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Já a Seguir

Já a Seguir

É preciso falar de saúde mental.

Manuel Reis, 23.06.20

Escrevi uma versão disto ontem à noite, no Twitter, enquanto via o penúltimo episódio da 5.ª temporada de Mad Men (ando a ver a série e, sem grandes spoilers, foi algo irónico ter calhado nesta altura). Fica aqui, com algumas edições para o tornar mais coeso.

Se calhar, em vez de criminologistas, astrólogos, homeopatas, "nutricionistas" que tiraram o curso no Instagram, ou nos códigos das marcas ou vendedores de banha da cobra (literalmente)… se calhar os programas de daytime podiam começar a apostar a sério em falar de saúde mental.

Mas, siga; é o ciclo do costume de "suicida-se um famoso, ai que pena, coitadinho, coitadinha da família, ninguém sabia de nada, ninguém percebia nada", discute-se um bocado de que lado está a razão, noticia-se o método de forma muito específica e sem querer saber das repercussões que pode ter e segue-se em frente. A verdadeira contribuição para a ajuda fica para outro dia. Se é que aparece, de todo.

Não consigo condenar uma pessoa que se mate. Eu não sei o que vai na vossa cabeça. (Às vezes nem sei o que vai na minha.) Mais depressa lhe chamo um acto de coragem - que também não é uma descrição positiva, parece-me um bocado romântica.

Mas a verdade é que é preciso alguma dose de coragem. E não ir em diante não é nenhum sinal de cobardia. É querer tentar outra vez. Tal como falhar e viver para contar a história não é nenhum sinal de incompetência; é… sorte. (Ver isto pelo lado positivo.)

Eu acredito que um suicídio por doença mental é, ou devia ser, uma morte evitável. É isso que custa mais nesta situação: ver um tipo, que até me parecer ter uma vida minimamente boa, que é bem referenciado por todos os que o rodeiam (nunca o conheci nem falei com ele, mas tinha boa impressão), a apagar-se, assim.

Mas essa decisão só é tomada aliada a um grande nível de desespero, e de cansaço desse desespero. Físico ou - no caso deste monólogo - mental. E esse cansaço aumenta, e aumenta, e aumenta. Porque falar sobre isso "é um sinal de fraqueza".

Não é.

O tabu tem de acabar. E é aí que a televisão tem de entrar. Televisão a sério. Isto aqui na net é muito giro, mas a televisão continua a ter um poder MUITO mais abrangente. O que passa lá vem para aqui. Claro, o que escrevo aqui de nada vale se não passarem por lá especialistas devidamente credenciados - psicólogos, psiquiatras, etc. - que desfaçam o bicho de sete cabeças.

Em resumo, algumas coisas que vou repetindo a mim mesmo para manter a sanidade mental:

  • nunca estás sozinho;
  • não há vergonha nenhuma em falar disto;
  • haverá sempre um caminho;
  • pede ajuda;
  • o que os outros pensam de ti? Que se f*dam os outros.

Gostava de evitar o vídeo do cão, mas é a melhor metáfora audiovisual que encontrei até hoje.

À conversa com Dale Mayeda (Frozen II, Big Hero 6)

Manuel Reis, 18.05.20

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No tempo em que dava para fazer viagens intercontinentais (ou apenas até ao concelho ao lado), Dale Mayeda passou pela SiNFO para uma apresentação, e o Manuel foi conversar com ele sobre a vida na Disney, trabalhos mais recentes… E Armageddon.

A apresentação referida na conversa, bem como uma outra apresentação de Hannes Poser (Image Engine, que fez efeitos visuais dos dragões em Game of Thrones - coisa pouca) pode ser vista aqui.

Há agora outra forma de saberem de novos episódios do Já a Seguir: uma newsletter no e-mail. Sairá sempre com um novo episódio do podcast (não será mais do que uma vez por semana) e terá um resumo dos posts publicados entretanto… se sair algum. Podem subscrever a newsletter neste link.

