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Já a Seguir

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Succession T1 e T2: O 1% com qualidade

Os Roy são gentinha, mas dão mote a umas horas de excelente televisão.

Manuel Reis, 30.12.19
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Um retrato de família bom para um postal de Natal.
E-D: Jeremy Strong, Kieran Culkin, Brian Cox, Sarah Snook, Alan Ruck

[SEM SPOILERS] Esta é daquelas que, no seu primeiro ano, esteve ali meio escondida, sem se mostrar muito, a estrear depois dos últimos episódios da T2 de Westworld, mas que, pela premissa (uma história inspirada nas famílias Murdoch e Redstone, proprietárias de grandes consórcios de media, com algumas pinceladas da família Trump), já me tinha deixado curioso. A segunda temporada, exibida a partir de meio do Verão (a acompanhar a votação dos primeiros Emmys para que foi nomeada) conseguiu subir bastante o hype.

Obviamente, tive de lhe pegar e confirmar com os meus próprios olhos. E foi tudo aquilo que me prometeram (e mais).

Criada por Jesse Armstrong (com créditos firmados em Peep Show e The Thick Of It) e produzida por Adam McKay (em linha com aquilo que tem feito nos últimos anos, especificamente The Big Short e Vice), Succession tem um elenco de luxo, de onde tenho de destacar Jeremy Strong (a minha interpretação preferida da série) e Brian Cox, num papel que pode marcar a sua vasta carreira. E a música do genérico, de Nicholas Britell, é absolutamente viciante (vai-se tornar no meu toque de telemóvel).

Succession lá vai passando pelos pingos da chuva, ultrapassando algumas dificuldades que podem surgir com o tempo: na segunda temporada a série cresceu, deu algum carácter aos personagens para lá da tendência actual de “é tudo gente de merda”, ou das referências à Fox News e ao actual estado de paranóia dos mass media norte-americanos (e não só). Mas sente-se a rédea curta de Armstrong e da sua equipa para evitar que a série se desvie facilmente para a paródia completa* ou para a novela familiar. Há um equilíbrio muito bem trabalhado melodrama e o conflito interno associado a Kendall (Strong), a imaturidade de Roman (Kieran Culkin) a paródia associada (de formas totalmente diferentes) a Connor (Alan Ruck), Tom (Matthew Macfayden) e Greg (Nicholas Braun), e Shiv (Sarah Snook), que vai fazendo mais jogo de bastidores do que a restante família.

* Por vezes sinto que Succession podia ter um spin-off para uma sitcom - são as influências de The Thick Of It, Veep e do restante passado de Armstrong a falar mais alto. Não é que seja mau.

A série já conta com duas temporadas, com a terceira a caminho (mas ainda sem data de estreia confirmada). Tudo disponível na HBO Portugal*.

* Se começarem a série, tenham algum cuidado na navegação: a plataforma pode-vos mandar directamente para a T2; garantam que têm a primeira temporada seleccionada.

P.S.: Enquanto editava este post, encontrei um episódio de um podcast que esmiuça o guião de Succession, a forma como a série trabalha cada uma das temporadas, e como isso se aplica (de uma forma geral) à escrita de argumentos. Contém spoilers - foi publicado após os primeiros 4 episódios da segunda temporada.

A verdadeira "Crise" é conseguir ver tudo em Portugal

Crisis On Infinite Earths estreia este Domingo. Ou Terça.

Manuel Reis, 07.12.19
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Brandon Routh (Superman Returns) volta a envergar a capa do Super Homem, numa versão com elementos adaptados da mini-série de BD Kingdom Come. [Imagem via HBO Portugal]

Mais um ano, mais um crossover anual do Arrowverse (as séries da DC Comics na CW): Supergirl, Batwoman, The Flash, Arrow e Legends of Tomorrow (LoT) juntam-se para Crisis On Infinite Earths, a adaptação televisiva da saga de meados dos anos 80. De todos os trailers e fotografias promocionais que têm sido lançados (como a foto que ilustra este texto), já há algumas certezas: para além de Routh (que faz parte do elenco regular de LoT), Tom Welling (Smallville) vai voltar a interpretar Clark Kent, Kevin Conroy vai dar corpo a Bruce Wayne (depois de lhe dar voz desde 1992), há chamadas a séries antigas (o Flash dos anos 90, de John Wesley Shipp, que já tinha aparecido em Elseworlds, o crossover de 2018; mas também Ashely Scott, de Birds of Prey, série de 2002-03), e até dá para incluir, pela primeira vez nas três temporadas da série, Cress Williams, de Black Lightning. Receita para um crossover com expectativas elevadas, até porque é o melhor (ou menos mau, depende da perspectiva) que a DC consegue fazer em live-action.

