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Já a Seguir

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Algumas considerações sobre os Óscares, edição 2019 (com resultados e análise)

Manuel Reis, 25.02.19

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Pós-cerimónia: E eis que fui surpreendido. Primeiro, a razia: Acertei 13 em 24, muito abaixo do ano passado, um valor que sobe para 22 se incluirmos segundas opções. E que segundas opções! Sobretudo Black Panther, que eu esperava que ficasse muito perto mas que não levasse nada, e que venceu precisamente os três em que disse que podia surpreender! Olivia Colman protagonizou a grande surpresa da noite, quando todos esperavam que The Favourite voltasse ao século XVIII de mãos a abanar, ao vencer Melhor Actriz (e, assim, a prolongar o jejum de Óscares de Glenn Close). Bohemian Rhapsody venceu todos aqueles que eu esperava e Edição de Som. No entanto, começou a assustar: Será que uma votação dividida daria Melhor Filme a isto? Felizmente, não aconteceu. Roma venceu Fotografia, Filme Estrangeiro e Realizador, e Green Book leva para casa, para lá de Actor Secundário, Argumento Original e Melhor Filme (ainda não foi desta, Netflix - mas é uma inevitabilidade). Lá acabámos felizes, no Twitter. Todos os nomeados para Melhor Filme venceram, pelo menos, um Óscar, o que também diz muito da diversidade de filmes aqui presente. Apesar de ter apostado em Avengers: Infinity War, fiquei muito satisfeito com a vitória de First Man em Efeitos Visuais. E foi isto.

 

Quanto à Fox: Tiveram uma oportunidade para quebrar com o passado, mas continuou a ser o mesmo tipo de transmissão, só que pior. Felizmente deram a opção de ver sem comentários na Fox Movies - que, também felizmente, eu tenho - mas sempre que espreitava o canal-mãe ou lia comentários no Twitter sobre o que estava a ser dito na emissão punha as mãos à cabeça com o nível básico das observações feitas, fossem gritos a meio da emissão, conversas durante o final da actuação da Filarmónica de Los Angeles no In Memoriam ou o Mahershala Ali que estava «com frio» porque estava a usar um chapéu cerimonial que parecia um gorro. É pena. Em 5 anos, os Óscares foram transmitidos em 3 canais diferentes em Portugal, o que não ajuda à estabilidade de uma equipa que já conheça como a cerimónia funciona e como devem fazer as coisas. Não é necessário estarem três pessoas a comentar, basta uma que esteja bem informada sobre os nomeados, que perceba como isto está estruturado e que não fale por cima de qualquer interveniente na cerimónia (um excelente exemplo: Graham Norton a comentar a Eurovisão na BBC). A Fox também teve azar com a emissão, com um problema de som desde o início da sua cobertura que ainda perturbou uma parte da cerimónia (mas que, entretanto, desapareceu).

 

Já a cerimónia em si… Sabem que mais? O apresentador não fez falta. A cerimónia pareceu bem mais rápida do que o habitual (acabou antes das 5 da manhã, milagre) e não foi preciso cortar prémios (dois dos discursos mais elogiados da noite foram nas categorias que, supostamente, seriam cortadas). Foram para o básico dos básicos (a entrega dos prémios) e tiveram sucesso. Fórmula a repetir, desde que o palco não se volte a parecer com o cabelo de Donald Trump.

 

Vou dormir, mas fiquem com o grande vencedor da noite no Twitter:

 

Anteriormente: É um ano atípico a todos os níveis: não há apresentador, não há grandes certezas em várias das grandes categorias, a Academia tentou fazer duas alterações estúpidas - e, pior, não teve tomates para as manter - e a única certeza que eu tenho é esta: Spider-Man: Into The Spider-Verse tem de ganhar Melhor Filme de Animação. Limpou tudo o que podia nos Annie Awards, venceu todos os grandes indicadores. Foi "o" filme de animação do ano. Será uma injustiça se não ganhar, e uma injustiça ainda maior se qualquer um dos filmes da Disney (The Incredibles 2 ou Ralph vs. Internet, nenhum deles particularmente extraordinário) vencer o prémio. E podia facilmente entrar na luta por Melhor Filme, considerando os nomeados. Vamos lá falar desses.