Parks and Recreation regressou para nos aquecer o coração

Precisamos de mais Leslies Knope no mundo

Manuel Reis, 01.05.20

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Parks and Recreation deixou saudades, com as sete temporadas em que esteve no ar. Há uma semana, fiquei muito feliz com a notícia de que o elenco da série - o grupo central da terceira temporada para a frente, sem Paul Schneider (lembram-se do Mark?) - se ia reunir para um especial gravado na casa de cada um. E foi… Bom. O estabelecimento dos personagens no primeiro acto (onde estão, porque é que estão naquele local) não pareceu tão forçado quanto podia ter sido, o episódio foi bem integrado no universo da série (tanto com a ferramenta usada para o videochat como tudo o que acontece durante o segundo acto), e a história (mesmo sendo simples) foi muito bem definida, não parecendo tanto uma colagem entre diferentes pessoas - a montagem ajudou. Foi um grande trabalho, com boas audiências - se os envolvidos não estivessem todos ocupados com vários projectos distintos, talvez se pudesse equacionar uma nova temporada de uma forma mais séria. Mesmo assim, são 24 minutos de televisão em que vale a pena pegar - sobretudo se são fãs da série. Se nunca a viram, as sete temporadas estão no Prime Video da Amazon.

O objectivo do especial era recolher fundos para a Feeding America, uma organização norte-americana com um propósito em tudo semelhante ao Banco Alimentar Contra a Fome. Apoiem a Rede de Emergência Alimentar portuguesa - saibam mais aqui.

À distância - 2020-03-17

Manuel Reis, 18.03.20

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5.º dia em (vamos passar a chamar-lhe, e já vão perceber porquê) distanciamento social.

  • No Domingo saí um pouco. Estava enfiado em casa desde Quinta-feira e fui passear pelo bairro. A manutenção de sanidade mental assim o obrigou. Eu sei, é estranho ler que alguém saiu de casa. No entanto, obviamente, quando me cruzo com pessoas, faço os desvios necessários para as manter sempre a pelo menos um metro de distância (e, para qualquer interacção que exista, duplico essa medida). Toco o mínimo possível em superfícies (andem sempre com um frasquinho de álcool gel). Nunca me sentei, sempre a andar. Deu para conhecer alguns novos caminhos que nunca tinha percorrido, e ver onde é que alguns pontos se ligam. É como ir passear o cão - com a diferença de que eu não tenho um.
  • A foto que está aqui acima foi o primeiro sinal que vi de um espaço encerrado. Prático e directo. Não era o único: vários outros locais estavam fechados, bastantes com avisos à porta, mais ou menos improvisados. As esplanadas que existiam estavam um pouco mais espaçadas, e até a sair do seu local habitual (e, possivelmente, fora dos seus limites legais). Comprei pão numa padaria aqui perto, que fechou ontem (16). Aproveitar enquanto ainda há. Agora, só do supermercado ou pão de forma.
  • Dobrar roupa, arrumar roupa. Tanto tempo dentro de casa ajuda a que uma pessoa repense o espaço em que está e a gestão do mesmo. Tentar torná-lo o melhor com o que há.
  • Gravei a estreia d' As Vozes da Dolores. Acho que vou testar uns métodos diferentes ao longo da temporada, para ver o que acaba por me dar menos trabalho, mantendo - ou melhorando - a qualidade do áudio. Foi um episódio fixe, acho que o deviam ir ouvir (e subscrever o podcast, também).

