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Já a Seguir

27
Abr18

Westworld e As Vozes da Dolores

Manuel Reis

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Westworld regressou. O que é que isso significa? Que, semanalmente, temos uma série sobre a qual temos teorias para debater, personagens que nos fazem pensar (e outras que nos fazem desesperar de tanto pretensiosismo, ou ambos), múltiplas (demasiadas?) timelines e labirintos (se são metafóricos ou não, vou-vos deixar na dúvida). Isto quer dizer que, durante as próximas 9 semanas, temos tópico de conversa mais do que garantido - ao contrário de outras séries cuja popularidade explodiu recentemente mas que, em circunstâncias normais, há-de acalmar nas próximas semanas. (Sim, estou a falar de La Casa de Papel, que ainda não vi nem planeio ver nos dias que vêm: demasiadas séries, pouco tempo, e esse tempo torna-se mais escasso devido ao que vão ler a seguir.)

 

Isto tudo para dizer o quê? Que estou a fazer um podcast sobre Westworld. O nome (e estou à vontade para dizer isto, porque não fui eu que me lembrei dele) é absolutamente brilhante - As Vozes da Dolores - e é exactamente o mesmo formato d' A Cabeça do Ned, o meu outro podcast sobre Game of Thrones. (que está parado porque… Bem, não há série até 2019.) Torna-se ainda melhor porque, desta vez, a Marta Gomes da Silva (a pessoa mais vezes convidada d' A Cabeça) estará em todos os episódios (menos um), efectivamente sendo a co-host do projecto. Como bónus, e apesar de começarmos isto na segunda temporada, gravámos 10 episódios mais curtos em que falamos da primeira temporada da série, depois de a termos revisto.

 

Estamos no iTunes, no Mixcloud e no YouTube - onde adicionamos à loucura alguns bónus visuais. Também podem subscrever o feed directamente na vossa app de podcasts preferida. Passem também pelo nosso Facebook, onde vamos partilhando links sobre a série e sobre os episódios. Deixem feedback! É muito importante para nós.

 

Se são fãs de Westworld, ouçam As Vozes da Dolores. Prometemos elogiar o que achamos bom, gozar com o que achamos ridículo, contar as mortes do Teddy (para quem não vê a série, é tipo o que acontecia ao Pedro Granger há uns anos) e questionar a nossa existência e convivência com robots.

 

Se nunca viram Westworld, experimentem! Vejam o primeiro episódio e ouçam As Vozes da Dolores logo a seguir. Eu sei, a série pode ser (é) confusa. Eu e a Marta tentamos ajudar a que seja menos.

06
Mar18

Óscares: Ainda me estou a auto-flagelar por ter errado Melhor Filme

Manuel Reis

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Depois de falar sobre a triste experiência, está na altura de varrer o chão, apanhar o boletim das apostas e ver que…

 

Porra. Errei Melhor Filme.

 

Não sendo a primeira vez que preenchi o ballot, este foi (sem dúvida) o mais dedicado que preenchi. Tentei ver os filmes que consegui, ponderar sobre as hipóteses, pensar para além da qualidade dos filmes (há muita política envolvida) e… Sabem, provavelmente voltava a apostar nos mesmos. E não posso considerar que tenha corrido totalmente mal: das 24 apostas, falhei 5. No entanto, das 19 apostas em que vi alguns dos/todos os nomeados, errei apenas 2 (Efeitos Visuais e Filme). Não está mal, só que…

 

Porra. Errei Melhor Filme.

 

A de Efeitos Visuais podia e devia ter sido prevista por mim. Afinal, o espectáculo visual que é Blade Runner 2049 ia certamente levar algo para casa, no mínimo Fotografia. E War For The Planet Of The Apes apenas teve esta nomeação. À excepção das três categorias de Curtas, Documentário e Filme Estrangeiro, que estão regularmente nesta situação, nenhum filme com apenas uma nomeação venceu.

 

Nas que fiz às cegas, podia também ter ponderado na vitória de Icarus, documentário do Netflix que está na minha watchlist há demasiado tempo e que fala do escândalo de doping na Rússia, com a política a ser um factor muito, muito forte para esta opção. No GoldDerby a hipótese Visages, Visages era demasiado forte para não ser seguro. Mas as surpresas acontecem. E nada me surpreendeu mais do que ver que…

 

Porra. Errei Melhor Filme.

