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Já a Seguir

08
Fev19

Análise excessiva ao convite da HBO Portugal

Manuel Reis

[11 de Fevereiro: Actualizado com nova informação]

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Vem aí a HBO, desta vez a genuína, a própria, sem confusões. Agora é mesmo a sério, e vou dar um salto à apresentação do canal na próxima semana para ver em que modos é que vão oferecer o canal no nosso país. Mas, para já, enviaram um convite (em vídeo, porque estamos modernos) e já têm página no Instagram e no Facebook. (E no Twitter, pá? E no Twitter?) E dá para ver alguma da (espero que seja) oferta do canal.

Para já, aquele que será o grande evento televisivo (e um dos grandes eventos da cultura pop) do ano: A última temporada de Game of Thrones. Não tenho certeza absoluta, mas há certas publicações (e uma página de Instagram ocupada por um mosaico de um dragão a cuspir fogo!) que me levam a crer que a aposta na última temporada de GoT vai ser real (pun not intended) e haverá algum tipo de divisão de direitos com o Syfy. Especulação minha, com 99% de certeza: HBO lança serviço de streaming com os direitos digitais/on demand de Game of Thrones. [UPDATE, 11 de Fevereiro: a HBO Portugal lançou o serviço e confirmou isto. Lançamento de novos episódios em simultâneo com os EUA.] Seria um lançamento gigantesco e o momento é o melhor possível. Ouvi dizer que há por aí um podcast que até está interessado nisto. Não acontecendo, com esta promoção toda, seria uma enorme surpresa - até porque me foi dito (vale o que vale, sendo isto escrito pelo gajo que escreve mês a mês por aqui e mais frequentemente pelo Twitter) que o Syfy não tem direitos para transmitir GoT fora da TV.

Fora isso, no vídeo que têm no Facebook, mostram cinco séries emblemáticas, antes d' O SOM. Por ordem: Sex and the City, The Sopranos (que cumpriu recentemente o seu 20.º aniversário), True Detective (que começou há algumas semanas a sua 3.ª temporada, com Mahershala Ali), Game of Thrones e Westworld. Devemos poder contar com essas, de alguma forma ou feitio.

Já vamos em 5, mas 5 é pouco e a HBO tem mais do que isso. E é aqui que entra o tal convite em vídeo, em que há várias fotos a cair num campo inclinado (não tipo Star Wars, outra inclinação - wrong franchise). Vemos as já referidas e mais algumas séries actuais da HBO: Big Little Lies, Sharp Objects, Ballers, Silicon Valley e a italo-americana My Brilliant Friend. 5 e 5, 10. Juntem-lhes True Blood, Six Feet Under (sim, Sete Palmos de Terra) e Entourage. Já vamos em 13, só séries da HBO.

Porque a seguir vem material que não é propriamente da HBO, mas que podia s… nã', estou a brincar. Killing Eve, da BBC America, até podia ser. O mosaico preenche-se com Charmed (a nova versão, da CW), Legacies (um spin-off de The Vampire Diaries, também da CW) e Manifest (é da NBC, tem uma premissa gira). 17.

Mas vamos às 19, porque também há The Vampire Diaries (para fazer companhia ao spin-off) e a maior surpresa deste canal: The Big Bang Theory, porque já não bastavam as 407 horas semanais dedicadas à série no AXN White (a sério, sempre que passo pelo canal está a dar isso ou Young Sheldon) e a lembrança de que Chuck Lorre já domina o planeta e nós ainda não nos apercebemos disso. Não há Curb Your Enthusiasm, mas há o seu exacto oposto, que é algo… bom?

