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Já a Seguir

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A verdadeira "Crise" é conseguir ver tudo em Portugal

Crisis On Infinite Earths estreia este Domingo. Ou Terça.

Manuel Reis, 07.12.19
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Brandon Routh (Superman Returns) volta a envergar a capa do Super Homem, numa versão com elementos adaptados da mini-série de BD Kingdom Come. [Imagem via HBO Portugal]

Mais um ano, mais um crossover anual do Arrowverse (as séries da DC Comics na CW): Supergirl, Batwoman, The Flash, Arrow e Legends of Tomorrow (LoT) juntam-se para Crisis On Infinite Earths, a adaptação televisiva da saga de meados dos anos 80. De todos os trailers e fotografias promocionais que têm sido lançados (como a foto que ilustra este texto), já há algumas certezas: para além de Routh (que faz parte do elenco regular de LoT), Tom Welling (Smallville) vai voltar a interpretar Clark Kent, Kevin Conroy vai dar corpo a Bruce Wayne (depois de lhe dar voz desde 1992), há chamadas a séries antigas (o Flash dos anos 90, de John Wesley Shipp, que já tinha aparecido em Elseworlds, o crossover de 2018; mas também Ashely Scott, de Birds of Prey, série de 2002-03), e até dá para incluir, pela primeira vez nas três temporadas da série, Cress Williams, de Black Lightning. Receita para um crossover com expectativas elevadas, até porque é o melhor (ou menos mau, depende da perspectiva) que a DC consegue fazer em live-action.

O crossover começa este Domingo (8 de Dezembro) nos EUA, continua na Segunda e na Terça, e termina no dia 14 de Janeiro num episódio duplo. Para quem está nos EUA, é simples: basta ligar a televisão, ver o que tem a ver. Ou ir à app da CW no dia seguinte. Mas… E fora dos EUA? E cá em Portugal? Onde dá para ver Crisis?

Antes, uma observação necessária para entender isto: apesar de todos estes episódios terem o mesmo título e continuidade entre si, são produzidos e distribuídos como episódios individuais de cada uma das séries a que (efectivamente) pertencem. Por isso, os três primeiros episódios são de Supergirl, Batwoman e The Flash; e os últimos dois serão de Arrow e LoT. Quem viu os crossovers anteriores também pode notar isto com a maior (ou única) presença de certos actores no episódio da respectiva série.

Ou seja: os crossovers não são distribuídos de forma independente das séries, o que complica e dificulta a sua visualização a partir do momento em que saem dos EUA e da esfera do "evento televisivo" que é criada à sua volta. Por outro lado, o espectador está a ver uma série e, de repente, tem um episódio com mais personagens e que não tem nada a ver com a história que acompanhava (se acompanham Arrow ou LoT na RTP, já se devem ter deparado com isto).

Se cada episódio pertence a cada série… Cada série está num sítio diferente. As séries do Arrowverse que fazem parte do crossover estão em QUATRO diferentes canais/plataformas em Portugal:

SérieTemporada actualRTPAXNNetflixHBO Portugal
Arrow(última)InterrompidaInterrompida
(em repetição)
Até à T6
(Maio 2018)
 
The Flash6Interrompida Dois dias depois 
Supergirl5  Dois dias depois 
Legends of Tomorrow(Janeiro 2020)  Até à T3
(Abril 2018)
 
Batwoman1   Dois dias depois


Dá para perceber aqui que há algumas boas notícias: a primeira parte vai poder ser vista em Portugal, embora com um par de dias de diferença em relação à exibição original. Vão é andar a saltitar de plataforma em plataforma:

  • Parte 1: Supergirl (Netflix, Terça-feira)
  • Parte 2: Batwoman (HBO Portugal, Terça-feira)*
  • Parte 3: The Flash (Netflix, Quinta-feira)

* Com estas alterações de calendário, Batwoman acaba por estar disponível na HBO Portugal, excepcionalmente, no dia seguinte ao da emissão original. Quem diria?

a segunda parte, que passa a 14 de Janeiro… será mais complicado. A RTP ainda não anunciou datas de estreia para as novas temporadas de Arrow* ou de LoT (essa estreia imediatamente a seguir ao crossover), mas seria sempre na emissão linear (nada de RTP Play, pelo menos nas temporadas transmitidas até agora) e com pouca fiabilidade de horários. O Netflix também não tem previsão da publicação das temporadas anteriores, muito menos das correntes.

* Arrow estreia primeiro na RTP e só depois no AXN.

