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Já a Seguir

12
Abr19

Dois meses depois, como está a HBO?

Manuel Reis

Aviso prévio: isto vai ser longo. Tem alguma contextualização necessária. E poderá ser técnico. Adiante.

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Game of Thrones regressa daqui a uns dias (já subscreveram A Cabeça do Ned?), com duas novidades: a primeira é que, finalmente, será transmitido às duas da manhã, em simultâneo com a emissão dos EUA, já legendado em português. A segunda é que isso não acontecerá apenas no Syfy, casa portuguesa da série desde o seu início, mas também na HBO Portugal, que disponibilizará os episódios para stream logo às 2 da manhã. Mas… Irá funcionar?

 

O (francamente) bom

 

Tenho estado a observar (e a usar) o serviço da HBO desde o seu lançamento, há dois meses, e tenho alguns pontos positivos. o catálgo é formidável, com clássicos do canal, coisas que nunca passaram em Portugal, especiais de comédia… Um pouco de tudo (embora ainda não tenha The Larry Sanders Show). E, para além de conteúdos da própria HBO, também recebe conteúdos de fora, como Killing Eve e as outras séries da CW em que o Netflix não pegou (Legacies, All American). O preço (4,99€/mês para cinco aparelhos e duas utilizações em simultâneo, sempre em HD) é extremamente competitivo no mercado (no Netflix, para duas utilizações em simultâneo e/ou para ter HD, é preciso desembolsar mais do dobro deste valor). Outro factor positivo: o serviço pode ser subscrito por qualquer um, não sendo obrigatório ser cliente Vodafone para usufruir do mesmo - embora a Vodafone tenha exclusividade nas boxes de cabo durante mais de dois anos, à semelhança do que aconteceu na entrada do Netflix em Portugal.

 

O desconfortável

 

No entanto, as grandes queixas que tenho lido por aí (sobretudo Twitter, alguns comentários no Facebook) têm sido em relação à interface de utilizador. E, aí, o Netflix dá uma experiência bastante superior. Daquilo que consegui explorar, a aplicação da HBO não permite escolher que qualidade do vídeo prefiro em dados móveis, e carrega sempre na qualidade máxima. Já o site, à mais pequena falha de rede que exista, mostra logo uma mensagem de erro (mesmo que o vídeo continue a reproduzir em background, ou em picture-in-picture) e não guarda posição em que está, ou seja, quando volto a reproduzir o vídeo tenho de arrastar o marcador da posição até ao sítio onde estava.

 

O mau

 

A distribuição de conteúdos é que me assusta. Eu tenho o péssimo hábito de ficar acordado até tarde, a ver televisão americana (por vezes, em directo). E tenho experimentado aceder aos conteúdos quando eles são publicados. Last Week Tonight (LWT), por exemplo: Adoro o John Oliver e, noutros anos, criei o hábito de o ver à segunda-feira, ao almoço. Mas tenho ido ver se o episódio é posto cá fora à hora a que é transmitido nos EUA - 23:00, cá são 4 da manhã. A essa hora, o episódio é dado como disponível (aparece uma “etiqueta” azul e um botão de play), mas quando carrego… Erro, conteúdo indisponível. E aqui é que começa a aventura: por vezes está disponível de manhã, por vezes só à noite, por vezes alguém tem de chatear por telefone ou nos social media. No caso de LWT, até dou um “desconto”: o episódio é gravado no próprio dia (por volta das nossas 22:00). No entanto, na era digital, com vários terabytes de informação a atravessar o planeta a cada segundo, é um pouco difícil usar isto como desculpa. E, ainda no Domingo passado, fui verificar se o episódio 2 de Veep estava disponível às 3:30… Para regressar à homepage quando carregava no play. Aliás, isso acontece agora, quando o site me diz para "Continuar a ver" a série, mostrando o episódio 3, que só vai estar disponível no próximo Domingo (não mostra, por exemplo, o novo episódio de Game of Thrones).

 

E se acham que o que escrevi é ser picuinhas, não. Por isso…

 

VOU. SER. PICUINHAS.

 

  • Há arrastamento de imagem, noto isso não só em Game of Thrones, mas noutros episódios de outras séries (Ballers, por exemplo). Basta fazer uma comparação com blu-rays ou, até, com clips dos episódios que são publicados online nos canais oficiais da HBO. E isso acontece em todos os dispositivos em que experimentei (computador, telemóvel, TV com Chromecast), mesmo a mexer na frequência de actualização da TV.
  • A olho, parece-me - ênfase em “parece”, não consegui fazer uma análise decente - que o vídeo está interlaçado, algo completamente incompreensível em 2019, numa plataforma digital e, creio, feita para dispositivos modernos, que já suportam vídeo progressivo.
  • O site da HBO, hbo.com, se for acedido em Portugal, redirecciona para o HBO Portugal, algo bastante enervante (gosto de aceder aos sites dos canais).
  • O campo de pesquisa pede um mínimo de três caracteres quando uma das séries mais emblemáticas da HBO - Oz - tem apenas dois, sendo impossível de encontrar pela pesquisa - que também podia ter mais termos de pesquisa para além do título e de alguns dos actores principais.
  • Parece que pode haver o adiamento da estreia de algum conteúdo - Leaving Neverland estreou com alguns dias de atraso, mas com a sorte de estrear em cima do pico da polémica. No entanto, é sempre preferível que estreie ao mesmo tempo: para mim, é um dos pontos mais fortes destes serviços e “O” ponto fulcral para cimentar uma das forças de um serviço deste género: um combate eficaz à partilha de ficheiros online.

