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Já a Seguir

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Black-ish merece a vossa atenção

Manuel Reis, 26.02.18

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 Entristece-me ver que, quando a Fox Comedy anunciou a estreia de black-ish (hoje, às 22:00, com episódios de segunda a sexta), alguns dos comentários que surgiram eram, no mínimo, racistas. Não vou reproduzir nenhum do seu conteúdo (se os quiserem ler, vão à página de Facebook do canal, que não se dignou a apagá-los), mas vou dar a minha opinião.

 

Sim, black-ish é uma série negra. Sim, passa a perspectiva que muitos afro-americanos têm dos EUA, ou não fosse produzida por Larry Wilmore (apresentador de The Nightly Show, substituiu o antigo programa do Colbert e durou pouco tempo). E, infelizmente, é uma série necessária. Existem problemas com os quais nós (brancos) não temos de nos preocupar. Ainda há pouco tempo vi O Príncipe de Bel-Air, e muitas das situações que eram mostradas há 25 anos continuam a acontecer.

 

Como é que black-ish pega nisso? De frente. Em alguns episódios, abre-se espaço para debate - e um deles é particularmente dramático, pegando nas lições de Norman Lear para nos oferecer 22 minutos de não-comédia numa sitcom, para que a discussão continue também em casa, com os espectadores. Para efeitos cómicos, a maior parte dos personagens brancos na série são ignorantes ou pessoas sem jeito. No entanto, até que ponto é que (nós, brancos) não seremos ignorantes? Não teremos sorte de não passar a vida sem alguns destes problemas? (Problemas esses que também acontecem cá, mesmo que não sejam tão mediáticos.)

 

Independentemente das questões raciais, black-ish é uma excelente comédia familiar, com Dre (Anthony Anderson) e Rainbow (Tracy Ellis Ross) a gerir uma família de quatro filhos. Muito bem escrita pela equipa de Kenya Barris e com uma pós-produção irrepreensível. Experimentem-na.

 

E a todos os racistas que acham que isto é apenas uma série “de pretos, por pretos, para pretos”, não se esqueçam que, se forem para lá, serão imigrantes. E o ambiente para os imigrantes nos EUA também não está muito favorável.

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