 

Eu sou uma daquelas pessoas que defende o mérito da nomeação de Black Panther. Não, não é o melhor filme de super-heróis de sempre (achei Logan, por exemplo, melhor). Mas estamos a falar do filme que maior impacto social teve este ano numa América cada vez mais dividida. As primeiras sessões esgotavam, com público que ia ver e rever o filme, vezes sem conta. E não iam de calças de ganga ou de fato e gravata, mas com trajes africanos. Desde o momento da sua estreia - há mais de um ano! - que era falado para receber múltiplas nomeações, e a brincadeira já lhe deu um SAG Award para Melhor Elenco. É uma pena que não ouçamos "All The Stars" na cerimónia, talvez a única música que pode tirar a vitória de Óscar de Melhor Canção Original àquela porra que já não se pode ouvir. Enfim, não conto que Black Panther ganhe nenhuma das nomeações que tem, embora possa surpreender em Design de Produção, Banda Sonora Original ou Guarda-Roupa. E sim, é este o filme que eu tirava para colocar o do Homem-Aranha.

 

Eu tive de ir ver se era mesmo, e é. BlackKklansman é uma história tão louca, tão absurda, que é estranho acreditar que é real, mas é algo que aconteceu mesmo! Aliás: há tanta queixa de que a Academia discrimina comédias e, logo este ano, temos cinco nomeados. Sim, com elementos dramáticos à mistura, mas acabam por ser comédias na mesma. Dos oito nomeados para Melhor Filme, é o meu preferido. No entanto, sabendo como os Óscares funcionam, acredito que possa levar Melhor Argumento Adaptado e que se fique por aí.

 

Bohemian Rhapsody está este ano para os Óscares como Darkest Hour esteve no ano passado: um argumento que é uma grandessíssima poia previsível imaginada à volta de personagens históricos, com excesso de utilização de licença dramática, só para dar ao seu Actor Principal a hipótese (e a quase certeza) de vitória nessa categoria. No ano passado com Gary Oldman e um Churchill que ia ao metro, este ano com Rami Malek e um Freddie Mercury em que as datas do diagnóstico de VIH são alteradas para o filme ter um final "vonito". Não sou fã destas coisas. Dêem o Óscar ao rapaz, ele merece. Provavelmente ainda vai levar Montagem e Mistura de Som.

 

Vá lá, malta, parem lá com o trocadilho fácil de "The Favourite faz jus ao nome". Não faz. Pelo menos para Melhor Filme. No entanto, foi uma agradável surpresa: nunca tinha visto nada de Lanthimos até aqui, e foge muito bem ao típico filme de época com um sólido guião e três actrizes fenomenais (com a Olivia Coleman a ter, finalmente, reconhecimento para lá do Reino Unido). Extremamente bem filmado, boa palete de cores. Nas minhas apostas, leva Argumento Original, Design de Produção e Guarda-Roupa - não tendo eu certeza para as três.

 

Green Book é, para mim, o filme que pode ganhar isto se a Academia não quiser fazer história. Performances formidáveis de Viggo Mortensen e Mahershala Ali (que deve ganhar Melhor Actor Secundário), sobre uma época em que ainda sobram muitas histórias para contar.

 

Tive a mesma sensação a ver Roma que tive a ver Gravity: Um trabalho técnico absolutamente perfeito de Cuarón num filme que deve ser visto numa sala de cinema para que possa ser justamente apreciado. Não achei o argumento nada de extraordinário, embora perceba a importância do mesmo e do casting. Roma tem a história contra si: É um filme estrangeiro que vem de uma plataforma de streaming (no caso, Netflix). Será o primeiro a vencer Melhor Filme em qualquer um dos cenários, e poderá marcar uma mudança de paradigma. Veremos se o método de votação não lhe complica a vida. De resto, vitória fácil para Cuarón em Realizador e Fotografia.

