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Já a Seguir

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Sobre o regresso d' As Vozes da Dolores

Manuel Reis, 14.03.20
A capa da T3 é da Joana Geraldes, e está lindíssima.

Em 2018, havendo uma pausa de produção d’ A Cabeça do Ned (um podcast sobre Game of Thrones que produzi, e que se tornou um pequeno monstro), convidei a Marta, presença habitual d’ A Cabeça, para fazermos um podcast sobre Westworld. Algo que acaba por ser útil: a série de ficção científica é considerada por muitos como sendo extremamente confusa, até porque joga com timelines. É um puzzle autêntico, mas que dá boas conversas para explorar os episódios.

Ora, estamos a ver como o Mundo está, e é um puzzle ainda mais complicado. As Vozes da Dolores devia ser gravada na Rádio Zero, que encerrou as suas instalações na Quarta-feira, acompanhando as instruções da Universidade de Lisboa, do Instituto Superior Técnico e da AEIST. Tal não vai acontecer, e não sei por quanto tempo. Quando fechei a Rádio* disse aos autores para, se quisessem, fazerem emissões a partir de casa, também para mantermos a rádio com novas emissões, e ter conteúdo fresco. Até porque eu vou fazer isso mesmo.

*Sidenote: sou Presidente da Administração da Zero. A decisão não partia só de mim, e qualquer decisão de uma das três instituições referidas ultrapassáva-nos. Mesmo assim, enquanto não havia uma decisão sólida, decidimos nós.

Se tenho o conhecimento, as ferramentas… o equipamento, não sendo o ideal, é o mesmo com que gravei o Podcast TVDependente, até 2015. Não é por não ter equipamento de estúdio que não vou gravar, e se tenho equipmento mais do que decente, é claro que vou gravar e publicar episódios. Conversas à distância, como tem de ser.

Até porque sinto essa responsabilidade: as pessoas precisam de distracção. Não vou negar a existência do problema, mas vou enfrentá-lo pelos cornos. Estamos todos fechados em casa? Tem de ser - tem mesmo de ser. Mas não é por isso que não podemos fazer alguma coisa.

Para mim, existem apenas dois factores para não produzir novos episódios: eu ficar incapacitado (fisicamente ou tecnologicamente) ou a HBO adiar a estreia da T3 da série - algo que me parece extremamente improvável, até porque existe uma necessidade enorme de conteúdo que nos distraia. Por exemplo, a Disney acabou de antecipar em três meses a estreia do Frozen 2 na Disney Plus.

As Vozes da Dolores regressam com novos episódios no dia 17, com emissão também na Rádio Zero às 11 da manhã e repetição aos Domingos, à uma da manhã - mesmo antes da estreia de novos episódios de Westworld na HBO Portugal. O primeiro episódio da temporada vai contar com o Samuel Andrade. Também poderá ter carros e cães. E, claro, podem subscrever o podcast na vossa plataforma preferida e ouvir as duas primeiras temporadas à medida que fazem maratona da série - certamente que devem ter algum tempo mais facilitado.

Vamos à loucura?

Succession T1 e T2: O 1% com qualidade

Os Roy são gentinha, mas dão mote a umas horas de excelente televisão.

Manuel Reis, 30.12.19
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Um retrato de família bom para um postal de Natal.
E-D: Jeremy Strong, Kieran Culkin, Brian Cox, Sarah Snook, Alan Ruck

[SEM SPOILERS] Esta é daquelas que, no seu primeiro ano, esteve ali meio escondida, sem se mostrar muito, a estrear depois dos últimos episódios da T2 de Westworld, mas que, pela premissa (uma história inspirada nas famílias Murdoch e Redstone, proprietárias de grandes consórcios de media, com algumas pinceladas da família Trump), já me tinha deixado curioso. A segunda temporada, exibida a partir de meio do Verão (a acompanhar a votação dos primeiros Emmys para que foi nomeada) conseguiu subir bastante o hype.

Obviamente, tive de lhe pegar e confirmar com os meus próprios olhos. E foi tudo aquilo que me prometeram (e mais).