 

No entanto, escrevi que podia virar para The Shape of Water. A corrida entre os dois era apertada, com Three Billboards Outside Ebbing, Missouri a vencer nos BAFTA e o filme de Guillermo del Toro a vencer o prémio dos Produtores. Este último é normalmente um bom indicador, mas as águas têm estado separadas nos últimos anos. (Em 2017, La La Land venceu nos PGA Awards e, por três minutos, também pensava que tinha vencido nos Óscares.) Dos nove, Get Out é o meu preferido, mas tinha completa noção de que esse não ia ganhar. Call Me By Your Name também já tinha perdido alguma força, Dunkirk ficou-se pelos técnicos (à semelhança de Gravity, que em 2014 venceu 7 prémios em 10 nomeações, mas 12 Years a Slave venceu Filme). Era entre estes dois. Optei pelas indicações recentes, mas parece que houve um regresso à tradição.

 

Errei Melhor Filme.

 

A cerimónia foi bastante sólida. Honestamente, não sei o que esperam da cerimónia para além da entrega de prémios. Jimmy Kimmel esteve seguro e, apesar de eu ser fã, tenho de admitir que não senti falta das referências à "contenda" com Matt Damon. O monólogo foi muito bom, Kimmel está mais forte nos temas políticos (vem de um ano em que esteve a puxar por isso no seu programa) e até gostei do momento com a "plebe" na sala de cinema. Quando é que temos oportunidade de ver o Arnie Hammer com uma pistola de cachorros quentes? Mas também: Como é que não sabia da existência de pistolas de cachorros quentes?

 

No fundo, acabou por ser uma cerimónia OK, com prémios OK, muito previsivelzinha. Funcionou bem. Venham os próximos! (E venham mais tópicos, que já estou um bocado farto deste.)

 

UPDATE: Ainda sobre a cerimónia, isto era algo que podia ter acontecido (tivesse orçamento para tal):

 

05
Mar18

Ver os Óscares foi um martírio.

Manuel Reis

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Nunca tive uma experiência de visionamento dos Óscares tão má como a deste ano. Sim, supera sair às 5 da manhã de uma sala de cinema no Amoreiras com gente bêbada a arrastar-se pelas escadas.

 

Antigamente, no tempo da RTP, só havia duas opções: Quem queria ver em directo, via e levava com comentários. Quem não queria, via um resumo na noite seguinte, já legendado. A TVI continuou com isto durante algum tempo e foi aprendendo: Com as pessoas cada vez mais a quererem ver a cerimónia original, sem úteis traduções simultâneas ou - pior - comentários desnecessários, a TVI foi dando mais espaço à cerimónia propriamente dita. Nos últimos anos só eram feitos comentários em alguns intervalos. Algo que, para quem gosta de cinema ou de ver a cerimónia dos Óscares, era absolutamente perfeito.

 

Depois veio a SIC.

 

Mas a SIC anunciou-se com uma "inovação": pela primeira vez, a cerimónia seria transmitida num dos seus canais de cabo, sem comentários desnecessários. A SIC Caras (que começou como exclusivo NOS e entretanto alargou a cobertura a outras operadoras) transmitiu a cerimónia dessa forma até ao ano passado, com a cerimónia a ser transmitida da forma "habitual" no sinal aberto. Tudo bem: mudava de canal e via a cerimónia.

 

Até este ano. Este ano decidiram fazer uma parceria com a NOS. Cartazes em todo o lado a falar no canal Óscares e que a cerimónia ia ser exibida na SIC. Hoje, vou ao site da SIC e vejo que a cerimónia ia também ser transmitida online, mas não na SIC Caras: na TV, só na SIC, e com comentários em Português. "Bem", penso eu, "isto pode dar problemas". Costumo ver os jogos da Liga Europa na SIC e estão sempre com um atraso de 30/40 segundos (por vezes mais) face à emissão televisiva. Ora, para quem quer discutir as coisas em tempo real… é chato.