No geral, está aqui um bom pacote inicial de conteúdo (e The Big Bang Theory), mas (para já) muito abaixo das 100 séries com que se iniciou em Espanha (na verdade, espero que comecem com um número de conteúdo bem mais elevado do que esta amostra). Faltam muitos detalhes. Preço? (Fala-se em 7,99€/mês, igual a Espanha.) [UPDATE, 11 de Fevereiro: 4,99€/mês, stream em dois aparelhos em simultâneo.] Será apenas um serviço de streaming on demand, ou haverá emissão linear? (Parece-me improvável que haja, considerando que a larga maioria destas séries está a ser transmitida noutros canais.) O envolvimento da Vodafone é semelhante ao que teve aquando do lançamento da Netflix, ou é meeeeesmo "operador exclusivo"? [UPDATE, 11 de Fevereiro: Semelhante. Não é preciso ser cliente Vodafone para subscrever.] Haverá Last Week Tonight? Melhor ainda: haverá conteúdo das outras HBOs internacionais como, por exemplo, Greg News? [UPDATE, 11 de Fevereiro: Há produção brasileira, não há Greg News.] (Haverá produção nacional?) Poderei ver finalmente todas as temporadas de The Larry Sanders Show? [UPDATE: à primeira vista, não. Pena.] E o gigantesco arquivo de especiais de stand-up comedy, é para aproveitar? [UPDATE: é.]

Questões que serão respondidas (espero) na próxima semana.

P.S.: E os novos episódios da Rua Sésamo, é pedir muito?

06
Dez18

New Amsterdam: não inova, mas não chateia

Manuel Reis

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Pensem em ER [Serviço de Urgência]. Agora, pensem em Grey’s Anatomy [Anatomia de Grey]. E em House, M.D. [Dr. House]. Se juntassem essas três séries, tinham New Amsterdam. Tem o protagonista cativante pela sua maneira única de lidar com o que o rodeia (Ryan Eggold, fresco da sua saída da tentativa de franchise de The Blacklist), o elenco com malta relativamente conhecida (destaco Tyler Labine, num registo completamente diferente daquele a que me habituou - de comédias em que berrava passa a um drama em que é relativamente calmo) e demasiado algum excesso de simplicidade. (Achavam mesmo que a referência a Grey’s era outra? O máximo que isto tem é um casal no vai-não-vai, é o mais chato da série.) Este último ponto não abona em nada a favor da série, mas tenho de dizer que, de todas as que estrearam este ano e que me despertaram um mínimo de curiosidade para pegar nelas, esta foi a única que acompanhei todas as semanas.

 

Sim, é mais um drama médico (num hospital público de Nova Iorque que ganha um director médico que verdadeiramente se preocupa com os pacientes - só para completar a sinopse). Tem romance, tem crítica social, tem alguma comédia no meio de cenários dramáticos, tem resolução rápida de situações complexas. A única diferenciação em relação a outras séries do género é mesmo o protagonista, que carrega aos ombros vários pesos - ironicamente, um deles acaba por ser o interesse que existe em ver a série. Não prevejo que New Amsterdam saia do seu formato, não é inovadora nem quer inovar. E não vejo nenhum mal nisso, sobretudo porque não se propõe a tal. Serve para o seu propósito: ser vista depois de This Is Us e tentar continuar a alimentar a indústria dos lenços de papel, mesmo que não seja tão boa nisso como a sua antecessora no horário da NBC. Por cá, estreia hoje na Fox Life, às 22:20, com episódio duplo - a seguir às repetições da 2.ª temporada de Grey’s, porque há que manter a Katherine Heigl a receber royalties de alguma coisa.

08
Set18

Comic Con Portugal 2018, dia 3: Outra vez Maurício, Lisbon Film Orchestra, sub-aproveitamentos e compras!

Manuel Reis

O dia 3 da Comic Con começou com um susto da chuva, mas prolongou-se para ver a maior enchente do recinto, até agora. A Beatriz Silva fez-me companhia para falar deste dia e de tudo o que se passou, que incluiu chamadas Skype, Filipes Melo e Homem Fonseca e uma revelação muito especial feita por Nuno Sá, maestro da Lisbon Film Orchestra!