Esta situação não é única para Portugal: O exemplo mais simples possível é o Canadá, em que as cinco séries estão separadas entre dois canais diferentes. No entanto, há emissão simultânea com os EUA. Em Espanha acontece algo semelhante, com as séries espalhadas por vários canais ou plataformas - embora com uma transmissão mais a par (ou mais perto) do que temos em Portugal.

É estranho que, em 2020, com a discussão global a acontecer em peso na internet, os espectadores ainda estejam limitados na forma como podem aceder a conteúdos audiovisuais. Por mais serviços de streaming que surjam, é preciso que também exista um mercado de direitos globais, acesso instantâneo para todo o Mundo… E direitos centralizados (neste caso, à Warner o que é da Warner - tudo na HBO Portugal/Max), algo que vai começar a acontecer nos próximos anos e que só ocorrerá para as séries mais antigas quando os contratos actuais se expirarem. Há quem esteja disponível a pagar pelos serviços, mas ter de esperar mais do que 24 horas por um episódio, nos dias de hoje, é absurdo - sobretudo quando existem cópias de igual (ou melhor) qualidade a circular pela internet logo após (ou poucas horas depois) a emissão original.*

* The Flash e Supergirl, inicialmente, tinham os seus episódios no dia seguinte ao da emissão nos EUA. Em Outubro de 2018 passaram a ser disponibilizados dois dias depois - um dos motivos que me levou a cancelar a subscrição do serviço. Sim, só por mais um dia. Sim, sou assim tão picuinhas.

Felizmente existe (e existirá sempre) o Videoclube do Sr. Joaquim(wink wink), mas as ferramentas para deixar de passar por lá já existem - é pena é que as continuem a ignorar.

The Irishman - O Irlandês (com Rui Alves de Sousa)

O Netflix lança a sua maior aposta de sempre no cinema… mas sem o lançar em sala.

Manuel Reis, 27.11.19

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A nova obra de Scorsese estreia apenas na plataforma de streaming, e eu e o Rui Alves de Sousa, do À Beira do Abismo, falamos um pouco sobre o filme: as performances de DeNiro, Pacino e Pesci (entre outros), a distribuição (ou falta dela) e sobre como podemos conseguir estar presos durante 3 horas e meia a um ecrã. Ah, e há #20MetrosDeClaudiaCardinale. (Vamos tentar fazer disto uma cena, sim?)

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Orange is the New Black T6: Saber quando acabar

Manuel Reis, 05.08.18

Orange Is The New Black: 6ª Temporada no Netflix

[Spoilers em relação às temporadas anteriores de OITNB]

 

As séries de sucesso crítico e comercial têm, na sua larga maioria, um problema grave: prolongam-se eternamente no tempo sem que ninguém ponha mão. Isso causa várias situações complicadas para serem resolvidas por quem escreve a série, nomeadamente dar um rumo à mesma. É um problema comum, que acontece, sobretudo, quando a série não tem um end-game bem definido.

 

Ora, o que é que isto tem a ver com Orange Is The New Black (OITNB) e com a sua sexta temporada (que estreou na semana passada no Netflix)? Alguma coisa. A série, que continua a expôr muito bem os problemas das reclusas (alguns específicos para a realidade americana mas, no geral, aplicáveis um pouco por todo o mundo), afasta-se da prisão de segurança mínima (depois dos eventos da temporada passada, era esperado), troca boa parte do elenco secundário por novas personagens e consegue, muito mais facilmente do que nas temporadas anteriores, pôr o espectador a acompanhar as múltiplas storylines de cada episódio.

 

O que foi feito na temporada anterior (toda passada durante três dias, durante um motim) foi o melhor para a série por vários motivos: porque, após a quarta temporada, sentia-se algum esgotamento de ideias mas, sobretudo, porque iria ter implicações em futuras temporadas. Nada podia ser o mesmo depois do motim. Como bónus, a T6 de OITNB começa a dar sinais de final da série. Por muito que a série faça um serviço importante (a história da Taystee, que dá continuidade à temporada passada, é sinal disso), acredito que é mais interessante que uma série possa acabar nos seus próprios termos.

 

OITNB vai regressar no próximo ano para a sua sétima - e, acredito, última - temporada. Espero que resolvam a questão das referências a assuntos correntes - é que esta temporada tem muitas e não se deviam esquecer de que a série se passa algures entre 2013 e 2015.

Já que estão aqui, vão ver The Good Place

Manuel Reis, 28.02.18

Voltando um pouco atrás, em relação ao texto sobre a Anabela: obrigado aos novos subscritores, a quem se fartou de rir, a quem partilhou entre os amigos e ao Sapo pelo duplo destaque (blogs e homepage). Isto não é um blog de teorias de conspiração nem de conteúdo humorístico, é apenas de cultura pop e de tudo o que a possa rodear. Foram quase sete mil visualizações num só dia, e eu prometo que vou fazer da Anabela aquilo que as "gémeas" Olsen são para o John Oliver. Ainda bem que cá chegaram.