Criada por Jesse Armstrong (com créditos firmados em Peep Show e The Thick Of It) e produzida por Adam McKay (em linha com aquilo que tem feito nos últimos anos, especificamente The Big Short e Vice), Succession tem um elenco de luxo, de onde tenho de destacar Jeremy Strong (a minha interpretação preferida da série) e Brian Cox, num papel que pode marcar a sua vasta carreira. E a música do genérico, de Nicholas Britell, é absolutamente viciante (vai-se tornar no meu toque de telemóvel).

Succession lá vai passando pelos pingos da chuva, ultrapassando algumas dificuldades que podem surgir com o tempo: na segunda temporada a série cresceu, deu algum carácter aos personagens para lá da tendência actual de “é tudo gente de merda”, ou das referências à Fox News e ao actual estado de paranóia dos mass media norte-americanos (e não só). Mas sente-se a rédea curta de Armstrong e da sua equipa para evitar que a série se desvie facilmente para a paródia completa* ou para a novela familiar. Há um equilíbrio muito bem trabalhado melodrama e o conflito interno associado a Kendall (Strong), a imaturidade de Roman (Kieran Culkin) a paródia associada (de formas totalmente diferentes) a Connor (Alan Ruck), Tom (Matthew Macfayden) e Greg (Nicholas Braun), e Shiv (Sarah Snook), que vai fazendo mais jogo de bastidores do que a restante família.

* Por vezes sinto que Succession podia ter um spin-off para uma sitcom - são as influências de The Thick Of It, Veep e do restante passado de Armstrong a falar mais alto. Não é que seja mau.

A série já conta com duas temporadas, com a terceira a caminho (mas ainda sem data de estreia confirmada). Tudo disponível na HBO Portugal*.

* Se começarem a série, tenham algum cuidado na navegação: a plataforma pode-vos mandar directamente para a T2; garantam que têm a primeira temporada seleccionada.

P.S.: Enquanto editava este post, encontrei um episódio de um podcast que esmiuça o guião de Succession, a forma como a série trabalha cada uma das temporadas, e como isso se aplica (de uma forma geral) à escrita de argumentos. Contém spoilers - foi publicado após os primeiros 4 episódios da segunda temporada.

A verdadeira "Crise" é conseguir ver tudo em Portugal

Crisis On Infinite Earths estreia este Domingo. Ou Terça.

Manuel Reis, 07.12.19
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Brandon Routh (Superman Returns) volta a envergar a capa do Super Homem, numa versão com elementos adaptados da mini-série de BD Kingdom Come. [Imagem via HBO Portugal]

Mais um ano, mais um crossover anual do Arrowverse (as séries da DC Comics na CW): Supergirl, Batwoman, The Flash, Arrow e Legends of Tomorrow (LoT) juntam-se para Crisis On Infinite Earths, a adaptação televisiva da saga de meados dos anos 80. De todos os trailers e fotografias promocionais que têm sido lançados (como a foto que ilustra este texto), já há algumas certezas: para além de Routh (que faz parte do elenco regular de LoT), Tom Welling (Smallville) vai voltar a interpretar Clark Kent, Kevin Conroy vai dar corpo a Bruce Wayne (depois de lhe dar voz desde 1992), há chamadas a séries antigas (o Flash dos anos 90, de John Wesley Shipp, que já tinha aparecido em Elseworlds, o crossover de 2018; mas também Ashely Scott, de Birds of Prey, série de 2002-03), e até dá para incluir, pela primeira vez nas três temporadas da série, Cress Williams, de Black Lightning. Receita para um crossover com expectativas elevadas, até porque é o melhor (ou menos mau, depende da perspectiva) que a DC consegue fazer em live-action.

O crossover começa este Domingo (8 de Dezembro) nos EUA, continua na Segunda e na Terça, e termina no dia 14 de Janeiro num episódio duplo. Para quem está nos EUA, é simples: basta ligar a televisão, ver o que tem a ver. Ou ir à app da CW no dia seguinte. Mas… E fora dos EUA? E cá em Portugal? Onde dá para ver Crisis?

Antes, uma observação necessária para entender isto: apesar de todos estes episódios terem o mesmo título e continuidade entre si, são produzidos e distribuídos como episódios individuais de cada uma das séries a que (efectivamente) pertencem. Por isso, os três primeiros episódios são de Supergirl, Batwoman e The Flash; e os últimos dois serão de Arrow e LoT. Quem viu os crossovers anteriores também pode notar isto com a maior (ou única) presença de certos actores no episódio da respectiva série.