O crossover começa este Domingo (8 de Dezembro) nos EUA, continua na Segunda e na Terça, e termina no dia 14 de Janeiro num episódio duplo. Para quem está nos EUA, é simples: basta ligar a televisão, ver o que tem a ver. Ou ir à app da CW no dia seguinte. Mas… E fora dos EUA? E cá em Portugal? Onde dá para ver Crisis?

Antes, uma observação necessária para entender isto: apesar de todos estes episódios terem o mesmo título e continuidade entre si, são produzidos e distribuídos como episódios individuais de cada uma das séries a que (efectivamente) pertencem. Por isso, os três primeiros episódios são de Supergirl, Batwoman e The Flash; e os últimos dois serão de Arrow e LoT. Quem viu os crossovers anteriores também pode notar isto com a maior (ou única) presença de certos actores no episódio da respectiva série.

Ou seja: os crossovers não são distribuídos de forma independente das séries, o que complica e dificulta a sua visualização a partir do momento em que saem dos EUA e da esfera do "evento televisivo" que é criada à sua volta. Por outro lado, o espectador está a ver uma série e, de repente, tem um episódio com mais personagens e que não tem nada a ver com a história que acompanhava (se acompanham Arrow ou LoT na RTP, já se devem ter deparado com isto).

Se cada episódio pertence a cada série… Cada série está num sítio diferente. As séries do Arrowverse que fazem parte do crossover estão em QUATRO diferentes canais/plataformas em Portugal:

SérieTemporada actualRTPAXNNetflixHBO Portugal
Arrow(última)InterrompidaInterrompida
(em repetição)
Até à T6
(Maio 2018)
 
The Flash6Interrompida Dois dias depois 
Supergirl5  Dois dias depois 
Legends of Tomorrow(Janeiro 2020)  Até à T3
(Abril 2018)
 
Batwoman1   Dois dias depois


Dá para perceber aqui que há algumas boas notícias: a primeira parte vai poder ser vista em Portugal, embora com um par de dias de diferença em relação à exibição original. Vão é andar a saltitar de plataforma em plataforma:

  • Parte 1: Supergirl (Netflix, Terça-feira)
  • Parte 2: Batwoman (HBO Portugal, Terça-feira)*
  • Parte 3: The Flash (Netflix, Quinta-feira)

* Com estas alterações de calendário, Batwoman acaba por estar disponível na HBO Portugal, excepcionalmente, no dia seguinte ao da emissão original. Quem diria?

a segunda parte, que passa a 14 de Janeiro… será mais complicado. A RTP ainda não anunciou datas de estreia para as novas temporadas de Arrow* ou de LoT (essa estreia imediatamente a seguir ao crossover), mas seria sempre na emissão linear (nada de RTP Play, pelo menos nas temporadas transmitidas até agora) e com pouca fiabilidade de horários. O Netflix também não tem previsão da publicação das temporadas anteriores, muito menos das correntes.

* Arrow estreia primeiro na RTP e só depois no AXN.

Esta situação não é única para Portugal: O exemplo mais simples possível é o Canadá, em que as cinco séries estão separadas entre dois canais diferentes. No entanto, há emissão simultânea com os EUA. Em Espanha acontece algo semelhante, com as séries espalhadas por vários canais ou plataformas - embora com uma transmissão mais a par (ou mais perto) do que temos em Portugal.

É estranho que, em 2020, com a discussão global a acontecer em peso na internet, os espectadores ainda estejam limitados na forma como podem aceder a conteúdos audiovisuais. Por mais serviços de streaming que surjam, é preciso que também exista um mercado de direitos globais, acesso instantâneo para todo o Mundo… E direitos centralizados (neste caso, à Warner o que é da Warner - tudo na HBO Portugal/Max), algo que vai começar a acontecer nos próximos anos e que só ocorrerá para as séries mais antigas quando os contratos actuais se expirarem. Há quem esteja disponível a pagar pelos serviços, mas ter de esperar mais do que 24 horas por um episódio, nos dias de hoje, é absurdo - sobretudo quando existem cópias de igual (ou melhor) qualidade a circular pela internet logo após (ou poucas horas depois) a emissão original.*

* The Flash e Supergirl, inicialmente, tinham os seus episódios no dia seguinte ao da emissão nos EUA. Em Outubro de 2018 passaram a ser disponibilizados dois dias depois - um dos motivos que me levou a cancelar a subscrição do serviço. Sim, só por mais um dia. Sim, sou assim tão picuinhas.

Felizmente existe (e existirá sempre) o Videoclube do Sr. Joaquim(wink wink), mas as ferramentas para deixar de passar por lá já existem - é pena é que as continuem a ignorar.