O que surgiu para passar o tempo:

  • Todos os late-night shows americanos estão suspensos, mas Stephen Colbert - que ia fazer uma pausa a partir da próxima semana - lá arranjou forma de continuar o programa. Há-de passar na SIC Radical daqui a uns dias, mas podem ver os dois segmentos no YouTube.
  • Umas certas válvulas têm sido usadas para tratamentos de pacientes com COVID-19 em Itália. No entanto, um hospital precisava de mais, e a empresa que as fabrica não conseguia produzir mais válvulas em tempo útil. Vai daí, uma outra empresa voluntariou-se para imprimir as válvulas em 3D. Problema? As válvulas custam 11 mil dólares, mas podem ser impressas em 3D por apenas um dólar. A fabricante de válvulas está a processar, e este é sempre um bom momento para relembrar que não pode valer tudo, especialmente agora.
  • O Festival Eu Fico em Casa teve boas reacções do público (e vai continuar nos próximos dias com mini-concertos de artistas portugueses), mas tenho de destacar o concerto dos Dropkick Murphys, em Boston, no St. Patrick's. Duas horas de rock. Muito bom. ☘️
  • O blog À Pala de Walsh publicou no seu Facebook uma lista de filmes portugueses disponibilizados de forma gratuita, durante este período de confinamento.
  • Seth Rogen viu Cats, pedrado.

Lista de coisas a fazer amanhã (18):

  • Um episódio da Epopeia, a minha rubrica sobre cultura pop em português na RDP Internacional. Estava para suspensa (devido ao actual momento e às contingências de programação), mas pedi para continuar e lá arranjaram espaço. Vamos ver o que se desenrasca. Vai para a RTP Play e passa na emissão da RDPi na Quinta-feira, às 21:50 - normalmente é o horário de repetição mas, não havendo manhãs, é o que dá para fazer.
  • Lavar um prato do jantar de hoje.
  • Apanhar ar fresco, enquanto não andam por aí chaimites.

Lista de coisas a fazer durante este período (irei actualizar):

  • Acabar de ler a saga Harry Potter - a Ordem de Fénix é um livro demasiado enfadonho e com muita palha.
    • Dependendo do acima, acabar de ver os filmes da saga Harry Potter.
  • Acabar The West Wing - vou a meio da 5.ª temporada, e a saída de Sorkin faz-se notar.

À distância - 2020-03-14

Manuel Reis, 15.03.20

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Foi o meu 2.º dia a forçar distanciamento social.

  • Fiquei por casa, pus séries em dia - mas sem conseguir estar completamente concentrado nos episódios. É difícil, ainda, mas havemos de nos habituar. A indústria televisiva está a ter constrangimentos semelhantes aos que teve há 12 anos, durante a greve dos guionistas nos EUA - mas, obviamente, bem mais graves e que impedem a produção de qualquer conteúdo, tenha ou não argumento.
  • Liguei a pessoas, falei com elas. É bom perceber como outros estão a viver estes dias. Ajuda a relativizar a situação.
  • Toquei um bocado de guitarra, mas não esperem nenhum concerto.
  • O Sporting e o Vitória SC, que deviam ter jogado em Guimarães este fim-de-semana, jogaram uma partida de Quatro-Em-Linha no Twitter. Durante duas horas os dois Clubes degladiaram-se, tendo os Leões vencido por 1-0 no decorrer da segunda parte. Acho que devíamos puxar para nós o título de campeões de Quatro em Linha.
  • Às 22:00, houve palmas. Só espero que esse apoio popular se reveja nos próximos anos, com um aumento orçamental do SNS e com a população a votar em listas que, de facto, proponham (e executam) o fortalecimento do SNS.
  • O Lux Frágil fez uma noite de DJing do car*lho. Estive por lá de calças de fato de treino e tshirt e não me barraram a entrada. Não vi o João Botelho; mas, à medida que os comentários passavam, era difícil ver se ele andava por lá.
  • Tivemos mais uma pessoa curada. 3 duplos negativos (o critério para se declarar cura), 0 mortes. Façamos por manter isto assim.