 

A 7834763298234.ª versão de A Star Is Born, baseada em 732475 dos filmes anteriores, tem alguns problemas, mas Lady Gaga não é um deles. Pelo contrário, é a confirmação das múltiplas facetas da cantora, que espero voltar a ver num filme (e nomeada por acting) num futuro próximo. Sólida performance por parte dela. No entanto, para além da música (que já me faz sangrar os ouvidos de tantas vezes que já a ouvi), achei que o filme tem um grave problema de ritmo (muito acelerado na segunda metade). E o Bradley Cooper com voz de bagaço?

 

Foi o último que vi, e sim - Vice é claramente um filme contado de uma perspectiva liberal e cómica, havendo espaço para a alguma tirania. É a forma perfeita de capturar a presidência Bush-Cheney: absurda e cheia de momentos graves. O elenco está formidável - Sam Rockwell só precisava de fazer a voz - e Adam McKay cresce cada vez mais. Maquilhagem é certo.

 

No ano passado acertei 19 em 24: falhei Curta, Curta Documentário, Documentário, Efeitos Visuais e Melhor Filme (ainda estou para perceber como é que Shape of Water ganhou). Obviamente, o objectivo este ano é melhorar. Por isso, para efeitos estatísticos, contam as primeiras opções, mas vou fornecer alternativa para boa parte das categorias (estão entre parêntesis). Vou tentando actualizar ao longo da noite. A sublinhado estão os vencedores, e os meus não-acertos estão rasurados.

  • Melhor Filme: Roma (Green Book)
  • Melhor Actor: Rami Malek, Bohemian Rhapsody
  • Melhor Actriz: Glenn Close, The Wife venceu Olivia Colman, The Favourite
  • Melhor Actor Secundário: Mahershala Ali, Green Book
  • Melhor Actriz Secundária: Regina King, If Beale Street Could Talk (Rachel Weisz, The Favourite)
  • Melhor Filme de Animação: Spider-Man: Into The Spider-Verse
  • Melhor Fotografia: Roma
  • Melhor Guarda-Roupa: The Favourite (Black Panther)
  • Melhor Realização: Alfonso Cuarón, Roma
  • Melhor Documentário: RBG (Free Solo)
  • Melhor Curta Documentário: Period. End of Sentence. (Black Sheep)
  • Melhor Montagem ("a" categoria da noite): Bohemian Rhapsody (The Favourite)
  • Melhor Filme Estrangeiro: Roma (Cold War)
  • Melhor Maquilhagem/Penteados: Vice
  • Melhor Banda Sonora Original: If Beale Street Could Talk (Black Panther)
  • Melhor Canção Original: "Shallow", A Star Is Born
  • Melhor Design de Produção: The Favourite (Black Panther)
  • Melhor Curta de Animação: Bao
  • Melhor Curta: Marguerite venceu Skin
  • Melhor Edição de Som: A Quiet Place (Bohemian Rhapsody)
  • Melhor Mistura de Som: Bohemian Rhapsody
  • Melhores Efeitos Visuais: Avengers: Infinity War (First Man)
  • Melhor Argumento Adaptado: BlackKklansman (Can You Ever Forgive Me?)
  • Melhor Argumento Original: The Favourite (Green Book)

Análise excessiva ao convite da HBO Portugal

Manuel Reis, 08.02.19

[11 de Fevereiro: Actualizado com nova informação]

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Vem aí a HBO, desta vez a genuína, a própria, sem confusões. Agora é mesmo a sério, e vou dar um salto à apresentação do canal na próxima semana para ver em que modos é que vão oferecer o canal no nosso país. Mas, para já, enviaram um convite (em vídeo, porque estamos modernos) e já têm página no Instagram e no Facebook. (E no Twitter, pá? E no Twitter?) E dá para ver alguma da (espero que seja) oferta do canal.