 

Então pensei: vamos lá arriscar a SIC. Assim que mudei da RTP (onde tinha acabado de ver a final do Festival da Canção) para a SIC, vi logo o que ia dar. Intervalos ao ritmo americano. Os convidados em estúdio não tinham tempo para construir uma ideia. Não se conseguiam ouvir as entrevistas na red carpet por inteiro (e, às vezes, de todo).

 

…a cerimónia dos Óscares não deixa espaço para se comentar o que lá acontece.

 

Fui à procura de outros streams, directos dos EUA, mas nada: tudo o que encontrei estava sobrecarregado. "Bem", pensei eu, "vamos lá tentar ver na SIC". E até começou bem. Calados durante o monólogo do Jimmy Kimmel. Mas, durante o monólogo, ouvi qualquer coisa estranha: risos. Não eram os risos do Dolby Theater. Eram de quem estava em Carnaxide. Eles tinham via aberta. E tanto tinham via aberta que começaram a falar durante a parte final do monólogo do Jimmy, não deixando perceber a piada do jet ski que foi referida ao longo de toda a cerimónia. Saturei: fui ao site da SIC abrir o stream que eles prometiam que não tinha comentários. E não tinha. "Óptimo, vou atrasando a timeline do Twitter… Dá para gerir." Durante a cerimónia ainda me disseram "põe no canal 700", mas era só para clientes NOS e… não sou.

 

Percebi pelos comentários das pessoas que, ao longo da cerimónia, os maus timings eram recorrentes. A conta da SIC Notícias no Twitter até se armou em parva a responder às queixas. A verdade é que a cerimónia dos Óscares não deixa espaço para se comentar o que lá acontece. Para isso é que a ABC e a Academia têm (online) emissões de bastidores paralelas.

 

Além disto, a transmissão era poluída com oráculos e tickers (as barras em baixo) completamente desnecessários e com informações erradas. Algo que o canal oficial dos Óscares não devia deixar que acontecesse. Catano, têm um activo e não sabem tratar bem desse activo? Não há um mínimo de cuidado? Se há, não parece.

 

Voltando à história principal, passei para o stream à espera de que os problemas acabassem. E estava tão enganado. Durante a emissão, o stream (com boa qualidade de imagem, vá lá) era interrompido por publicidade sobreposta. (Nos intervalos, o stream só transmitia auto-promoções da SIC - quando havia publicidade, não era do stream principal, mas de vídeos que lá apareciam. Como um anúncio do YouTube.) Felizmente esses anúncios não interromperam a cerimónia… Até ao discuro de James Ivory pela vitória em Melhor Argumento Adaptado, que só ouvi pela metade.

 

Sempre me foi ensinado: "If it ain't broke, don't fix it." "Se não está partido, não o arranjes." E não só a cerimónia dos Óscares não está "partida" (pelo contrário: Kimmel volta a ser elogiado pelo segundo ano consecutivo), como o grande público tem uma compreensão e utilização cada vez maior da língua inglesa. Em 2018 é desnecessário um acompanhamento permanente da cerimónia, tal como também não é necessário aderir a todos os intervalos para passar publicidade comercial. Nunca pensei dizer isto, mas… SIC, preciso que sejam mais como a TVI, nisto. (APENAS NISTO.)

 

Sim, são muitas queixas. Mas sabem porquê? Porque os Óscares são um bom produto televisivo e têm público verdadeiramente interessado no assunto. E, quando não são um bom produto televisivo (quando foi apresentado pelas duplas Baldwin/Martin ou Franco/Hathaway, por exemplo), continuam a ser uma das principais noites de televisão do planeta. E entristece-me que um canal pague uns valentes milhares de euros para, depois, tratar o produto desta forma. É dar pérolas a porcos.

 

(Podem ler o rescaldo sobre os resultados e a cerimónia propriamente dita aqui.)

04
Mar18

Óscares: Apostas e notas rápidas nos nomeados a Melhor Filme

Manuel Reis

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Pela primeira vez na minha vida, propus-me a ver todos os nomeados para Melhor Filme, mais alguns que, não estando nomeados para Melhor Filme, também me chamaram a atenção. E consegui! No momento de publicação deste post, e dos 59 filmes nomeados, vi 20 (metade em sala), equivalendo a 77 nomeações (63,1% do total). Infelizmente não dá para ver tudo, quer por tempo, quer por limitações de acesso.