Ou seja: os crossovers não são distribuídos de forma independente das séries, o que complica e dificulta a sua visualização a partir do momento em que saem dos EUA e da esfera do "evento televisivo" que é criada à sua volta. Por outro lado, o espectador está a ver uma série e, de repente, tem um episódio com mais personagens e que não tem nada a ver com a história que acompanhava (se acompanham Arrow ou LoT na RTP, já se devem ter deparado com isto).

Se cada episódio pertence a cada série… Cada série está num sítio diferente. As séries do Arrowverse que fazem parte do crossover estão em QUATRO diferentes canais/plataformas em Portugal:

SérieTemporada actualRTPAXNNetflixHBO Portugal
Arrow(última)InterrompidaInterrompida
(em repetição)
Até à T6
(Maio 2018)
 
The Flash6Interrompida Dois dias depois 
Supergirl5  Dois dias depois 
Legends of Tomorrow(Janeiro 2020)  Até à T3
(Abril 2018)
 
Batwoman1   Dois dias depois


Dá para perceber aqui que há algumas boas notícias: a primeira parte vai poder ser vista em Portugal, embora com um par de dias de diferença em relação à exibição original. Vão é andar a saltitar de plataforma em plataforma:

  • Parte 1: Supergirl (Netflix, Terça-feira)
  • Parte 2: Batwoman (HBO Portugal, Terça-feira)*
  • Parte 3: The Flash (Netflix, Quinta-feira)

* Com estas alterações de calendário, Batwoman acaba por estar disponível na HBO Portugal, excepcionalmente, no dia seguinte ao da emissão original. Quem diria?

a segunda parte, que passa a 14 de Janeiro… será mais complicado. A RTP ainda não anunciou datas de estreia para as novas temporadas de Arrow* ou de LoT (essa estreia imediatamente a seguir ao crossover), mas seria sempre na emissão linear (nada de RTP Play, pelo menos nas temporadas transmitidas até agora) e com pouca fiabilidade de horários. O Netflix também não tem previsão da publicação das temporadas anteriores, muito menos das correntes.

* Arrow estreia primeiro na RTP e só depois no AXN.

Esta situação não é única para Portugal: O exemplo mais simples possível é o Canadá, em que as cinco séries estão separadas entre dois canais diferentes. No entanto, há emissão simultânea com os EUA. Em Espanha acontece algo semelhante, com as séries espalhadas por vários canais ou plataformas - embora com uma transmissão mais a par (ou mais perto) do que temos em Portugal.

É estranho que, em 2020, com a discussão global a acontecer em peso na internet, os espectadores ainda estejam limitados na forma como podem aceder a conteúdos audiovisuais. Por mais serviços de streaming que surjam, é preciso que também exista um mercado de direitos globais, acesso instantâneo para todo o Mundo… E direitos centralizados (neste caso, à Warner o que é da Warner - tudo na HBO Portugal/Max), algo que vai começar a acontecer nos próximos anos e que só ocorrerá para as séries mais antigas quando os contratos actuais se expirarem. Há quem esteja disponível a pagar pelos serviços, mas ter de esperar mais do que 24 horas por um episódio, nos dias de hoje, é absurdo - sobretudo quando existem cópias de igual (ou melhor) qualidade a circular pela internet logo após (ou poucas horas depois) a emissão original.*

* The Flash e Supergirl, inicialmente, tinham os seus episódios no dia seguinte ao da emissão nos EUA. Em Outubro de 2018 passaram a ser disponibilizados dois dias depois - um dos motivos que me levou a cancelar a subscrição do serviço. Sim, só por mais um dia. Sim, sou assim tão picuinhas.

Felizmente existe (e existirá sempre) o Videoclube do Sr. Joaquim(wink wink), mas as ferramentas para deixar de passar por lá já existem - é pena é que as continuem a ignorar.

004: Joker, Watchmen, Batwoman (com Fábio Conde Martins)

Manuel Reis, 18.10.19

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Após uma pausa para lavar a cara, há um episódio - imagine-se! - inteiramente dedicado a adaptações dos universos DC: Joker, um candidato antecipado aos Óscares; Batwoman, mais uma série no Arrowverse, que acelera para uma Crise; e Watchmen, a nova série de Damon Lindelof (Lost, The Leftovers) para a HBO. Para esta há uma conversa com o Fábio Conde Martins, jornalista da MAGG e autor da newsletter Séries Fixes Para Ver.