 

Mas a maior falha, absolutamente criminosa, é o corte de imagem 4:3, produções relativamente antigas (como o telefilme The Late Shift, de 1996 - recomendo, mas não aqui), para se “adaptar” a 16:9. Sim, sou purista: Se foi feito em 4:3, mantenha-se em 4:3. Não estiquem, não encolham, não façam nada. No entanto, se vão fazer crop, não façam o corte a eito. The Late Shift, por exemplo, usa todo o campo visual para contar a sua história, e estes cortes acabam por não apenas cortar imagens de fundo, cortam também as testas de personagens que estão em primeiro plano (ou, no caso do Jay Leno, provavelmente também corta o queixo). Por mais medíocre que seja o conteúdo (neste caso não é, embora não tenha envelhecido muito bem), nada merece este tipo de tratamento.

 

Conclusão

 

Depois deste testamento, até pode parecer que não aprovo o serviço. No entanto… Não tenho grandes motivos para o fazer. Bom preço, excelente conteúdo - que sai reforçado com algumas aquisições de fora. Para além das picuinhices acima, a minha única preocupação é em relação à disponibilidade do conteúdo, que podia ser um pouco mais fiável, não só em relação ao que referi, A HBO tem algum histórico de crashes nas suas plataformas de streaming, especialmente em situações de grande antecipação. No entanto, numa conversa (bastante interessante) que tive com alguns técnicos da plataforma durante a festa de lançamento da mesma, eles garantiram-me que estão a fazer de tudo para que os servidores aguentem com a carga que vão ter e que vão estar atentos e a trabalhar à hora a que for preciso para garantir que as pessoas vêem o que tiverem de ver - até me deram como exemplo uma falha que afectou a utilização da HBO no Chromecast no primeiro dia do serviço). E, se isso implicar estarem acordados às 2 da manhã de Domingo para Segunda, então será assim.

03
Mar19

O Festival da Canção, em números

Manuel Reis

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Este ano, por mais variados motivos, não acompanhei o Festival da Canção (FC) como desejava. Não sou propriamente um fã eurovisivo; sou um fã de TV, de discutir TV. E o Festival da Canção, tal como a Eurovisão, cumpre todos os critérios: Luzes, som, um conceito competitivo, roupas que vão do maravilhoso ao absurdo, possibilidade de problemas de produção… existe uma multitude de critérios em que o programa se inclui. Não ouço as músicas de antemão, vejo apenas as performances. E, este ano, para além de ter outras prioridades na minha cabeça, ainda por cima a Eurovisão é em Israel. Não ajuda.

 

Por outro lado, e como é televisão portuguesa, é uma boa altura para assistirmos a uma arte na televisão portuguesa, mais do que em qualquer país: o enchimento de chouriço. Aliás, estou a escrever este texto precisamente durante esse período. Por isso, e como o vencedor deste ano já estava praticamente certo desde antes da primeira semi-final (e porque eu também só vi a final em diferido), optei por ver o Festival de uma perspectiva diferente: números! Sim, números. Contei o tempo útil do Festival da Canção. Mas que critérios uso para definir tempo útil? Simples:

 

1. Actuação das músicas, período entre músicas, introdução, idas à Green Room entre e imediatamente após as performances: cada música tem, regulamentarmente, um máximo de 3 minutos. São 8 músicas, o que dá 24 minutos para elas serem cantadas, no máximo. Os postais são importantes para alterações cénicas, e os cortes de duas em duas músicas ajudam a cortar o ritmo e a não termos de levar com música atrás de música atrás de música. A visita final também faz sentido. Com as actuações, isto acaba por ser toda a primeira parte.

 

2. Período de votação: no caso da final, este ponto não se aplica de forma tão firme: os números estavam disponíveis desde o início do programa. No entanto, caso isto não tivesse acontecido, seria considerado tempo útil, mesmo que fosse ocupado com alguém a levar para o palco carne picada e intestinos. Mesmo assim, irei considerar meia-hora para lá do final das músicas. É um valor completamente arbitrário, mas que me parece razoável para meter uma ou outra actuação, convidar malta de anos anteriores, sacar mais dinheiro desde as linhas telefónicas, etc. Dou mais 15 minutos após a votação para a "contagem dos votos" (embora seja tudo electrónico, não é?). 45 minutos, então. Vou ser bastante relaxado, porque já sei que é aqui que a coisa se vai estragar.

 

3. Apresentação das votações finais: na final há sete júris regionais que vão apresentando, à vez, a sua votação. Ainda é demorado, mas é informação necessária para o resultado final. Inclui a actuação do vencedor. Basicamente, o final do programa. Conto as votações, uma pausazinha pelo meio, antes dos resultados do televoto, mas sem qualquer performance pelo meio - porque já é tarde, a malta só quer acabar de ver o programa.