 

Antes, no entanto, uma menção honrosa para I, Tonya, que devia estar na lista de nomeados a Melhor Filme. Existem duas nomeações que são particularmente merecedoras de atenção: A de Montagem (não vai ganhar, mas o filme está maravilhosamente bem editado) e, obviamente, a de Actriz Secundária. A primeira metade do filme é de Allison Janney, e a presença dela sente-se durante o resto. Janney já domina a televisão há quase 20 anos (7 Emmys em 13 nomeações, pelo menos 2 em cada uma das séries - The West Wing e Mom - da qual fez parte a tempo inteiro) e acaba por ser estranho que só agora ela esteja a ter a atenção que já merecia há muito tempo do lado cinematográfico.

 

Call Me By Your Name: O primeiro meh desta lista. A história é bonita, está bem interpretado, mas sinto que o filme se arrastou demasiado tempo. Tem um dos melhores monólogos desta lista de nomeados. Considerando a força que tem tido ao longo desta época de prémios, deve sair com um Óscar (aposto em Argumento Adaptado, sempre uma categoria terrível para se prever quando não se conhece o material de origem - nesta categoria, apenas conheço The Disaster Artist).

 

Darkest Hour: Gary freakin’ Oldman. E é só. Bom filme para se ver em conjunto com Dunkirk (cobrem mais ou menos o mesmo período de tempo), mas toma demasiadas liberdades artísticas. Por vezes, senti que estava a ver um qualquer filme de Roland Emmerich ou Michael Bay, mas sem as explosões irreais ou os desastres inventados.

 

Dunkirk: O. SOM. Se Dunkirk não ganha alguns dos técnicos para os quais está nomeado, será uma tremenda injustiça. Um ritmo frenético numa narrativa não-linear (não costumo ser fã, mas funcionou bem aqui), que me fez estar agarrado à cadeira durante boa parte do filme.

 

Get Out: Porra, que isto é forte. Um excelente exercício de terror psicológico, com mensagens assustadoramente actuais. Jordan Peele faz um excelente trabalho na cadeira de realizador, um início de carreira cinematográfica promissor. Daniel Kaluuya, se tudo lhe correr bem, voltará a estar presente na lista de nomeados nos próximos anos. Será uma pena se não sair do Dolby Theater sem, pelo menos, uma estatueta dourada (em princípio Argumento Original, talvez - um grande talvez - Realização)

 

Lady Bird: Outro meh. Já vi esta história contada vezes sem conta, das mais diferentes formas. Em alguns momentos nota-se a inspiração de Greta Gerwig em Wes Anderson, mas leva-me a crer que gosto mais dela como actriz. Existem alguns momentos bons na montagem do filme. Se quiserem ver por vocês próprios, estreia dia 15 em Portugal.

 

Phantom Thread: “É bonito, mas é melhor veres de dia, bem acordado, porque é lento.” E… que… lento. Tal como Darkest Hour, é um filme feito à medida (pun intended) do protagonista; neste caso, Daniel Day-Lewis, na sua última (veremos) performance de uma já longa carreira. Mas, à excepção do Guarda-Roupa (em destaque óbvio, considerando a profissão do personagem de Day-Lewis), não o vejo a “terminar” com mais um prémio da Academia em casa. A Banda Sonora também é absolutamente magnífica.

 

The Post: Esta nomeação é uma palhaçada meramente política. Porquê? Porque, além desta nomeação, The Post só tem mais uma: Melhor Actriz, Meryl Streep. E, de facto, o que temos é uma exibição clássica de Meryl Streep, em que ela se adapta (e faz isso parecer tão fácil) às necessidades do papel. Mas daí a nomeá-lo para Melhor Filme é um esticão. Qualquer um dos outros nomeados tem, pelo menos, 4 nomeações. Este tipo de nomeações não deve acontecer. O filme é bom, mas não é nada de extraordinário e facilmente trocaria a presença dele nesta lista pelo já referido I, Tonya. No entanto, parabéns a Spielberg e à sua equipa pelo tempo recorde em que o completaram.

