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Já a Seguir

12
Abr19

Dois meses depois, como está a HBO?

Manuel Reis

Aviso prévio: isto vai ser longo. Tem alguma contextualização necessária. E poderá ser técnico. Adiante.

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Game of Thrones regressa daqui a uns dias (já subscreveram A Cabeça do Ned?), com duas novidades: a primeira é que, finalmente, será transmitido às duas da manhã, em simultâneo com a emissão dos EUA, já legendado em português. A segunda é que isso não acontecerá apenas no Syfy, casa portuguesa da série desde o seu início, mas também na HBO Portugal, que disponibilizará os episódios para stream logo às 2 da manhã. Mas… Irá funcionar?

 

O (francamente) bom

 

Tenho estado a observar (e a usar) o serviço da HBO desde o seu lançamento, há dois meses, e tenho alguns pontos positivos. o catálgo é formidável, com clássicos do canal, coisas que nunca passaram em Portugal, especiais de comédia… Um pouco de tudo (embora ainda não tenha The Larry Sanders Show). E, para além de conteúdos da própria HBO, também recebe conteúdos de fora, como Killing Eve e as outras séries da CW em que o Netflix não pegou (Legacies, All American). O preço (4,99€/mês para cinco aparelhos e duas utilizações em simultâneo, sempre em HD) é extremamente competitivo no mercado (no Netflix, para duas utilizações em simultâneo e/ou para ter HD, é preciso desembolsar mais do dobro deste valor). Outro factor positivo: o serviço pode ser subscrito por qualquer um, não sendo obrigatório ser cliente Vodafone para usufruir do mesmo - embora a Vodafone tenha exclusividade nas boxes de cabo durante mais de dois anos, à semelhança do que aconteceu na entrada do Netflix em Portugal.

 

O desconfortável

 

No entanto, as grandes queixas que tenho lido por aí (sobretudo Twitter, alguns comentários no Facebook) têm sido em relação à interface de utilizador. E, aí, o Netflix dá uma experiência bastante superior. Daquilo que consegui explorar, a aplicação da HBO não permite escolher que qualidade do vídeo prefiro em dados móveis, e carrega sempre na qualidade máxima. Já o site, à mais pequena falha de rede que exista, mostra logo uma mensagem de erro (mesmo que o vídeo continue a reproduzir em background, ou em picture-in-picture) e não guarda posição em que está, ou seja, quando volto a reproduzir o vídeo tenho de arrastar o marcador da posição até ao sítio onde estava.

 

O mau

 

A distribuição de conteúdos é que me assusta. Eu tenho o péssimo hábito de ficar acordado até tarde, a ver televisão americana (por vezes, em directo). E tenho experimentado aceder aos conteúdos quando eles são publicados. Last Week Tonight (LWT), por exemplo: Adoro o John Oliver e, noutros anos, criei o hábito de o ver à segunda-feira, ao almoço. Mas tenho ido ver se o episódio é posto cá fora à hora a que é transmitido nos EUA - 23:00, cá são 4 da manhã. A essa hora, o episódio é dado como disponível (aparece uma “etiqueta” azul e um botão de play), mas quando carrego… Erro, conteúdo indisponível. E aqui é que começa a aventura: por vezes está disponível de manhã, por vezes só à noite, por vezes alguém tem de chatear por telefone ou nos social media. No caso de LWT, até dou um “desconto”: o episódio é gravado no próprio dia (por volta das nossas 22:00). No entanto, na era digital, com vários terabytes de informação a atravessar o planeta a cada segundo, é um pouco difícil usar isto como desculpa. E, ainda no Domingo passado, fui verificar se o episódio 2 de Veep estava disponível às 3:30… Para regressar à homepage quando carregava no play. Aliás, isso acontece agora, quando o site me diz para "Continuar a ver" a série, mostrando o episódio 3, que só vai estar disponível no próximo Domingo (não mostra, por exemplo, o novo episódio de Game of Thrones).

 

E se acham que o que escrevi é ser picuinhas, não. Por isso…

 

VOU. SER. PICUINHAS.

 

  • Há arrastamento de imagem, noto isso não só em Game of Thrones, mas noutros episódios de outras séries (Ballers, por exemplo). Basta fazer uma comparação com blu-rays ou, até, com clips dos episódios que são publicados online nos canais oficiais da HBO. E isso acontece em todos os dispositivos em que experimentei (computador, telemóvel, TV com Chromecast), mesmo a mexer na frequência de actualização da TV.
  • A olho, parece-me - ênfase em “parece”, não consegui fazer uma análise decente - que o vídeo está interlaçado, algo completamente incompreensível em 2019, numa plataforma digital e, creio, feita para dispositivos modernos, que já suportam vídeo progressivo.
  • O site da HBO, hbo.com, se for acedido em Portugal, redirecciona para o HBO Portugal, algo bastante enervante (gosto de aceder aos sites dos canais).
  • O campo de pesquisa pede um mínimo de três caracteres quando uma das séries mais emblemáticas da HBO - Oz - tem apenas dois, sendo impossível de encontrar pela pesquisa - que também podia ter mais termos de pesquisa para além do título e de alguns dos actores principais.
  • Parece que pode haver o adiamento da estreia de algum conteúdo - Leaving Neverland estreou com alguns dias de atraso, mas com a sorte de estrear em cima do pico da polémica. No entanto, é sempre preferível que estreie ao mesmo tempo: para mim, é um dos pontos mais fortes destes serviços e “O” ponto fulcral para cimentar uma das forças de um serviço deste género: um combate eficaz à partilha de ficheiros online.

 

Mas a maior falha, absolutamente criminosa, é o corte de imagem 4:3, produções relativamente antigas (como o telefilme The Late Shift, de 1996 - recomendo, mas não aqui), para se “adaptar” a 16:9. Sim, sou purista: Se foi feito em 4:3, mantenha-se em 4:3. Não estiquem, não encolham, não façam nada. No entanto, se vão fazer crop, não façam o corte a eito. The Late Shift, por exemplo, usa todo o campo visual para contar a sua história, e estes cortes acabam por não apenas cortar imagens de fundo, cortam também as testas de personagens que estão em primeiro plano (ou, no caso do Jay Leno, provavelmente também corta o queixo). Por mais medíocre que seja o conteúdo (neste caso não é, embora não tenha envelhecido muito bem), nada merece este tipo de tratamento.

 

Conclusão

 

Depois deste testamento, até pode parecer que não aprovo o serviço. No entanto… Não tenho grandes motivos para o fazer. Bom preço, excelente conteúdo - que sai reforçado com algumas aquisições de fora. Para além das picuinhices acima, a minha única preocupação é em relação à disponibilidade do conteúdo, que podia ser um pouco mais fiável, não só em relação ao que referi, A HBO tem algum histórico de crashes nas suas plataformas de streaming, especialmente em situações de grande antecipação. No entanto, numa conversa (bastante interessante) que tive com alguns técnicos da plataforma durante a festa de lançamento da mesma, eles garantiram-me que estão a fazer de tudo para que os servidores aguentem com a carga que vão ter e que vão estar atentos e a trabalhar à hora a que for preciso para garantir que as pessoas vêem o que tiverem de ver - até me deram como exemplo uma falha que afectou a utilização da HBO no Chromecast no primeiro dia do serviço). E, se isso implicar estarem acordados às 2 da manhã de Domingo para Segunda, então será assim.

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