Subscrevam o Já a Seguir, por enquanto, através do feed RSS.

Dois meses depois, como está a HBO?

Manuel Reis, 12.04.19

Aviso prévio: isto vai ser longo. Tem alguma contextualização necessária. E poderá ser técnico. Adiante.

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Game of Thrones regressa daqui a uns dias (já subscreveram A Cabeça do Ned?), com duas novidades: a primeira é que, finalmente, será transmitido às duas da manhã, em simultâneo com a emissão dos EUA, já legendado em português. A segunda é que isso não acontecerá apenas no Syfy, casa portuguesa da série desde o seu início, mas também na HBO Portugal, que disponibilizará os episódios para stream logo às 2 da manhã. Mas… Irá funcionar?

 

O (francamente) bom

 

Tenho estado a observar (e a usar) o serviço da HBO desde o seu lançamento, há dois meses, e tenho alguns pontos positivos. o catálgo é formidável, com clássicos do canal, coisas que nunca passaram em Portugal, especiais de comédia… Um pouco de tudo (embora ainda não tenha The Larry Sanders Show). E, para além de conteúdos da própria HBO, também recebe conteúdos de fora, como Killing Eve e as outras séries da CW em que o Netflix não pegou (Legacies, All American). O preço (4,99€/mês para cinco aparelhos e duas utilizações em simultâneo, sempre em HD) é extremamente competitivo no mercado (no Netflix, para duas utilizações em simultâneo e/ou para ter HD, é preciso desembolsar mais do dobro deste valor). Outro factor positivo: o serviço pode ser subscrito por qualquer um, não sendo obrigatório ser cliente Vodafone para usufruir do mesmo - embora a Vodafone tenha exclusividade nas boxes de cabo durante mais de dois anos, à semelhança do que aconteceu na entrada do Netflix em Portugal.

 

O desconfortável

 

No entanto, as grandes queixas que tenho lido por aí (sobretudo Twitter, alguns comentários no Facebook) têm sido em relação à interface de utilizador. E, aí, o Netflix dá uma experiência bastante superior. Daquilo que consegui explorar, a aplicação da HBO não permite escolher que qualidade do vídeo prefiro em dados móveis, e carrega sempre na qualidade máxima. Já o site, à mais pequena falha de rede que exista, mostra logo uma mensagem de erro (mesmo que o vídeo continue a reproduzir em background, ou em picture-in-picture) e não guarda posição em que está, ou seja, quando volto a reproduzir o vídeo tenho de arrastar o marcador da posição até ao sítio onde estava.

 

O mau

 

A distribuição de conteúdos é que me assusta. Eu tenho o péssimo hábito de ficar acordado até tarde, a ver televisão americana (por vezes, em directo). E tenho experimentado aceder aos conteúdos quando eles são publicados. Last Week Tonight (LWT), por exemplo: Adoro o John Oliver e, noutros anos, criei o hábito de o ver à segunda-feira, ao almoço. Mas tenho ido ver se o episódio é posto cá fora à hora a que é transmitido nos EUA - 23:00, cá são 4 da manhã. A essa hora, o episódio é dado como disponível (aparece uma “etiqueta” azul e um botão de play), mas quando carrego… Erro, conteúdo indisponível. E aqui é que começa a aventura: por vezes está disponível de manhã, por vezes só à noite, por vezes alguém tem de chatear por telefone ou nos social media. No caso de LWT, até dou um “desconto”: o episódio é gravado no próprio dia (por volta das nossas 22:00). No entanto, na era digital, com vários terabytes de informação a atravessar o planeta a cada segundo, é um pouco difícil usar isto como desculpa. E, ainda no Domingo passado, fui verificar se o episódio 2 de Veep estava disponível às 3:30… Para regressar à homepage quando carregava no play. Aliás, isso acontece agora, quando o site me diz para "Continuar a ver" a série, mostrando o episódio 3, que só vai estar disponível no próximo Domingo (não mostra, por exemplo, o novo episódio de Game of Thrones).

 

E se acham que o que escrevi é ser picuinhas, não. Por isso…

 

VOU. SER. PICUINHAS.