 

The Shape of Water: Entrei na sala com expectativas altas e com a ideia de ver o habitual mundo super imaginativo de Guillermo Del Toro e saí com o coração cheio e feliz por ver uma história de amor tão bem contada no grande ecrã. É quase uma tragédia Michael Shannon não estar nomeado para Melhor Actor Secundário, mas não é pior do que algo que acontece bem cedo no filme e do qual não vou falar aqui (spoilers, sorry). 

 

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri: Podemos olhar para este filme como tendo sido feito para a Frances McDormand ganhar o Óscar, mas o filme é muito mais do que isso. Com Woody Harrelson e, sobretudo, Sam Rockwell, irrepreensíveis. De todos, parece-me ser o mais consistente e com maior capacidade de agradar a todos os níveis. Embora não seja o meu preferido dos três nomeados, é a minha aposta segura para Melhor Filme, com a noção de que há um ligeiro risco de virar para outro lado. 

 

Filme: Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (pode virar para The Shape of Water)

Realização: Guillermo Del Toro, The Shape of Water (pode virar para Get Out)

Fotografia: Blade Runner 2049

Montagem: Dunkirk

Argumento Original: Jordan Peele, Get Out (pode virar para Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)

Argumento Adaptado: Call Me By Your Name

Actriz: Frances McDormand, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

Actor: Gary Oldman, Darkest Hour

Actriz Secundária: Allison Janney, I, Tonya

Actor Secundário: Sam Rockwell, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

Banda Sonora Original: The Shape of Water (pode virar para Dunkirk)

Canção Original: “Remember Me”, Coco (pode virar para "This Is Me", The Greatest Showman)

Mistura de Som: Dunkirk

Montagem de Som: Dunkirk

Efeitos Visuais: War For The Planet of The Apes

Direcção de Arte: The Shape of Water

Guarda-Roupa: Phantom Thread

Maquilhagem/Cabelos: Darkest Hour

Curta Animação: Dear Basketball (Apenas não vi Negative Space, e adorei Garden Party. Mas, lá está, Oscar politics.)

 

Nas cinco seguintes não consegui ver nenhum dos nomeados em tempo útil. Apostas baseadas apenas em trailers, conversas e odds de sites da especialidade.

 

Animação: Coco

Documentário: Visages, Visages

Filme Estrangeiro: A Fantastic Woman (long shot: pode virar para The Square)

Curta: DeKalb Elementary

Curta Documentário: Edith+Eddie

 

A cerimónia acontece hoje à 1:00 e é transmitida na SIC (com comentários em português) e, sem comentários, no site da SIC. (Vamos ver é como é que será a latência…) Se quiserem fazer as vossas contas e ver quantos filmes e nomeações viram e quantos vencedores é que acertam, façam download desta folha de cálculo que criei. Vou estar pelo Twitter a comentar em directo, em @ManuelReis. Sigam-me por lá!

28
Fev18

Já que estão aqui, vão ver The Good Place

Manuel Reis

Voltando um pouco atrás, em relação ao texto sobre a Anabela: obrigado aos novos subscritores, a quem se fartou de rir, a quem partilhou entre os amigos e ao Sapo pelo duplo destaque (blogs e homepage). Isto não é um blog de teorias de conspiração nem de conteúdo humorístico, é apenas de cultura pop e de tudo o que a possa rodear. Foram quase sete mil visualizações num só dia, e eu prometo que vou fazer da Anabela aquilo que as "gémeas" Olsen são para o John Oliver. Ainda bem que cá chegaram.

 

No entanto, penso: se só agora me conheceram, eu tenho de vos dizer algo que vos agarre e que acredite (melhor, que saiba) que vai melhorar as vossas vidas. Como é que vou fazer isso? Com mais uma sugestão de conteúdo a que podem assistir.

 

Eis The Good Place.

 

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Comecei-a a ver pelo pedigree: Kristen Bell (Veronica Mars) e Ted Danson (Cheers, CSI) a liderar o elenco, criada por Michael Schur (guionista da versão americana de The Office, co-criador de Parks and Recreation e Brooklyn Nine-Nine). A sinopse ajuda: Uma mulher (interpretada pela Kristen) morre e vai para uma interpretação do paraíso (o Lugar Bom a que se refere o título da série) em que só os melhores vão. E isso é decidido através de um sistema de pontuação, baseado em boas e más acções, e que determinou que Eleanor Shellstrop (a tal mulher) é, sem sombra de dúvidas, uma boa pessoa. Só que não é. Enganaram-se na Eleanor Shellstorp.*

 

*Para quem disser que isto é spoiler: não é. É a premissa base da série. Isso não é um spoiler.