O que surgiu para passar o tempo:

  • A Disney adiantou a estreia de Frozen II no Disney+, para este Domingo, e o lançamento do último Star Wars em Blu-Ray nos EUA. No entanto, em Portugal não há Disney+. "Chatice."
  • A Korg e a Moog tornaram as suas aplicações gratuitas, para fazerem umas brincadeiras com sintetizadores.
  • O Fábio Conde Martins fez uma lista de séries fixes para ver durante este período. The Good Place logo em primeiro lugar, obviamente. (Obrigado pela publicidade, rapaz.)
  • Com gráficos e animações, espreitem este artigo do Washington Post sobre as medidas de distanciamento e isolamento a tomar neste tipo de situações. Bastante interessante.

Lista de coisas a fazer amanhã (15):

  • Dobrar roupa;
  • Sair de casa - andar por aqui pela rua, numa praça ou num jardim perto, mas manter o distanciamento. Vai mesmo ter de ser, para manter a sanidade mental. E é recomendável, embora não em grupos.
  • Westworld à uma da manhã, e As Vozes da Dolores na terça-feira. Ou talvez na segunda, à meia-noite. Quem sabe.

Lista de coisas a fazer durante este período (irei actualizar):

  • Acabar de ler a saga Harry Potter - a Ordem de Fénix é um livro demasiado enfadonho e com muita palha.
    • Dependendo do acima, acabar de ver os filmes da saga Harry Potter.

Sobre o regresso d' As Vozes da Dolores

Manuel Reis, 14.03.20
A capa da T3 é da Joana Geraldes, e está lindíssima.

Em 2018, havendo uma pausa de produção d’ A Cabeça do Ned (um podcast sobre Game of Thrones que produzi, e que se tornou um pequeno monstro), convidei a Marta, presença habitual d’ A Cabeça, para fazermos um podcast sobre Westworld. Algo que acaba por ser útil: a série de ficção científica é considerada por muitos como sendo extremamente confusa, até porque joga com timelines. É um puzzle autêntico, mas que dá boas conversas para explorar os episódios.

Ora, estamos a ver como o Mundo está, e é um puzzle ainda mais complicado. As Vozes da Dolores devia ser gravada na Rádio Zero, que encerrou as suas instalações na Quarta-feira, acompanhando as instruções da Universidade de Lisboa, do Instituto Superior Técnico e da AEIST. Tal não vai acontecer, e não sei por quanto tempo. Quando fechei a Rádio* disse aos autores para, se quisessem, fazerem emissões a partir de casa, também para mantermos a rádio com novas emissões, e ter conteúdo fresco. Até porque eu vou fazer isso mesmo.

*Sidenote: sou Presidente da Administração da Zero. A decisão não partia só de mim, e qualquer decisão de uma das três instituições referidas ultrapassáva-nos. Mesmo assim, enquanto não havia uma decisão sólida, decidimos nós.

Se tenho o conhecimento, as ferramentas… o equipamento, não sendo o ideal, é o mesmo com que gravei o Podcast TVDependente, até 2015. Não é por não ter equipamento de estúdio que não vou gravar, e se tenho equipmento mais do que decente, é claro que vou gravar e publicar episódios. Conversas à distância, como tem de ser.

Até porque sinto essa responsabilidade: as pessoas precisam de distracção. Não vou negar a existência do problema, mas vou enfrentá-lo pelos cornos. Estamos todos fechados em casa? Tem de ser - tem mesmo de ser. Mas não é por isso que não podemos fazer alguma coisa.

Para mim, existem apenas dois factores para não produzir novos episódios: eu ficar incapacitado (fisicamente ou tecnologicamente) ou a HBO adiar a estreia da T3 da série - algo que me parece extremamente improvável, até porque existe uma necessidade enorme de conteúdo que nos distraia. Por exemplo, a Disney acabou de antecipar em três meses a estreia do Frozen 2 na Disney Plus.

