18

Black-ish merece a vossa atenção

Manuel Reis

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 Entristece-me ver que, quando a Fox Comedy anunciou a estreia de black-ish (hoje, às 22:00, com episódios de segunda a sexta), alguns dos comentários que surgiram eram, no mínimo, racistas. Não vou reproduzir nenhum do seu conteúdo (se os quiserem ler, vão à página de Facebook do canal, que não se dignou a apagá-los), mas vou dar a minha opinião.

 

Sim, black-ish é uma série negra. Sim, passa a perspectiva que muitos afro-americanos têm dos EUA, ou não fosse produzida por Larry Wilmore (apresentador de The Nightly Show, substituiu o antigo programa do Colbert e durou pouco tempo). E, infelizmente, é uma série necessária. Existem problemas com os quais nós (brancos) não temos de nos preocupar. Ainda há pouco tempo vi O Príncipe de Bel-Air, e muitas das situações que eram mostradas há 25 anos continuam a acontecer.

 

Como é que black-ish pega nisso? De frente. Em alguns episódios, abre-se espaço para debate - e um deles é particularmente dramático, pegando nas lições de Norman Lear para nos oferecer 22 minutos de não-comédia numa sitcom, para que a discussão continue também em casa, com os espectadores. Para efeitos cómicos, a maior parte dos personagens brancos na série são ignorantes ou pessoas sem jeito. No entanto, até que ponto é que (nós, brancos) não seremos ignorantes? Não teremos sorte de não passar a vida sem alguns destes problemas? (Problemas esses que também acontecem cá, mesmo que não sejam tão mediáticos.)

 

Independentemente das questões raciais, black-ish é uma excelente comédia familiar, com Dre (Anthony Anderson) e Rainbow (Tracy Ellis Ross) a gerir uma família de quatro filhos. Muito bem escrita pela equipa de Kenya Barris e com uma pós-produção irrepreensível. Experimentem-na.

 

E a todos os racistas que acham que isto é apenas uma série “de pretos, por pretos, para pretos”, não se esqueçam que, se forem para lá, serão imigrantes. E o ambiente para os imigrantes nos EUA também não está muito favorável.

19
Fev18

Anabela, a vampira

Manuel Reis

 

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Estava a ver o Festival RTP da Canção e a aperceber-me de algo grave. E não, não são as polémicas de um possível plágio ou das votações mal contadas.

 

O grave não é a Anabela ter participado (o grave é José Cid - sim - ter participado), mas sim o facto de, em 25 anos, ela não ter envelhecido. O que me leva a concluir isto:

 

Tal como Keanu Reeves e Nicholas Cage, Anabela é vampira.

 

Existem várias provas disto:

  • Como disse, ela não envelhece. Um vampiro não envelhece.
  • Há uns anos, fui ver o My Fair Lady ao Coliseu do Porto, numa sessão da tarde. A Eliza Doolittle, papel que lhe foi dado por La Féria, não era ela nesta sessão. Um vampiro não pode apanhar luz do dia.
  • Há 25 anos, quando Anabela tinha (diz ela) 16 anos, concorreu ao (e ganhou o) Festival da Canção com "A Cidade Até Ser Dia", letra que conta com o seguinte refrão: "Quando cai a noite na cidade / há sempre um sonho e há magia / à noite na cidade / há sempre um sonho, até ser dia". Toda a música evidencia uma clara atracção pela vida nocturna. Como referi na situação do My Fair Lady: Os vampiros não podem apanhar a luz do dia, sendo mais activos à noite.
    • Ainda sobre este ponto, as referências ao gin eram para disfarçar. Caramba, o que sabe uma miúda de 16 anos sobre gin? A não ser que ela não tivesse 16 anos. Porque é vampira.

 

São demasiadas coincidências para recusar o óbvio: Anabela, a cantora, é vampira. Será que queremos uma vampira a representar Portugal na Eurovisão?

14
Fev18

A Netflix contratou Ryan Murphy, criador de American Horror Story

Manuel Reis

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Novo capítulo na guerra Disney/Netflix: A gigante do streaming anunciou de madrugada que contratou Ryan Murphy, possivelmente um dos maiores influenciadores da televisão e da cultura pop da última década (através de séries como American Horror Story, Glee, Nip/Tuck, American Crime Story…) para um contrato de 5 anos, $300M. M Maiúsculo. De Milhões.

 

Isto é gigante. Em seis meses (coincidência-ou-talvez-não: precisamente seis meses), a Disney perde dois dos maiores nomes da TV dos últimos 20 anos para a Netflix. Primeiro Shonda Rhimes (que criou Grey's Anatomy, de que nunca ninguém ouviu falar), por 4 anos, $100M; agora Ryan Murphy - este através da Fox (produtora), com quem está a terminar contrato e que cujo processo de compra por parte da Disney está a decorrer (ainda vai demorar até estar concluído). Isto tudo depois da Disney ter anunciado que vai criar uma plataforma de streaming própria.

 

Vai ser divertido/estranho/assustador ver os próximos desenvolvimentos desta guerra aberta, até porque ainda não é claro que tipo de tratamento é que a Disney vai dar às propriedades da Fox, nem à marca, nem à edginess (o atrevimento) dos conteúdos da produtora. Por exemplo, quando perguntaram ao CEO da Disney, Bob Iger, se iríamos ter mais filmes R-rated de Deadpool, a resposta dele foi positiva, mas com aquilo que eu vejo como sendo um toque de conservadorismo: «As long as we let the audiences know what’s coming, we think we can manage that fine.» E tudo o que for R-rated não vai estar no serviço de streaming - vai para o Hulu (que é como dizer: se não mudar nada, não vai estar disponível em Portugal).