 

Isto podia ter ido por um caminho muito básico, de uma sitcom em que há um equívoco e se tenta esconder o equívoco e viver com isso. Mas não. Esta série é a série, aquela que eu vejo religiosamente quando acordo e sei que há um novo episódio (está no Netflix). Consegue condensar em 22 minutos a explicação de temas normalmente chatos (como filosofia ou ética) para boa parte da população, especialmente durante a segunda temporada. E notem que, apesar do cartão que aparece antes de cada episódio, não é uma série do Netflix, mas sim da NBC. Ou seja, uma comédia de um canal mainstream. No entanto, a forma como cada episódio é escrito e produzido para que os finais estejam quase colados aos inícios dos episódios seguintes faz com que funcione de forma perfeita numa plataforma de streaming.

 

Este mundo está cada vez mais inundado de séries, havendo praticamente uma para cada um. The Good Place, felizmente, é para todos.

 

 

26
Fev18

Black-ish merece a vossa atenção

Manuel Reis

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 Entristece-me ver que, quando a Fox Comedy anunciou a estreia de black-ish (hoje, às 22:00, com episódios de segunda a sexta), alguns dos comentários que surgiram eram, no mínimo, racistas. Não vou reproduzir nenhum do seu conteúdo (se os quiserem ler, vão à página de Facebook do canal, que não se dignou a apagá-los), mas vou dar a minha opinião.

 

Sim, black-ish é uma série negra. Sim, passa a perspectiva que muitos afro-americanos têm dos EUA, ou não fosse produzida por Larry Wilmore (apresentador de The Nightly Show, substituiu o antigo programa do Colbert e durou pouco tempo). E, infelizmente, é uma série necessária. Existem problemas com os quais nós (brancos) não temos de nos preocupar. Ainda há pouco tempo vi O Príncipe de Bel-Air, e muitas das situações que eram mostradas há 25 anos continuam a acontecer.

 

Como é que black-ish pega nisso? De frente. Em alguns episódios, abre-se espaço para debate - e um deles é particularmente dramático, pegando nas lições de Norman Lear para nos oferecer 22 minutos de não-comédia numa sitcom, para que a discussão continue também em casa, com os espectadores. Para efeitos cómicos, a maior parte dos personagens brancos na série são ignorantes ou pessoas sem jeito. No entanto, até que ponto é que (nós, brancos) não seremos ignorantes? Não teremos sorte de não passar a vida sem alguns destes problemas? (Problemas esses que também acontecem cá, mesmo que não sejam tão mediáticos.)

 

Independentemente das questões raciais, black-ish é uma excelente comédia familiar, com Dre (Anthony Anderson) e Rainbow (Tracy Ellis Ross) a gerir uma família de quatro filhos. Muito bem escrita pela equipa de Kenya Barris e com uma pós-produção irrepreensível. Experimentem-na.

 

E a todos os racistas que acham que isto é apenas uma série “de pretos, por pretos, para pretos”, não se esqueçam que, se forem para lá, serão imigrantes. E o ambiente para os imigrantes nos EUA também não está muito favorável.

19
Fev18

Anabela, a vampira

Manuel Reis

 

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Estava a ver o Festival RTP da Canção e a aperceber-me de algo grave. E não, não são as polémicas de um possível plágio ou das votações mal contadas.

 

O grave não é a Anabela ter participado (o grave é José Cid - sim - ter participado), mas sim o facto de, em 25 anos, ela não ter envelhecido. O que me leva a concluir isto:

 

Tal como Keanu Reeves e Nicholas Cage, Anabela é vampira.