 

(A única explicação para a existência deste post é eu ter alguma forma de OCD.) São estes os critérios. São critérios meus, porque gosto da minha TV vista de forma eficiente. Siga.

 

O EPG dizia que o FC começava às 21:15 e acabava às 0:31. São 3 horas e 16 minutos! TRÊS HORAS! Vamos lá ver o que é que há.

 

Critério 1: Fora aquela introdução desnecessária do Júlio Isidro e da Margarida Mercês de Mello (2019 e ainda se encara o HD como sendo novidade? Só em Portugal, de facto), aceito totalmente o número do Palmeirim na contagem. São cerca de 70 minutos.

 

Critério 2: Estando a votação aberta desde o início do programa, dou 30 + 15 minutos. Durou - espantem-se, 50 minutos (!) durante a votação e 30 minutos até à apresentação das votações. 80 minutos ao todo (com 12 minutos de publicidade incluidos)! E tanto que podia ter sido cortado. Os arranjos d' "Esta Balada Que Te Dou" e d' "A Cidade Até Ser Dia" (esta última com Anabela, a Vampira!) eram praticamente iguais, e o da Senhora do Mar era, simplesmente, música de elevador. Os tributos são bonitos, mas acontecem TODOS. 👏🏻 OS. 👏🏻 ANOS. 👏🏻 Estava no Twitter durante uma das semi-finais e vi cansaço em relação à presença da "Desfolhada". Quando há cansaço em relação à insistência numa das canções mais importantes da história da música portuguesa… Há que mudar alguma coisa.

 

Critério 3: Votação do júri durou 12 minutos, não houve performances pelo meio (yes!), apresentar os resultados do público durou mais 4 minutos, mais 4 até ao início da actuação, e créditos a rolar às 0:12. 25 minutos ao todo, e a transmissão até acabou 19 minutos mais cedo do que o previsto.

 

Tempo útil da cerimónia: 70 + 45 (máximo) + 25 = 140 minutos, 2h20m numa emissão com 2h57m. Cerca de 80%. Nada mau. Parti para este artigo com expectativas bem mais baixas (na ordem dos 60%). No entanto, obviamente, fiz isto com alguns critérios relaxados e sem ser completamente focado na eficácia do tempo. Caso o fizesse, apenas ia contar a duração das actuações, os postais (não há volta a dar, têm de existir para mudanças cénicas) e o anúncio das votações, que até podia ser mais curto. Se eu fosse um Vítor Gaspar da produção televisiva, isto durava apenas uma hora e pouco. Como disse, aqueles foram os meus critérios.

 

O grande problema do certame, para lá das músicas sobre Portugal, e o mar, e o amor, e o mar, e o raio que o parta, e o mar, sempre esteve no meio da cerimónia: manter o público agarrado à emissão e aos telefones. Criar momentos agradáveis tanto para o público no auditório como para o de casa. Transcender gerações, especialmente num formato clássico que quer apelar às novas gerações num canal que é conhecido como o canal dos "velhos". E este ano nem foi dos piores, bem pelo contrário: Os apresentadores da cerimónia foram os três nomes mais fortes do canal público (e três dos mais fortes da televisão portuguesa) e mantiveram o programa a rolar. Houve momentos bastante sólidos, até - os cartões com comentários da internet dados pela Inês Lopes Gonçalves aos artistas é um mimo - e o guião (assinado pelo Pedro Miguel Ribeiro) estava francamente bom. Nota-se uma clara evolução no FC desde que os objectivos do mesmo foram redefinidos em 2017 - que, por acaso, nos deu a primeira vitória de sempre na Eurovisão. Novos nomes despontam, outros confirmam-se, outros ganham relevância suficiente para que o público vá conhecer outras músicas deles. Não é o Portugal popularucho do playback das tardes televisivas, é o Portugal que a RTP sempre teve escondido na Antena 3. Caramba, o NBC ficou lixado por não ter ganho! Quem é que dizia há 10 anos que isto podia acontecer?!

 

No entanto, o FC continua exageradamente agarrado ao passado. Não é preciso estar sempre a pegar nos grandes clássicos do Festival, eles estão lá. Estarão sempre ligados ao Festival, para o bem ou para o mal. O rebranding de 2017 foi grande e corajoso. Mas é preciso mais coragem. É preciso deixar de se referir o passado do Festival sempre que há oportunidade para o fazer. Se estamos a promover o futuro (e até o presente) da música portuguesa, essa promoção não deve ser feita debaixo da sombra dos grandes clássicos - até porque nunca se sabe quando podem surgir músicas que se juntem às "Conquistador" e "Umbadá" (que nem sequer ganhou) desta vida. E também porque falar com espanto das emissões em HD em 2019 soa a país atrasado. Esses clássicos estão lá, e são lembrados sempre que se diz o nome "Festival da Canção". Não é preciso mais.