 

No entanto, penso: se só agora me conheceram, eu tenho de vos dizer algo que vos agarre e que acredite (melhor, que saiba) que vai melhorar as vossas vidas. Como é que vou fazer isso? Com mais uma sugestão de conteúdo a que podem assistir.

 

Eis The Good Place.

 

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Comecei-a a ver pelo pedigree: Kristen Bell (Veronica Mars) e Ted Danson (Cheers, CSI) a liderar o elenco, criada por Michael Schur (guionista da versão americana de The Office, co-criador de Parks and Recreation e Brooklyn Nine-Nine). A sinopse ajuda: Uma mulher (interpretada pela Kristen) morre e vai para uma interpretação do paraíso (o Lugar Bom a que se refere o título da série) em que só os melhores vão. E isso é decidido através de um sistema de pontuação, baseado em boas e más acções, e que determinou que Eleanor Shellstrop (a tal mulher) é, sem sombra de dúvidas, uma boa pessoa. Só que não é. Enganaram-se na Eleanor Shellstorp.*

 

*Para quem disser que isto é spoiler: não é. É a premissa base da série. Isso não é um spoiler.

 

Isto podia ter ido por um caminho muito básico, de uma sitcom em que há um equívoco e se tenta esconder o equívoco e viver com isso. Mas não. Esta série é a série, aquela que eu vejo religiosamente quando acordo e sei que há um novo episódio (está no Netflix). Consegue condensar em 22 minutos a explicação de temas normalmente chatos (como filosofia ou ética) para boa parte da população, especialmente durante a segunda temporada. E notem que, apesar do cartão que aparece antes de cada episódio, não é uma série do Netflix, mas sim da NBC. Ou seja, uma comédia de um canal mainstream. No entanto, a forma como cada episódio é escrito e produzido para que os finais estejam quase colados aos inícios dos episódios seguintes faz com que funcione de forma perfeita numa plataforma de streaming.

 

Este mundo está cada vez mais inundado de séries, havendo praticamente uma para cada um. The Good Place, felizmente, é para todos.

 

 

A Netflix contratou Ryan Murphy, criador de American Horror Story

Manuel Reis, 14.02.18

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Novo capítulo na guerra Disney/Netflix: A gigante do streaming anunciou de madrugada que contratou Ryan Murphy, possivelmente um dos maiores influenciadores da televisão e da cultura pop da última década (através de séries como American Horror Story, Glee, Nip/Tuck, American Crime Story…) para um contrato de 5 anos, $300M. M Maiúsculo. De Milhões.

 

Isto é gigante. Em seis meses (coincidência-ou-talvez-não: precisamente seis meses), a Disney perde dois dos maiores nomes da TV dos últimos 20 anos para a Netflix. Primeiro Shonda Rhimes (que criou Grey's Anatomy, de que nunca ninguém ouviu falar), por 4 anos, $100M; agora Ryan Murphy - este através da Fox (produtora), com quem está a terminar contrato e que cujo processo de compra por parte da Disney está a decorrer (ainda vai demorar até estar concluído). Isto tudo depois da Disney ter anunciado que vai criar uma plataforma de streaming própria.

 

Vai ser divertido/estranho/assustador ver os próximos desenvolvimentos desta guerra aberta, até porque ainda não é claro que tipo de tratamento é que a Disney vai dar às propriedades da Fox, nem à marca, nem à edginess (o atrevimento) dos conteúdos da produtora. Por exemplo, quando perguntaram ao CEO da Disney, Bob Iger, se iríamos ter mais filmes R-rated de Deadpool, a resposta dele foi positiva, mas com aquilo que eu vejo como sendo um toque de conservadorismo: «As long as we let the audiences know what’s coming, we think we can manage that fine.» E tudo o que for R-rated não vai estar no serviço de streaming - vai para o Hulu (que é como dizer: se não mudar nada, não vai estar disponível em Portugal).

 

Será que vamos assistir a uma sociedade distópica em que a Disney controla o Mundo e a Netflix faz parte da resistência?

 

(Não se preocupem, fãs de Ryan Murphy: as séries que existem vão continuar em exibição até terminar a sua vida natural. Já viram a nova temporada de American Crime Story? O Assassinato de Gianni Versace? O primeiro episódio é bem fixe. Ainda não houve tempo para mais.)