 

Existem várias provas disto:

  • Como disse, ela não envelhece. Um vampiro não envelhece.
  • Há uns anos, fui ver o My Fair Lady ao Coliseu do Porto, numa sessão da tarde. A Eliza Doolittle, papel que lhe foi dado por La Féria, não era ela nesta sessão. Um vampiro não pode apanhar luz do dia.
  • Há 25 anos, quando Anabela tinha (diz ela) 16 anos, concorreu ao (e ganhou o) Festival da Canção com "A Cidade Até Ser Dia", letra que conta com o seguinte refrão: "Quando cai a noite na cidade / há sempre um sonho e há magia / à noite na cidade / há sempre um sonho, até ser dia". Toda a música evidencia uma clara atracção pela vida nocturna. Como referi na situação do My Fair Lady: Os vampiros não podem apanhar a luz do dia, sendo mais activos à noite.
    • Ainda sobre este ponto, as referências ao gin eram para disfarçar. Caramba, o que sabe uma miúda de 16 anos sobre gin? A não ser que ela não tivesse 16 anos. Porque é vampira.

 

São demasiadas coincidências para recusar o óbvio: Anabela, a cantora, é vampira. Será que queremos uma vampira a representar Portugal na Eurovisão?

16
Fev18

Que não dê cocó: Ready Player One e Solo

Manuel Reis

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Se há dois filmes pelos quais estou ansiosamente à espera mas que têm um ENORME potencial para correr mal, são Ready Player One e Solo: A Star Wars Story.

 

Começando pelo fim, Solo teve mudanças de bastidores a meio das filmagens, quando trocaram a dupla entusiasmante de Phil Lord e Chris Miller pelo tarefeiro (sejamos honestos) Ron Howard. É para ficar agarrado ao guião, não há cá improvisos. Se gostava de ver um filme no universo Star Wars feito um pouco mais como uma comédia? Sim. (Adorei as piadas à volta do Luke em The Last Jedi - gajo velho que já está farto desta merda.) No entanto, a Disney é a Disney, e a Disney gosta que tudo esteja planeado e que o público saiba para o que vai. A Disney não é a Warner, que deixa que Lord/Miller façam um dos melhores filmes de animação dos últimos anos (The LEGO Movie) e que não passa por um anúncio de 101 minutos (que também é, mas nunca sentimos isso).

 

Ainda é indefinido quem será creditado como "o" realizador oficial do filme - Howard ou a dupla Lord/Miller. Provavelmente Howard. Seja qual deles for, está aqui o trailer.

 

 

Com Ready Player One, a ansiedade é maior. Adorei o livro. A quantidade gigantesca de referências à cultura pop dos anos 80 prendia-me. E a história também é bastante sólida. É perfeitamente razoável que seja adaptado ao cinema, até porque - e esta foi a sensação que tive quando o li - a história está contada com "ritmo" de filme. Steven Spielberg? Óptimo! (Notem que Spielberg já estava na produção deste filme quando aceitou fazer The Post, já estreado, e que é um filme bom. Só isso. Bom.)

 

Mas depois… Ele diz que tirou todas as referências aos seus filmes. No mais recente trailer, vejo uma certa insistência no Iron Giant (propriedade da Warner). O aspecto visual das cenas dentro do OASIS (a sério, leiam o livro!), especialmente dos personagens, está meh. Há DeLorean! Mas este último trailer cortou o entusiasmo que o primeiro tinha criado.

 

 

Eu quero muito ver estes dois filmes, e vou vê-los, mas já estou a gerir as expectativas. Ready Player One estreia a 29 de Março, Solo: A Star Wars Story a 24 de Maio.

14
Fev18

A Netflix contratou Ryan Murphy, criador de American Horror Story

Manuel Reis

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Novo capítulo na guerra Disney/Netflix: A gigante do streaming anunciou de madrugada que contratou Ryan Murphy, possivelmente um dos maiores influenciadores da televisão e da cultura pop da última década (através de séries como American Horror Story, Glee, Nip/Tuck, American Crime Story…) para um contrato de 5 anos, $300M. M Maiúsculo. De Milhões.

 

Isto é gigante. Em seis meses (coincidência-ou-talvez-não: precisamente seis meses), a Disney perde dois dos maiores nomes da TV dos últimos 20 anos para a Netflix. Primeiro Shonda Rhimes (que criou Grey's Anatomy, de que nunca ninguém ouviu falar), por 4 anos, $100M; agora Ryan Murphy - este através da Fox (produtora), com quem está a terminar contrato e que cujo processo de compra por parte da Disney está a decorrer (ainda vai demorar até estar concluído). Isto tudo depois da Disney ter anunciado que vai criar uma plataforma de streaming própria.