 

Como é que preenchia o tempo? Bem, primeiro tornava o certame mais curto. Não dando para o fazer, há alternativas. Continue-se a pegar na actuação vencedora do ano passado. Sei que parece um contrasenso em relação ao que escrevi no parágrafo anterior, mas estou a falar de um passado recente, não dos clássicos dos anos de ouro (e histórico derrotado) do FC, os tais que são seeeeeempre recordados. Os vencedores do ano anterior a apresentar novas músicas e o troféu, isso faz todo o sentido. Incluir mais os artistas do ano da cerimónia, em momentos que dêem para passar o tempo - como o dos comentários maldosos. A ter novas versões de músicas anteriores, que sejam versões que adicionem qualquer coisa e que não sejam esquecíveis (vá, a da "Senhora do Mar" não é esquecível, pelos piores motivos) - por exemplo, esta versão d' "Esta Balada Que Te Dou", pelos Pontos Negros.

 

Para o ano, pelo menos, o Festival da Canção já merecia um drinking game. A ver se trato disso.

25
Fev19

Algumas considerações sobre os Óscares, edição 2019 (com resultados e análise)

Manuel Reis

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Pós-cerimónia: E eis que fui surpreendido. Primeiro, a razia: Acertei 13 em 24, muito abaixo do ano passado, um valor que sobe para 22 se incluirmos segundas opções. E que segundas opções! Sobretudo Black Panther, que eu esperava que ficasse muito perto mas que não levasse nada, e que venceu precisamente os três em que disse que podia surpreender! Olivia Colman protagonizou a grande surpresa da noite, quando todos esperavam que The Favourite voltasse ao século XVIII de mãos a abanar, ao vencer Melhor Actriz (e, assim, a prolongar o jejum de Óscares de Glenn Close). Bohemian Rhapsody venceu todos aqueles que eu esperava e Edição de Som. No entanto, começou a assustar: Será que uma votação dividida daria Melhor Filme a isto? Felizmente, não aconteceu. Roma venceu Fotografia, Filme Estrangeiro e Realizador, e Green Book leva para casa, para lá de Actor Secundário, Argumento Original e Melhor Filme (ainda não foi desta, Netflix - mas é uma inevitabilidade). Lá acabámos felizes, no Twitter. Todos os nomeados para Melhor Filme venceram, pelo menos, um Óscar, o que também diz muito da diversidade de filmes aqui presente. Apesar de ter apostado em Avengers: Infinity War, fiquei muito satisfeito com a vitória de First Man em Efeitos Visuais. E foi isto.

 

Quanto à Fox: Tiveram uma oportunidade para quebrar com o passado, mas continuou a ser o mesmo tipo de transmissão, só que pior. Felizmente deram a opção de ver sem comentários na Fox Movies - que, também felizmente, eu tenho - mas sempre que espreitava o canal-mãe ou lia comentários no Twitter sobre o que estava a ser dito na emissão punha as mãos à cabeça com o nível básico das observações feitas, fossem gritos a meio da emissão, conversas durante o final da actuação da Filarmónica de Los Angeles no In Memoriam ou o Mahershala Ali que estava «com frio» porque estava a usar um chapéu cerimonial que parecia um gorro. É pena. Em 5 anos, os Óscares foram transmitidos em 3 canais diferentes em Portugal, o que não ajuda à estabilidade de uma equipa que já conheça como a cerimónia funciona e como devem fazer as coisas. Não é necessário estarem três pessoas a comentar, basta uma que esteja bem informada sobre os nomeados, que perceba como isto está estruturado e que não fale por cima de qualquer interveniente na cerimónia (um excelente exemplo: Graham Norton a comentar a Eurovisão na BBC). A Fox também teve azar com a emissão, com um problema de som desde o início da sua cobertura que ainda perturbou uma parte da cerimónia (mas que, entretanto, desapareceu).

 

Já a cerimónia em si… Sabem que mais? O apresentador não fez falta. A cerimónia pareceu bem mais rápida do que o habitual (acabou antes das 5 da manhã, milagre) e não foi preciso cortar prémios (dois dos discursos mais elogiados da noite foram nas categorias que, supostamente, seriam cortadas). Foram para o básico dos básicos (a entrega dos prémios) e tiveram sucesso. Fórmula a repetir, desde que o palco não se volte a parecer com o cabelo de Donald Trump.

 

Vou dormir, mas fiquem com o grande vencedor da noite no Twitter:

 

Anteriormente: É um ano atípico a todos os níveis: não há apresentador, não há grandes certezas em várias das grandes categorias, a Academia tentou fazer duas alterações estúpidas - e, pior, não teve tomates para as manter - e a única certeza que eu tenho é esta: Spider-Man: Into The Spider-Verse tem de ganhar Melhor Filme de Animação. Limpou tudo o que podia nos Annie Awards, venceu todos os grandes indicadores. Foi "o" filme de animação do ano. Será uma injustiça se não ganhar, e uma injustiça ainda maior se qualquer um dos filmes da Disney (The Incredibles 2 ou Ralph vs. Internet, nenhum deles particularmente extraordinário) vencer o prémio. E podia facilmente entrar na luta por Melhor Filme, considerando os nomeados. Vamos lá falar desses.