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07
Set18

Comic Con Portugal 2018, dia 2: Fogler, Hoult, Claremont, Maurício, críticas e elogios fortes

Manuel Reis

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A sexta-feira trouxe ao segundo dia da Comic Con mais algum movimento do que o do dia anterior, mais algum cosplay, mas a sensação de que acabou a calma antes da tempestade. Para trazer outras perspectivas - até porque não somos omnipresentes - convidei a Daniela Azevedo, do Sbroing, para me ajudar. Pudemos falar um pouco de Dan Fogler (a promover a sequela de Monstros Fantásticos, mas que também podem conhecer de Fanboys ou The Goldbergs), Nicholas Hoult (X-Men: Dark Phoenix), Chris Claremont (escritor de X-Men durante 16 anos) e Maurício de Sousa - com quem nenhum de nós falou hoje, mas com quem já estivemos antes e que é, certamente, uma figura maior desta edição. Explorámos já alguns aspectos positivos e negativos. Deu conversa, 40 minutos! Está tudo aqui.

 

07
Set18

Comic Con Portugal 2018, dia 1: Dichen Lachman e primeiras impressões

Manuel Reis

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 Vai em áudio por vários motivos, mas sobretudo por estes: estou demasiado cansado (para além da visita à CCPT, ainda tenho estado a fazer outras coisas - felizmente, os próximos dias já serão mais calmos) e quero experimentar algo. Sim, o áudio está cru e só levou uma edição básica. É o que há, de momento. Vou tentar que o próximo seja mais rico (e que o cansaço não me apague o entusiasmo). Um muito obrigado ao Aberto Até de Madrugada pelo convite para ir à CCPT pelo blog!

(Ah, aquilo ali em cima? Misturei canais de TV e lutei contra um Zombie de Torres Vedras da Fox - que transmite The Walking Dead em Portugal - na arena do AMC - que produz The Walking Dead e que transmite o seu spin-off, Fear The Walking Dead. O Zombie de Torres Vedras ganhou! Foi algo completamente orgânico, mas que foi uma experiência absolutamente brutal! 😃)

 

23
Ago18

O Último Sharknado: o Fin de uma era

Manuel Reis

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[Sem spoilers] “É tão mau que é bom” é a expressão normalmente associada aos filmes do Syfy: terríveis, com actores quase esquecidos, pouco talentosos ou em início de carreira (qualquer uma das seis combinações possíveis entre as opções, na verdade), efeitos especiais super-manhosos e, com sorte, um ou outro cameo de alguém relevante no último ano. É um bom resumo daquilo que o canal de vamos-dizer-que-é-ficção-científica (para ser justo, nos últimos anos, voltou a ser mais) faz várias vezes, especialmente durante o Verão.

 

Mas o fenómeno Sharknado é algo à parte. Sim, começou com uma encomenda habitual à Asylum: Dêem-nos um filme, têm este orçamento minúsculo e este calendário para o produzir. E é uma história típica do Syfy: um tornado com tubarões. É difícil explicar o que destacou Sharknado de um Tubarão com 3 Cabeças ou de outras ideias terríveis. Fin (Ian Ziering, conhecido pelo seu passado em Beverly Hills, 90210), é um homem numa missão: salvar a sua família e, se conseguir, os seus amigos. Tara Reid (sensação dos filmes de adolescentes entre 1998 e 2003, incluindo os clássicos American Pie e Van Wilder) é April, a ex-companheira dele. Depois há tubarões e moto-serras. É tudo o que precisam de saber para ver o primeiro, que tem um ritmo bastante diferente dos seguintes.

 

Após uma notória subida de orçamento, o segundo filme muda a abordagem de um filme que segue, sobretudo, a história dos personagens para algo que começa a incluir referências directas a filmes ou fenómenos da cultura pop, com os seguintes a insistir ainda mais nessa vertente. Os filmes continuam a ter um fio condutor (mesmo que por vezes pareça que não), mas o ênfase dado aos cameos é progressivamente maior à medida que os filmes avançam. No entanto, no 5º filme - reparem que a fórmula conseguiu durar quatro filmes - já se notava algum cansaço e algum esgotamento de ideias (sejamos francos, depois do terceiro era complicado superar). O twist final é muito bem conseguido e lançava boas possibilidades para o sexto.