As Vozes da Dolores regressam com novos episódios no dia 17, com emissão também na Rádio Zero às 11 da manhã e repetição aos Domingos, à uma da manhã - mesmo antes da estreia de novos episódios de Westworld na HBO Portugal. O primeiro episódio da temporada vai contar com o Samuel Andrade. Também poderá ter carros e cães. E, claro, podem subscrever o podcast na vossa plataforma preferida e ouvir as duas primeiras temporadas à medida que fazem maratona da série - certamente que devem ter algum tempo mais facilitado.

Vamos à loucura?

Óscares: Antecipação e previsões (com Samuel Andrade)

Manuel Reis, 07.02.20

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Óscares este Domingo (em Portugal passam na Fox - com comentários - e na Fox Movies - sem comentários), e o Samuel Andrade voltou ao Já a Seguir para falarmos dos nomeados.

Notas do episódio:

Subscrevam o Já a Seguir no Apple Podcasts, no Spotify ou através do feed RSS.

À conversa sobre “Casa do Cais” (com Ana “Peperan” Correia, Helena Amaral)

Manuel Reis, 30.01.20

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A segunda temporada da Casa do Cais estreou com grande fanfarra na RTP Play, e trouxe a Ana Correia (ou “Peperan”) e a Helena Amaral a estúdio para falarmos da série, do Preço Certo e de jingles.

Ouçam a Epopeia (novos episódios todas as Quintas-feiras, em directo, às 10:40, na RDP Internacional)
Vejam a Casa do Cais

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Onde (e como) ver os nomeados para os Óscares

Não são assim tão poucos, e estão quase todos disponíveis legalmente

Manuel Reis, 20.01.20

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Mais um ano passou, mais um ciclo de nomeações aos prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Mas, estando fora do Estados Unidos ou não sendo membro da Academia, torna-se difícil conseguir ver todos os nomeados em tempo útil. Isto, claro, sem contar com o tempo que passamos à procura de de cada um destes filmes.

Foi por isso que procurei e estes foram os resultados que encontrei: eis algumas dicas para ver os nomeados, dentro das possibilidades legítimas. Muito sinceramente, quando parti para isto, não esperava que os resultados fossem tão encorajadores.

O Fácil

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The Irishman tem 10 nomeações e um rejuvenescimento digital de fazer inveja a qualquer creme Q10. [Foto: Niko Tavernise/Netflix]

Apesar de não ter prática da estreia generalizada de filmes em sala, a verdade é que a Netflix traz à mesa um ponto extremamente positivo: distribuição global. Qualquer produção deles é disponibilizada em todos os territórios em simultâneo, oferecendo uma cobertura difícil de acontecer na distribuição internacional, sobretudo num modelo de distribuição em que as estreias e a disponibilização em home video/on demand ainda têm um desfasamento grande. No entanto, volto a insistir: é um pecado capital não estrear filmes, sobretudo os grandes filmes, no cinema. Não me surpreendia se a Netflix fosse arredada de grandes vitórias como resposta da indústria a esta postura.

Mesmo assim, a gigante do streaming tem 24 nomeações, incluindo duas para Melhor Filme: é lá que podem ver The Irishman e Marriage Story, mas também The Two Popes, nomeado para Actor, Actor Secundário e Argumento Adaptado; J'ai perdu mon corps e Klaus, nomeados para Melhor Filme de Animação; American Factory e Democracia em Vertigem, nomeados para Melhor Documentário; e Life Overtakes Me, nomeada para Melhor Documentário em Curta-Metragem. Os links mandam-vos directamente para os filmes, mas têm de ter uma subscrição para os poderem ver.

Gisaengchung (ou Parasitas - o filme do ano, para mim), teve a sua distribuição reforçada em todo o país. O filme está em exibição contínua em Portugal desde Setembro, algo já de si estranhíssimo para um filme de Hollywood, ainda para mais para um filme não-americano. Será lançado em DVD em Portugal na semana seguinte à da cerimónia.