 

Eu sou uma daquelas pessoas que defende o mérito da nomeação de Black Panther. Não, não é o melhor filme de super-heróis de sempre (achei Logan, por exemplo, melhor). Mas estamos a falar do filme que maior impacto social teve este ano numa América cada vez mais dividida. As primeiras sessões esgotavam, com público que ia ver e rever o filme, vezes sem conta. E não iam de calças de ganga ou de fato e gravata, mas com trajes africanos. Desde o momento da sua estreia - há mais de um ano! - que era falado para receber múltiplas nomeações, e a brincadeira já lhe deu um SAG Award para Melhor Elenco. É uma pena que não ouçamos "All The Stars" na cerimónia, talvez a única música que pode tirar a vitória de Óscar de Melhor Canção Original àquela porra que já não se pode ouvir. Enfim, não conto que Black Panther ganhe nenhuma das nomeações que tem, embora possa surpreender em Design de Produção, Banda Sonora Original ou Guarda-Roupa. E sim, é este o filme que eu tirava para colocar o do Homem-Aranha.

 

Eu tive de ir ver se era mesmo, e é. BlackKklansman é uma história tão louca, tão absurda, que é estranho acreditar que é real, mas é algo que aconteceu mesmo! Aliás: há tanta queixa de que a Academia discrimina comédias e, logo este ano, temos cinco nomeados. Sim, com elementos dramáticos à mistura, mas acabam por ser comédias na mesma. Dos oito nomeados para Melhor Filme, é o meu preferido. No entanto, sabendo como os Óscares funcionam, acredito que possa levar Melhor Argumento Adaptado e que se fique por aí.

 

Bohemian Rhapsody está este ano para os Óscares como Darkest Hour esteve no ano passado: um argumento que é uma grandessíssima poia previsível imaginada à volta de personagens históricos, com excesso de utilização de licença dramática, só para dar ao seu Actor Principal a hipótese (e a quase certeza) de vitória nessa categoria. No ano passado com Gary Oldman e um Churchill que ia ao metro, este ano com Rami Malek e um Freddie Mercury em que as datas do diagnóstico de VIH são alteradas para o filme ter um final "vonito". Não sou fã destas coisas. Dêem o Óscar ao rapaz, ele merece. Provavelmente ainda vai levar Montagem e Mistura de Som.

 

Vá lá, malta, parem lá com o trocadilho fácil de "The Favourite faz jus ao nome". Não faz. Pelo menos para Melhor Filme. No entanto, foi uma agradável surpresa: nunca tinha visto nada de Lanthimos até aqui, e foge muito bem ao típico filme de época com um sólido guião e três actrizes fenomenais (com a Olivia Coleman a ter, finalmente, reconhecimento para lá do Reino Unido). Extremamente bem filmado, boa palete de cores. Nas minhas apostas, leva Argumento Original, Design de Produção e Guarda-Roupa - não tendo eu certeza para as três.

 

Green Book é, para mim, o filme que pode ganhar isto se a Academia não quiser fazer história. Performances formidáveis de Viggo Mortensen e Mahershala Ali (que deve ganhar Melhor Actor Secundário), sobre uma época em que ainda sobram muitas histórias para contar.

 

Tive a mesma sensação a ver Roma que tive a ver Gravity: Um trabalho técnico absolutamente perfeito de Cuarón num filme que deve ser visto numa sala de cinema para que possa ser justamente apreciado. Não achei o argumento nada de extraordinário, embora perceba a importância do mesmo e do casting. Roma tem a história contra si: É um filme estrangeiro que vem de uma plataforma de streaming (no caso, Netflix). Será o primeiro a vencer Melhor Filme em qualquer um dos cenários, e poderá marcar uma mudança de paradigma. Veremos se o método de votação não lhe complica a vida. De resto, vitória fácil para Cuarón em Realizador e Fotografia.

 

A 7834763298234.ª versão de A Star Is Born, baseada em 732475 dos filmes anteriores, tem alguns problemas, mas Lady Gaga não é um deles. Pelo contrário, é a confirmação das múltiplas facetas da cantora, que espero voltar a ver num filme (e nomeada por acting) num futuro próximo. Sólida performance por parte dela. No entanto, para além da música (que já me faz sangrar os ouvidos de tantas vezes que já a ouvi), achei que o filme tem um grave problema de ritmo (muito acelerado na segunda metade). E o Bradley Cooper com voz de bagaço?

 

Foi o último que vi, e sim - Vice é claramente um filme contado de uma perspectiva liberal e cómica, havendo espaço para a alguma tirania. É a forma perfeita de capturar a presidência Bush-Cheney: absurda e cheia de momentos graves. O elenco está formidável - Sam Rockwell só precisava de fazer a voz - e Adam McKay cresce cada vez mais. Maquilhagem é certo.

 

No ano passado acertei 19 em 24: falhei Curta, Curta Documentário, Documentário, Efeitos Visuais e Melhor Filme (ainda estou para perceber como é que Shape of Water ganhou). Obviamente, o objectivo este ano é melhorar. Por isso, para efeitos estatísticos, contam as primeiras opções, mas vou fornecer alternativa para boa parte das categorias (estão entre parêntesis). Vou tentando actualizar ao longo da noite. A sublinhado estão os vencedores, e os meus não-acertos estão rasurados.