 

Será que vamos assistir a uma sociedade distópica em que a Disney controla o Mundo e a Netflix faz parte da resistência?

 

(Não se preocupem, fãs de Ryan Murphy: as séries que existem vão continuar em exibição até terminar a sua vida natural. Já viram a nova temporada de American Crime Story? O Assassinato de Gianni Versace? O primeiro episódio é bem fixe. Ainda não houve tempo para mais.)

02
Jan18

2077: a prequela de Black Mirror

Manuel Reis

 Há coisa de duas semanas, o Carlos Martins enviou-me uma mensagem a convidar-me para ir por ele e pelo Aberto Até de Madrugada à apresentação de uma nova produção da RTP: 2077 – 10 Segundos Para o Futuro. E escrevi sobre isso para o blog dele. Fica aqui o primeiro parágrafo, leiam o resto por lá.

 

Para muitos dos que habitualmente lêem o Aberto, as expressões “televisão”, “RTP” e “emissão linear” já são suficientes para causar arrepios. «Mas há quem ainda dê importância a isso?» «Isso não é um canal para velhos?» «Para quê esperar para ver uma coisa quando a posso ver quando quiser?» E eu compreendo-vos, a sério. A evolução das plataformas de streaming nos últimos anos permite-nos ir a um site ou a uma aplicação e, de forma mais ou menos legal, aceder aos conteúdos que queremos. No entanto, ao não vermos a tal emissão linear, a televisão como ainda existe hoje em dia, não só não vemos muita coisa boa que por cá é feita*, como também não percebemos que existem formas on demand de aceder a tais conteúdos.

* Ironicamente, as pessoas que se queixam de falta de conteúdos de qualidade cá e da constante aposta em futebol e novelas, são também as que não sabem, ou não procuram saber, o que a RTP tem transmitido no último par de anos, sobretudo em 2017. Mas adiante.

 

Podem ler o texto completo aqui.

27
Nov17

17 minutos de Agents of S.H.I.E.L.D. para desenjoar de Inhumans

Manuel Reis

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 Agora que a brincadeira Inhumans acabou (ou assim se espera), Agents of S.H.I.E.L.D. regressa para a sua quinta temporada. Vão ser Agentes… NO… ESPAÇO!… Marretas à parte, espero que esta brincadeira acabe depressa e voltem à Terra depressa. Vão ser 22 episódios, a começar em dose dupla já no dia 1 nos EUA. No entanto, e como eles já andam desaparecidos há tanto tempo, a ABC/Disney/Marvel achou por bem colocar os primeiros 17 minutos da temporada online. Facilitando a coisa, cá vai ela:

Quem é o tipo com um capacete à Star-Lord? Onde (e, talvez mais importante, quando) estão eles? Porque é que o Mack está a falar tanto? O que é que o espaço faz à malta da Marvel que fica logo mais (talvez demasiado) animada? Tudo questões que vão ser respondidas (ou não) a partir de Dezembro.

23
Out17

The Orville (Fox/Fox PT)

Manuel Reis

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Qualquer qualificação que seja dada a The Orville, nova série de Seth MacFarlane, pode ser injusta. Não é uma grande série, porque ainda é jovem e ainda não se sente que tenha encontrado um rumo. Não é uma má série, porque conseguiu ultrapassar um piloto m*rdoso com uma série de episódios e de histórias muito, muito boas - sobretudo em "About a Girl" e "If The Stars Should Appear". Embora pareça, não é uma paródia a Star Trek, querendo estabelecer um universo próprio. No entanto, é uma homenagem a Star Trek, pelas histórias cativantes e polarizantes.

 

O elenco está francamente bem escolhido (os mais conhecidos serão o próprio MacFarlane, Scott Grimes, Adrienne Palicki, Penny Johnson Gerald), os actores convidados idem (destaque para Charlize Theron, Robert Knepper, Victor Garber e uma participação especial que não vou revelar para que fiquem tão boquiabertos quanto eu) e o sentido de humor do autor de Family Guy está lá - apenas em menor número e num formato com o dobro dos habituais 22 minutos (o que, sinceramente, me apanhou de surpresa e ajuda a que o piloto seja um episódio francamente mauzinho). Os cortes para intervalo estão perfeitos, numa justa homenagem às séries espaciais dos anos 90/início dos anos 2000. E sim, podem achar que a série pode simplificar demasiado alguns temas, mas lembrem-se: É uma série que tem de resumir cada episódio a menos de 45 minutos e a um formato de storytelling que consiga chamar a atenção do público mainstream - mesmo com temas complexos como mudança de sexo na infância ou distopias religiosas.

 

A série estreia em Portugal dia 23 de Outubro, Segunda-Feira, às 23h05, na Fox. Vai começar com seis episódios de atraso face à emissão americana. Reforço o que escrevi antes: O primeiro episódio é uma m*rda, vejam-no apenas para estabelecer as storylines e dêem-lhe outra hipótese. O segundo já tem mais ritmo, e o terceiro é (dentro do que podem fazer) formidável.

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