Dois dos filmes mais nomeados, Joker e Once Upon a Time… in Hollywood, ainda estão a rodar em algumas salas do país, mas também já estão à venda em DVD e disponíveis em alguns serviços de aluguer por VOD.

De resto, dos nomeados para Melhor Filme, ainda há três filmes por estrear nas salas portuguesas: 1917, de Sam Mendes, estreia cá no dia 23; no entanto, devido aos recentes problemas da Universal (distribuidora) com a NOS (exibidora), poderá não ter uma distribuição tão alargada pelo país como seria expectável (à semelhança do que já aconteceu com Hobbs & Shaw, Good Boys ou Cats - se bem que, neste caso, até foi melhor assim). [UPDATE: Aparentemente, 1917 foi lançado em todos os cinemas da NOS. Vá, vão ver!] Bombshell (com três nomeações) também se estreia no dia 23*, e Jojo Rabbit e Little Women estreiam no dia 30, tal como o documentário For Sama. Ainda antes da cerimónia vai ser possível ver Boże Ciało, a aposta polaca para Filme Internacional, que estreia no dia 6 de Fevereiro.

* Também no dia 23? O Filme do Bruno Aleixo. Não está nomeado. Mas vale a pena referir.

Curtas Ficção Live-Action:
Brotherhood
Nefta Football Club
The Neighbors' Window
Saria
A Sister
Curtas Animação
Dcera (Daughter)
Hair Love
Kitbull
Memorable
Sister [Pago]
Curtas Documentário
In the Absence
Learning to Skateboard in a Warzone (If You're a Girl)
Life Overtakes Me [Netflix]
St. Louis Superman
Walk Run Cha-Cha

Também estão disponíveis 12 das 15 curtas nomeadas para Animação, Ficção e Documentário. Os links estão aqui ao lado.

Boa parte dos blockbusters lançados ao longo do ano e que conseguiram nomeações estão disponíveis para aluguer nas plataformas de VOD das operadoras, no YouTube/Apple TV/Google Play, ou em DVD. Entre estes estão Rocketman, Avengers: Endgame, Toy Story 4 ou Ad Astra.

O Difícil

Há filmes cuja nomeação cai num limbo entre a exibição em sala e o lançamento em home video/VOD. É o caso de Ford v Ferrari, que também continua em exibição, mas apenas em três salas. [UPDATE: Duas salas.] Tal como Parasitas, o DVD será lançado pouco depois dos Óscares.

Dolor y Gloria, de Pedro Almodóvar (nomeado para Melhor Filme Internacional e com Antonio Banderas indicado para Melhor Actor), está em exibição apenas em Lisboa, e apenas à tarde, pelo menos até 22 de Janeiro.

O Impossível

De 53 filmes nomeados, há 10 9 que não estão disponíveis no mercado português (seja em sala ou on demand); seja porque já fizeram o seu percurso e estão naquele purgatório entre exibição em sala e DVD/VOD; seja porque, simplesmente, não vão estrear cá. Tira-se destas contas Les Misérables, nomeado para Filme Internacional, que estreia dia 20 de Fevereiro.

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Tom Hanks está nomeado pela primeira vez em 19 anos, mas o filme não tem estreia marcada para Portugal. [Foto: Lacy Terrell/Sony]

O maior crime desta award season é a não-estreia de A Beautiful Day In The Neighborhood, com Tom Hanks (nomeado para Melhor Actor Secundário), um nome que põe rabos nas cadeiras, mesmo que a referência cultural possa ser desconhecida do público português. Com duas nomeações (entre as quais Melhor Actriz), Harriet (dedicado à vida de Harriet Tubman, abolicionista e activista afro-americana durante o século XIX) também não tem data prevista para estreia nacional, bem como dois dos nomeados para Melhor Documentário, The Cave e Honeyland (também indicado para Filme Internacional).