 

  • Há arrastamento de imagem, noto isso não só em Game of Thrones, mas noutros episódios de outras séries (Ballers, por exemplo). Basta fazer uma comparação com blu-rays ou, até, com clips dos episódios que são publicados online nos canais oficiais da HBO. E isso acontece em todos os dispositivos em que experimentei (computador, telemóvel, TV com Chromecast), mesmo a mexer na frequência de actualização da TV.
  • A olho, parece-me - ênfase em “parece”, não consegui fazer uma análise decente - que o vídeo está interlaçado, algo completamente incompreensível em 2019, numa plataforma digital e, creio, feita para dispositivos modernos, que já suportam vídeo progressivo.
  • O site da HBO, hbo.com, se for acedido em Portugal, redirecciona para o HBO Portugal, algo bastante enervante (gosto de aceder aos sites dos canais).
  • O campo de pesquisa pede um mínimo de três caracteres quando uma das séries mais emblemáticas da HBO - Oz - tem apenas dois, sendo impossível de encontrar pela pesquisa - que também podia ter mais termos de pesquisa para além do título e de alguns dos actores principais.
  • Parece que pode haver o adiamento da estreia de algum conteúdo - Leaving Neverland estreou com alguns dias de atraso, mas com a sorte de estrear em cima do pico da polémica. No entanto, é sempre preferível que estreie ao mesmo tempo: para mim, é um dos pontos mais fortes destes serviços e “O” ponto fulcral para cimentar uma das forças de um serviço deste género: um combate eficaz à partilha de ficheiros online.

 

Mas a maior falha, absolutamente criminosa, é o corte de imagem 4:3, produções relativamente antigas (como o telefilme The Late Shift, de 1996 - recomendo, mas não aqui), para se “adaptar” a 16:9. Sim, sou purista: Se foi feito em 4:3, mantenha-se em 4:3. Não estiquem, não encolham, não façam nada. No entanto, se vão fazer crop, não façam o corte a eito. The Late Shift, por exemplo, usa todo o campo visual para contar a sua história, e estes cortes acabam por não apenas cortar imagens de fundo, cortam também as testas de personagens que estão em primeiro plano (ou, no caso do Jay Leno, provavelmente também corta o queixo). Por mais medíocre que seja o conteúdo (neste caso não é, embora não tenha envelhecido muito bem), nada merece este tipo de tratamento.

 

Conclusão

 

Depois deste testamento, até pode parecer que não aprovo o serviço. No entanto… Não tenho grandes motivos para o fazer. Bom preço, excelente conteúdo - que sai reforçado com algumas aquisições de fora. Para além das picuinhices acima, a minha única preocupação é em relação à disponibilidade do conteúdo, que podia ser um pouco mais fiável, não só em relação ao que referi, A HBO tem algum histórico de crashes nas suas plataformas de streaming, especialmente em situações de grande antecipação. No entanto, numa conversa (bastante interessante) que tive com alguns técnicos da plataforma durante a festa de lançamento da mesma, eles garantiram-me que estão a fazer de tudo para que os servidores aguentem com a carga que vão ter e que vão estar atentos e a trabalhar à hora a que for preciso para garantir que as pessoas vêem o que tiverem de ver - até me deram como exemplo uma falha que afectou a utilização da HBO no Chromecast no primeiro dia do serviço). E, se isso implicar estarem acordados às 2 da manhã de Domingo para Segunda, então será assim.

Análise excessiva ao convite da HBO Portugal

Manuel Reis, 08.02.19

[11 de Fevereiro: Actualizado com nova informação]

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Vem aí a HBO, desta vez a genuína, a própria, sem confusões. Agora é mesmo a sério, e vou dar um salto à apresentação do canal na próxima semana para ver em que modos é que vão oferecer o canal no nosso país. Mas, para já, enviaram um convite (em vídeo, porque estamos modernos) e já têm página no Instagram e no Facebook. (E no Twitter, pá? E no Twitter?) E dá para ver alguma da (espero que seja) oferta do canal.