  • Melhor Filme: Roma (Green Book)
  • Melhor Actor: Rami Malek, Bohemian Rhapsody
  • Melhor Actriz: Glenn Close, The Wife venceu Olivia Colman, The Favourite
  • Melhor Actor Secundário: Mahershala Ali, Green Book
  • Melhor Actriz Secundária: Regina King, If Beale Street Could Talk (Rachel Weisz, The Favourite)
  • Melhor Filme de Animação: Spider-Man: Into The Spider-Verse
  • Melhor Fotografia: Roma
  • Melhor Guarda-Roupa: The Favourite (Black Panther)
  • Melhor Realização: Alfonso Cuarón, Roma
  • Melhor Documentário: RBG (Free Solo)
  • Melhor Curta Documentário: Period. End of Sentence. (Black Sheep)
  • Melhor Montagem ("a" categoria da noite): Bohemian Rhapsody (The Favourite)
  • Melhor Filme Estrangeiro: Roma (Cold War)
  • Melhor Maquilhagem/Penteados: Vice
  • Melhor Banda Sonora Original: If Beale Street Could Talk (Black Panther)
  • Melhor Canção Original: "Shallow", A Star Is Born
  • Melhor Design de Produção: The Favourite (Black Panther)
  • Melhor Curta de Animação: Bao
  • Melhor Curta: Marguerite venceu Skin
  • Melhor Edição de Som: A Quiet Place (Bohemian Rhapsody)
  • Melhor Mistura de Som: Bohemian Rhapsody
  • Melhores Efeitos Visuais: Avengers: Infinity War (First Man)
  • Melhor Argumento Adaptado: BlackKklansman (Can You Ever Forgive Me?)
  • Melhor Argumento Original: The Favourite (Green Book)
08
Fev19

Análise excessiva ao convite da HBO Portugal

Manuel Reis

[11 de Fevereiro: Actualizado com nova informação]

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Vem aí a HBO, desta vez a genuína, a própria, sem confusões. Agora é mesmo a sério, e vou dar um salto à apresentação do canal na próxima semana para ver em que modos é que vão oferecer o canal no nosso país. Mas, para já, enviaram um convite (em vídeo, porque estamos modernos) e já têm página no Instagram e no Facebook. (E no Twitter, pá? E no Twitter?) E dá para ver alguma da (espero que seja) oferta do canal.

Para já, aquele que será o grande evento televisivo (e um dos grandes eventos da cultura pop) do ano: A última temporada de Game of Thrones. Não tenho certeza absoluta, mas há certas publicações (e uma página de Instagram ocupada por um mosaico de um dragão a cuspir fogo!) que me levam a crer que a aposta na última temporada de GoT vai ser real (pun not intended) e haverá algum tipo de divisão de direitos com o Syfy. Especulação minha, com 99% de certeza: HBO lança serviço de streaming com os direitos digitais/on demand de Game of Thrones. [UPDATE, 11 de Fevereiro: a HBO Portugal lançou o serviço e confirmou isto. Lançamento de novos episódios em simultâneo com os EUA.] Seria um lançamento gigantesco e o momento é o melhor possível. Ouvi dizer que há por aí um podcast que até está interessado nisto. Não acontecendo, com esta promoção toda, seria uma enorme surpresa - até porque me foi dito (vale o que vale, sendo isto escrito pelo gajo que escreve mês a mês por aqui e mais frequentemente pelo Twitter) que o Syfy não tem direitos para transmitir GoT fora da TV.

Fora isso, no vídeo que têm no Facebook, mostram cinco séries emblemáticas, antes d' O SOM. Por ordem: Sex and the City, The Sopranos (que cumpriu recentemente o seu 20.º aniversário), True Detective (que começou há algumas semanas a sua 3.ª temporada, com Mahershala Ali), Game of Thrones e Westworld. Devemos poder contar com essas, de alguma forma ou feitio.

Já vamos em 5, mas 5 é pouco e a HBO tem mais do que isso. E é aqui que entra o tal convite em vídeo, em que há várias fotos a cair num campo inclinado (não tipo Star Wars, outra inclinação - wrong franchise). Vemos as já referidas e mais algumas séries actuais da HBO: Big Little Lies, Sharp Objects, Ballers, Silicon Valley e a italo-americana My Brilliant Friend. 5 e 5, 10. Juntem-lhes True Blood, Six Feet Under (sim, Sete Palmos de Terra) e Entourage. Já vamos em 13, só séries da HBO.

Porque a seguir vem material que não é propriamente da HBO, mas que podia s… nã', estou a brincar. Killing Eve, da BBC America, até podia ser. O mosaico preenche-se com Charmed (a nova versão, da CW), Legacies (um spin-off de The Vampire Diaries, também da CW) e Manifest (é da NBC, tem uma premissa gira). 17.