 

Vai ser divertido/estranho/assustador ver os próximos desenvolvimentos desta guerra aberta, até porque ainda não é claro que tipo de tratamento é que a Disney vai dar às propriedades da Fox, nem à marca, nem à edginess (o atrevimento) dos conteúdos da produtora. Por exemplo, quando perguntaram ao CEO da Disney, Bob Iger, se iríamos ter mais filmes R-rated de Deadpool, a resposta dele foi positiva, mas com aquilo que eu vejo como sendo um toque de conservadorismo: «As long as we let the audiences know what’s coming, we think we can manage that fine.» E tudo o que for R-rated não vai estar no serviço de streaming - vai para o Hulu (que é como dizer: se não mudar nada, não vai estar disponível em Portugal).

 

Será que vamos assistir a uma sociedade distópica em que a Disney controla o Mundo e a Netflix faz parte da resistência?

 

(Não se preocupem, fãs de Ryan Murphy: as séries que existem vão continuar em exibição até terminar a sua vida natural. Já viram a nova temporada de American Crime Story? O Assassinato de Gianni Versace? O primeiro episódio é bem fixe. Ainda não houve tempo para mais.)

05
Jan18

The Disaster Artist é giro, mas vejam The Room antes

Manuel Reis

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Estreia este fim-de-semana The Disaster Artist (PT: Um Desastre de Artista), adaptado do livro homónimo escrito por Greg Sestero e Tom Bissell, naquilo que é, diga-se, um dos melhores filmes que vi em 2017 (apanhei-o no Lisbon & Sintra Film Festival). No entanto, acho que a magia deste filme se pode perder um pouco para quem nunca viu The Room, o melhor pior filme de sempre.

 

Em 2003, Tommy Wiseau estreava The Room, um drama romântico com um clássico herói americano (Johnny, interpretado por Wiseau) que era o melhor amigo de toda a gente, tinha um emprego estável, ajudava jovens desfavorecidos e amava loucamente a sua namorada. Era um exemplo de carácter. Ou, pelo menos, era essa a ideia.

 

O filme é terrível. A sério. É das piores coisas que vão ver na vida, entre má interpretação, câmaras desfocadas, um chroma abismal, molduras com fotos de stock de colheres… E, no entanto, já o vi cinco vezes no cinema. Um visionamento de The Room com amigos (nem sequer precisam de o ver no cinema, basta juntarem malta e colheres de plástico em casa) é das melhores experiências sociais que podem ter. Um drama romântico torna-se numa comédia involuntária. Um filme independente (que custou seis milhões de dólares, tremendamente mal gastos) torna-se num sucesso de sessões da meia-noite. Por cá, já foram feitas oito (seis no Nimas + duas na mais recente antestreia nos UCI), ainda que em horários mais decentes. Há listas daquilo que devem gritar em cada cena. Ver The Room é algo tremendamente épico. No entanto, é um fenómeno de nicho. E se o é nos EUA… Ainda pior, aqui.

 

E é esse o meu receio com o Disaster Artist. Tudo bem: James Franco realizou de forma brilhante (e faz de Wiseau, num dos melhores papéis da sua carreira), o irmão Dave co-protagoniza (faz de Sestero), temos a pandilha habitual (Rogen, Scheer, Ari Graynor, Casey Wilson e muita outra malta que costuma colaborar nestes filmes)… Mas, em Portugal, está a ser tratado como filme de nicho. Nota-se pela distribuição do filme. Com o hype que havia e com o destaque que tem estado a ter, esperava mais salas (e mais importantes, como o Colombo). E podia ser bem pior, mas até acabou por ter uma distribuição nacional.

 

Por isso, e se puderem, vejam The Room antes. Embora Disaster Artist faça um bom trabalho a explicar e a mostrar algumas situações, se virem o "original" antes poderão ter uma perspectiva completamente diferente.

 

Nota: Este é The Room, com "the". É de 2003. Não é o Room, com a Brie Larson. São filmes diferentes. É só porque há quem confunda.

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