Para já, aquele que será o grande evento televisivo (e um dos grandes eventos da cultura pop) do ano: A última temporada de Game of Thrones. Não tenho certeza absoluta, mas há certas publicações (e uma página de Instagram ocupada por um mosaico de um dragão a cuspir fogo!) que me levam a crer que a aposta na última temporada de GoT vai ser real (pun not intended) e haverá algum tipo de divisão de direitos com o Syfy. Especulação minha, com 99% de certeza: HBO lança serviço de streaming com os direitos digitais/on demand de Game of Thrones. [UPDATE, 11 de Fevereiro: a HBO Portugal lançou o serviço e confirmou isto. Lançamento de novos episódios em simultâneo com os EUA.] Seria um lançamento gigantesco e o momento é o melhor possível. Ouvi dizer que há por aí um podcast que até está interessado nisto. Não acontecendo, com esta promoção toda, seria uma enorme surpresa - até porque me foi dito (vale o que vale, sendo isto escrito pelo gajo que escreve mês a mês por aqui e mais frequentemente pelo Twitter) que o Syfy não tem direitos para transmitir GoT fora da TV.

Fora isso, no vídeo que têm no Facebook, mostram cinco séries emblemáticas, antes d' O SOM. Por ordem: Sex and the City, The Sopranos (que cumpriu recentemente o seu 20.º aniversário), True Detective (que começou há algumas semanas a sua 3.ª temporada, com Mahershala Ali), Game of Thrones e Westworld. Devemos poder contar com essas, de alguma forma ou feitio.

Já vamos em 5, mas 5 é pouco e a HBO tem mais do que isso. E é aqui que entra o tal convite em vídeo, em que há várias fotos a cair num campo inclinado (não tipo Star Wars, outra inclinação - wrong franchise). Vemos as já referidas e mais algumas séries actuais da HBO: Big Little Lies, Sharp Objects, Ballers, Silicon Valley e a italo-americana My Brilliant Friend. 5 e 5, 10. Juntem-lhes True Blood, Six Feet Under (sim, Sete Palmos de Terra) e Entourage. Já vamos em 13, só séries da HBO.

Porque a seguir vem material que não é propriamente da HBO, mas que podia s… nã', estou a brincar. Killing Eve, da BBC America, até podia ser. O mosaico preenche-se com Charmed (a nova versão, da CW), Legacies (um spin-off de The Vampire Diaries, também da CW) e Manifest (é da NBC, tem uma premissa gira). 17.

Mas vamos às 19, porque também há The Vampire Diaries (para fazer companhia ao spin-off) e a maior surpresa deste canal: The Big Bang Theory, porque já não bastavam as 407 horas semanais dedicadas à série no AXN White (a sério, sempre que passo pelo canal está a dar isso ou Young Sheldon) e a lembrança de que Chuck Lorre já domina o planeta e nós ainda não nos apercebemos disso. Não há Curb Your Enthusiasm, mas há o seu exacto oposto, que é algo… bom?

No geral, está aqui um bom pacote inicial de conteúdo (e The Big Bang Theory), mas (para já) muito abaixo das 100 séries com que se iniciou em Espanha (na verdade, espero que comecem com um número de conteúdo bem mais elevado do que esta amostra). Faltam muitos detalhes. Preço? (Fala-se em 7,99€/mês, igual a Espanha.) [UPDATE, 11 de Fevereiro: 4,99€/mês, stream em dois aparelhos em simultâneo.] Será apenas um serviço de streaming on demand, ou haverá emissão linear? (Parece-me improvável que haja, considerando que a larga maioria destas séries está a ser transmitida noutros canais.) O envolvimento da Vodafone é semelhante ao que teve aquando do lançamento da Netflix, ou é meeeeesmo "operador exclusivo"? [UPDATE, 11 de Fevereiro: Semelhante. Não é preciso ser cliente Vodafone para subscrever.] Haverá Last Week Tonight? Melhor ainda: haverá conteúdo das outras HBOs internacionais como, por exemplo, Greg News? [UPDATE, 11 de Fevereiro: Há produção brasileira, não há Greg News.] (Haverá produção nacional?) Poderei ver finalmente todas as temporadas de The Larry Sanders Show? [UPDATE: à primeira vista, não. Pena.] E o gigantesco arquivo de especiais de stand-up comedy, é para aproveitar? [UPDATE: é.]

Questões que serão respondidas (espero) na próxima semana.

P.S.: E os novos episódios da Rua Sésamo, é pedir muito?