Entre os que já foram exibidos em Portugal, Judy já estreou e já fez o seu percurso e The Lighthouse, com Willem Dafoe e Robert Pattinson, foi apenas exibido no Lisbon & Sintra Film Festival. [UPDATE: The Lighthouse irá estrear no dia 27 de Fevereiro, em exclusivo no Cinema Nimas, em Lisboa. h/t @Abel_Oliveira10, @fcondemartins]

A cerimónia acontece no dia 9 de Fevereiro, com transmissão na Fox Movies (sem comentários em português) e na Fox (com comentários em português). Se detectarem alguma falha ou alguma estreia marcada entretanto, avisem!

P.S.: Querem um boletim para fazerem as vossas apostas e marcarem o que viram numa checklist? Também se arranja.

Succession T1 e T2: O 1% com qualidade

Os Roy são gentinha, mas dão mote a umas horas de excelente televisão.

Manuel Reis, 30.12.19
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Um retrato de família bom para um postal de Natal.
E-D: Jeremy Strong, Kieran Culkin, Brian Cox, Sarah Snook, Alan Ruck

[SEM SPOILERS] Esta é daquelas que, no seu primeiro ano, esteve ali meio escondida, sem se mostrar muito, a estrear depois dos últimos episódios da T2 de Westworld, mas que, pela premissa (uma história inspirada nas famílias Murdoch e Redstone, proprietárias de grandes consórcios de media, com algumas pinceladas da família Trump), já me tinha deixado curioso. A segunda temporada, exibida a partir de meio do Verão (a acompanhar a votação dos primeiros Emmys para que foi nomeada) conseguiu subir bastante o hype.

Obviamente, tive de lhe pegar e confirmar com os meus próprios olhos. E foi tudo aquilo que me prometeram (e mais).

Criada por Jesse Armstrong (com créditos firmados em Peep Show e The Thick Of It) e produzida por Adam McKay (em linha com aquilo que tem feito nos últimos anos, especificamente The Big Short e Vice), Succession tem um elenco de luxo, de onde tenho de destacar Jeremy Strong (a minha interpretação preferida da série) e Brian Cox, num papel que pode marcar a sua vasta carreira. E a música do genérico, de Nicholas Britell, é absolutamente viciante (vai-se tornar no meu toque de telemóvel).

Succession lá vai passando pelos pingos da chuva, ultrapassando algumas dificuldades que podem surgir com o tempo: na segunda temporada a série cresceu, deu algum carácter aos personagens para lá da tendência actual de “é tudo gente de merda”, ou das referências à Fox News e ao actual estado de paranóia dos mass media norte-americanos (e não só). Mas sente-se a rédea curta de Armstrong e da sua equipa para evitar que a série se desvie facilmente para a paródia completa* ou para a novela familiar. Há um equilíbrio muito bem trabalhado melodrama e o conflito interno associado a Kendall (Strong), a imaturidade de Roman (Kieran Culkin) a paródia associada (de formas totalmente diferentes) a Connor (Alan Ruck), Tom (Matthew Macfayden) e Greg (Nicholas Braun), e Shiv (Sarah Snook), que vai fazendo mais jogo de bastidores do que a restante família.

* Por vezes sinto que Succession podia ter um spin-off para uma sitcom - são as influências de The Thick Of It, Veep e do restante passado de Armstrong a falar mais alto. Não é que seja mau.

A série já conta com duas temporadas, com a terceira a caminho (mas ainda sem data de estreia confirmada). Tudo disponível na HBO Portugal*.

* Se começarem a série, tenham algum cuidado na navegação: a plataforma pode-vos mandar directamente para a T2; garantam que têm a primeira temporada seleccionada.

P.S.: Enquanto editava este post, encontrei um episódio de um podcast que esmiuça o guião de Succession, a forma como a série trabalha cada uma das temporadas, e como isso se aplica (de uma forma geral) à escrita de argumentos. Contém spoilers - foi publicado após os primeiros 4 episódios da segunda temporada.