Mas vamos às 19, porque também há The Vampire Diaries (para fazer companhia ao spin-off) e a maior surpresa deste canal: The Big Bang Theory, porque já não bastavam as 407 horas semanais dedicadas à série no AXN White (a sério, sempre que passo pelo canal está a dar isso ou Young Sheldon) e a lembrança de que Chuck Lorre já domina o planeta e nós ainda não nos apercebemos disso. Não há Curb Your Enthusiasm, mas há o seu exacto oposto, que é algo… bom?

No geral, está aqui um bom pacote inicial de conteúdo (e The Big Bang Theory), mas (para já) muito abaixo das 100 séries com que se iniciou em Espanha (na verdade, espero que comecem com um número de conteúdo bem mais elevado do que esta amostra). Faltam muitos detalhes. Preço? (Fala-se em 7,99€/mês, igual a Espanha.) [UPDATE, 11 de Fevereiro: 4,99€/mês, stream em dois aparelhos em simultâneo.] Será apenas um serviço de streaming on demand, ou haverá emissão linear? (Parece-me improvável que haja, considerando que a larga maioria destas séries está a ser transmitida noutros canais.) O envolvimento da Vodafone é semelhante ao que teve aquando do lançamento da Netflix, ou é meeeeesmo "operador exclusivo"? [UPDATE, 11 de Fevereiro: Semelhante. Não é preciso ser cliente Vodafone para subscrever.] Haverá Last Week Tonight? Melhor ainda: haverá conteúdo das outras HBOs internacionais como, por exemplo, Greg News? [UPDATE, 11 de Fevereiro: Há produção brasileira, não há Greg News.] (Haverá produção nacional?) Poderei ver finalmente todas as temporadas de The Larry Sanders Show? [UPDATE: à primeira vista, não. Pena.] E o gigantesco arquivo de especiais de stand-up comedy, é para aproveitar? [UPDATE: é.]

Questões que serão respondidas (espero) na próxima semana.

P.S.: E os novos episódios da Rua Sésamo, é pedir muito?

06
Dez18

New Amsterdam: não inova, mas não chateia

Manuel Reis

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Pensem em ER [Serviço de Urgência]. Agora, pensem em Grey’s Anatomy [Anatomia de Grey]. E em House, M.D. [Dr. House]. Se juntassem essas três séries, tinham New Amsterdam. Tem o protagonista cativante pela sua maneira única de lidar com o que o rodeia (Ryan Eggold, fresco da sua saída da tentativa de franchise de The Blacklist), o elenco com malta relativamente conhecida (destaco Tyler Labine, num registo completamente diferente daquele a que me habituou - de comédias em que berrava passa a um drama em que é relativamente calmo) e demasiado algum excesso de simplicidade. (Achavam mesmo que a referência a Grey’s era outra? O máximo que isto tem é um casal no vai-não-vai, é o mais chato da série.) Este último ponto não abona em nada a favor da série, mas tenho de dizer que, de todas as que estrearam este ano e que me despertaram um mínimo de curiosidade para pegar nelas, esta foi a única que acompanhei todas as semanas.

 

Sim, é mais um drama médico (num hospital público de Nova Iorque que ganha um director médico que verdadeiramente se preocupa com os pacientes - só para completar a sinopse). Tem romance, tem crítica social, tem alguma comédia no meio de cenários dramáticos, tem resolução rápida de situações complexas. A única diferenciação em relação a outras séries do género é mesmo o protagonista, que carrega aos ombros vários pesos - ironicamente, um deles acaba por ser o interesse que existe em ver a série. Não prevejo que New Amsterdam saia do seu formato, não é inovadora nem quer inovar. E não vejo nenhum mal nisso, sobretudo porque não se propõe a tal. Serve para o seu propósito: ser vista depois de This Is Us e tentar continuar a alimentar a indústria dos lenços de papel, mesmo que não seja tão boa nisso como a sua antecessora no horário da NBC. Por cá, estreia hoje na Fox Life, às 22:20, com episódio duplo - a seguir às repetições da 2.ª temporada de Grey’s, porque há que manter a Katherine Heigl a receber royalties de alguma coisa.

08
Set18

Comic Con Portugal 2018, dia 3: Outra vez Maurício, Lisbon Film Orchestra, sub-aproveitamentos e compras!

Manuel Reis

O dia 3 da Comic Con começou com um susto da chuva, mas prolongou-se para ver a maior enchente do recinto, até agora. A Beatriz Silva fez-me companhia para falar deste dia e de tudo o que se passou, que incluiu chamadas Skype, Filipes Melo e Homem Fonseca e uma revelação muito especial feita por Nuno Sá, maestro da Lisbon Film Orchestra!

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07
Set18

Comic Con Portugal 2018, dia 2: Fogler, Hoult, Claremont, Maurício, críticas e elogios fortes

Manuel Reis

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A sexta-feira trouxe ao segundo dia da Comic Con mais algum movimento do que o do dia anterior, mais algum cosplay, mas a sensação de que acabou a calma antes da tempestade. Para trazer outras perspectivas - até porque não somos omnipresentes - convidei a Daniela Azevedo, do Sbroing, para me ajudar. Pudemos falar um pouco de Dan Fogler (a promover a sequela de Monstros Fantásticos, mas que também podem conhecer de Fanboys ou The Goldbergs), Nicholas Hoult (X-Men: Dark Phoenix), Chris Claremont (escritor de X-Men durante 16 anos) e Maurício de Sousa - com quem nenhum de nós falou hoje, mas com quem já estivemos antes e que é, certamente, uma figura maior desta edição. Explorámos já alguns aspectos positivos e negativos. Deu conversa, 40 minutos! Está tudo aqui.