Para já, aquele que será o grande evento televisivo (e um dos grandes eventos da cultura pop) do ano: A última temporada de Game of Thrones. Não tenho certeza absoluta, mas há certas publicações (e uma página de Instagram ocupada por um mosaico de um dragão a cuspir fogo!) que me levam a crer que a aposta na última temporada de GoT vai ser real (pun not intended) e haverá algum tipo de divisão de direitos com o Syfy. Especulação minha, com 99% de certeza: HBO lança serviço de streaming com os direitos digitais/on demand de Game of Thrones. [UPDATE, 11 de Fevereiro: a HBO Portugal lançou o serviço e confirmou isto. Lançamento de novos episódios em simultâneo com os EUA.] Seria um lançamento gigantesco e o momento é o melhor possível. Ouvi dizer que há por aí um podcast que até está interessado nisto. Não acontecendo, com esta promoção toda, seria uma enorme surpresa - até porque me foi dito (vale o que vale, sendo isto escrito pelo gajo que escreve mês a mês por aqui e mais frequentemente pelo Twitter) que o Syfy não tem direitos para transmitir GoT fora da TV.

Fora isso, no vídeo que têm no Facebook, mostram cinco séries emblemáticas, antes d' O SOM. Por ordem: Sex and the City, The Sopranos (que cumpriu recentemente o seu 20.º aniversário), True Detective (que começou há algumas semanas a sua 3.ª temporada, com Mahershala Ali), Game of Thrones e Westworld. Devemos poder contar com essas, de alguma forma ou feitio.

Já vamos em 5, mas 5 é pouco e a HBO tem mais do que isso. E é aqui que entra o tal convite em vídeo, em que há várias fotos a cair num campo inclinado (não tipo Star Wars, outra inclinação - wrong franchise). Vemos as já referidas e mais algumas séries actuais da HBO: Big Little Lies, Sharp Objects, Ballers, Silicon Valley e a italo-americana My Brilliant Friend. 5 e 5, 10. Juntem-lhes True Blood, Six Feet Under (sim, Sete Palmos de Terra) e Entourage. Já vamos em 13, só séries da HBO.

Porque a seguir vem material que não é propriamente da HBO, mas que podia s… nã', estou a brincar. Killing Eve, da BBC America, até podia ser. O mosaico preenche-se com Charmed (a nova versão, da CW), Legacies (um spin-off de The Vampire Diaries, também da CW) e Manifest (é da NBC, tem uma premissa gira). 17.

Mas vamos às 19, porque também há The Vampire Diaries (para fazer companhia ao spin-off) e a maior surpresa deste canal: The Big Bang Theory, porque já não bastavam as 407 horas semanais dedicadas à série no AXN White (a sério, sempre que passo pelo canal está a dar isso ou Young Sheldon) e a lembrança de que Chuck Lorre já domina o planeta e nós ainda não nos apercebemos disso. Não há Curb Your Enthusiasm, mas há o seu exacto oposto, que é algo… bom?

No geral, está aqui um bom pacote inicial de conteúdo (e The Big Bang Theory), mas (para já) muito abaixo das 100 séries com que se iniciou em Espanha (na verdade, espero que comecem com um número de conteúdo bem mais elevado do que esta amostra). Faltam muitos detalhes. Preço? (Fala-se em 7,99€/mês, igual a Espanha.) [UPDATE, 11 de Fevereiro: 4,99€/mês, stream em dois aparelhos em simultâneo.] Será apenas um serviço de streaming on demand, ou haverá emissão linear? (Parece-me improvável que haja, considerando que a larga maioria destas séries está a ser transmitida noutros canais.) O envolvimento da Vodafone é semelhante ao que teve aquando do lançamento da Netflix, ou é meeeeesmo "operador exclusivo"? [UPDATE, 11 de Fevereiro: Semelhante. Não é preciso ser cliente Vodafone para subscrever.] Haverá Last Week Tonight? Melhor ainda: haverá conteúdo das outras HBOs internacionais como, por exemplo, Greg News? [UPDATE, 11 de Fevereiro: Há produção brasileira, não há Greg News.] (Haverá produção nacional?) Poderei ver finalmente todas as temporadas de The Larry Sanders Show? [UPDATE: à primeira vista, não. Pena.] E o gigantesco arquivo de especiais de stand-up comedy, é para aproveitar? [UPDATE: é.]

Questões que serão respondidas (espero) na próxima semana.

P.S.: E os novos episódios da Rua Sésamo, é pedir muito?