 

07
Set18

Comic Con Portugal 2018, dia 1: Dichen Lachman e primeiras impressões

Manuel Reis

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 Vai em áudio por vários motivos, mas sobretudo por estes: estou demasiado cansado (para além da visita à CCPT, ainda tenho estado a fazer outras coisas - felizmente, os próximos dias já serão mais calmos) e quero experimentar algo. Sim, o áudio está cru e só levou uma edição básica. É o que há, de momento. Vou tentar que o próximo seja mais rico (e que o cansaço não me apague o entusiasmo). Um muito obrigado ao Aberto Até de Madrugada pelo convite para ir à CCPT pelo blog!

(Ah, aquilo ali em cima? Misturei canais de TV e lutei contra um Zombie de Torres Vedras da Fox - que transmite The Walking Dead em Portugal - na arena do AMC - que produz The Walking Dead e que transmite o seu spin-off, Fear The Walking Dead. O Zombie de Torres Vedras ganhou! Foi algo completamente orgânico, mas que foi uma experiência absolutamente brutal! 😃)

 

23
Ago18

O Último Sharknado: o Fin de uma era

Manuel Reis

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[Sem spoilers] “É tão mau que é bom” é a expressão normalmente associada aos filmes do Syfy: terríveis, com actores quase esquecidos, pouco talentosos ou em início de carreira (qualquer uma das seis combinações possíveis entre as opções, na verdade), efeitos especiais super-manhosos e, com sorte, um ou outro cameo de alguém relevante no último ano. É um bom resumo daquilo que o canal de vamos-dizer-que-é-ficção-científica (para ser justo, nos últimos anos, voltou a ser mais) faz várias vezes, especialmente durante o Verão.

 

Mas o fenómeno Sharknado é algo à parte. Sim, começou com uma encomenda habitual à Asylum: Dêem-nos um filme, têm este orçamento minúsculo e este calendário para o produzir. E é uma história típica do Syfy: um tornado com tubarões. É difícil explicar o que destacou Sharknado de um Tubarão com 3 Cabeças ou de outras ideias terríveis. Fin (Ian Ziering, conhecido pelo seu passado em Beverly Hills, 90210), é um homem numa missão: salvar a sua família e, se conseguir, os seus amigos. Tara Reid (sensação dos filmes de adolescentes entre 1998 e 2003, incluindo os clássicos American Pie e Van Wilder) é April, a ex-companheira dele. Depois há tubarões e moto-serras. É tudo o que precisam de saber para ver o primeiro, que tem um ritmo bastante diferente dos seguintes.

 

Após uma notória subida de orçamento, o segundo filme muda a abordagem de um filme que segue, sobretudo, a história dos personagens para algo que começa a incluir referências directas a filmes ou fenómenos da cultura pop, com os seguintes a insistir ainda mais nessa vertente. Os filmes continuam a ter um fio condutor (mesmo que por vezes pareça que não), mas o ênfase dado aos cameos é progressivamente maior à medida que os filmes avançam. No entanto, no 5º filme - reparem que a fórmula conseguiu durar quatro filmes - já se notava algum cansaço e algum esgotamento de ideias (sejamos francos, depois do terceiro era complicado superar). O twist final é muito bem conseguido e lançava boas possibilidades para o sexto.

 

Felizmente o Syfy deu a Anthony C. Ferrante e à sua equipa a hipótese de se despedirem de forma digna deste fenómeno. Só a hipótese, porque o orçamento e o tempo de produção devem ter sido mais curtos. Os efeitos especiais são os piores da saga, os cameos não são tantos, nem, de uma forma geral, tão notórios (se bem que os principais nomes são melhor aproveitados), a direcção de actores é pavorosa, a continuidade é terrível e o guião é, em muitos momentos, péssimo: Em suma, boa parte daquilo que me fez adorar Sharknado desde o primeiro momento. A primeira meia-hora é bastante bem conseguida (não conseguia parar de rir) e, depois de momentos meh (ou abaixo disso), o final é completamente "fora" e, sendo a despedida, puxa (genuinamente) à lágrima - com uma participação completamente inesperada. Não sendo o meu preferido (3) nem o melhor da saga (consenso geral vai para o primeiro, eu digo o 2), é uma conclusão minimamente satisfatória para uma saga que, felizmente, termina aqui.

 

Tive a sorte de ver os cinco primeiros em sala, a convite do canal (a quem agradeço - foram sempre sessões muito animadas, especialmente a primeira - quem lá esteve sabe do que estou a falar). O último, The Last Sharknado: It’s About Time!, passa hoje, dia 23 de Agosto, às 22:15, no Syfy. Merecia, no mínimo, uma festa de despedida - que teremos de ser nós a fazer, no conforto do nosso lar.

 

Fico à espera do remake hollywoodesco com o The Rock.

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