 

Felizmente o Syfy deu a Anthony C. Ferrante e à sua equipa a hipótese de se despedirem de forma digna deste fenómeno. Só a hipótese, porque o orçamento e o tempo de produção devem ter sido mais curtos. Os efeitos especiais são os piores da saga, os cameos não são tantos, nem, de uma forma geral, tão notórios (se bem que os principais nomes são melhor aproveitados), a direcção de actores é pavorosa, a continuidade é terrível e o guião é, em muitos momentos, péssimo: Em suma, boa parte daquilo que me fez adorar Sharknado desde o primeiro momento. A primeira meia-hora é bastante bem conseguida (não conseguia parar de rir) e, depois de momentos meh (ou abaixo disso), o final é completamente "fora" e, sendo a despedida, puxa (genuinamente) à lágrima - com uma participação completamente inesperada. Não sendo o meu preferido (3) nem o melhor da saga (consenso geral vai para o primeiro, eu digo o 2), é uma conclusão minimamente satisfatória para uma saga que, felizmente, termina aqui.

 

Tive a sorte de ver os cinco primeiros em sala, a convite do canal (a quem agradeço - foram sempre sessões muito animadas, especialmente a primeira - quem lá esteve sabe do que estou a falar). O último, The Last Sharknado: It’s About Time!, passa hoje, dia 23 de Agosto, às 22:15, no Syfy. Merecia, no mínimo, uma festa de despedida - que teremos de ser nós a fazer, no conforto do nosso lar.

 

Fico à espera do remake hollywoodesco com o The Rock.

05
Ago18

Orange is the New Black T6: Saber quando acabar

Manuel Reis

Orange Is The New Black: 6ª Temporada no Netflix

[Spoilers em relação às temporadas anteriores de OITNB]

 

As séries de sucesso crítico e comercial têm, na sua larga maioria, um problema grave: prolongam-se eternamente no tempo sem que ninguém ponha mão. Isso causa várias situações complicadas para serem resolvidas por quem escreve a série, nomeadamente dar um rumo à mesma. É um problema comum, que acontece, sobretudo, quando a série não tem um end-game bem definido.

 

Ora, o que é que isto tem a ver com Orange Is The New Black (OITNB) e com a sua sexta temporada (que estreou na semana passada no Netflix)? Alguma coisa. A série, que continua a expôr muito bem os problemas das reclusas (alguns específicos para a realidade americana mas, no geral, aplicáveis um pouco por todo o mundo), afasta-se da prisão de segurança mínima (depois dos eventos da temporada passada, era esperado), troca boa parte do elenco secundário por novas personagens e consegue, muito mais facilmente do que nas temporadas anteriores, pôr o espectador a acompanhar as múltiplas storylines de cada episódio.

 

O que foi feito na temporada anterior (toda passada durante três dias, durante um motim) foi o melhor para a série por vários motivos: porque, após a quarta temporada, sentia-se algum esgotamento de ideias mas, sobretudo, porque iria ter implicações em futuras temporadas. Nada podia ser o mesmo depois do motim. Como bónus, a T6 de OITNB começa a dar sinais de final da série. Por muito que a série faça um serviço importante (a história da Taystee, que dá continuidade à temporada passada, é sinal disso), acredito que é mais interessante que uma série possa acabar nos seus próprios termos.

 

OITNB vai regressar no próximo ano para a sua sétima - e, acredito, última - temporada. Espero que resolvam a questão das referências a assuntos correntes - é que esta temporada tem muitas e não se deviam esquecer de que a série se passa algures entre 2013 e 2015.

27
Abr18

Westworld e As Vozes da Dolores

Manuel Reis

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Westworld regressou. O que é que isso significa? Que, semanalmente, temos uma série sobre a qual temos teorias para debater, personagens que nos fazem pensar (e outras que nos fazem desesperar de tanto pretensiosismo, ou ambos), múltiplas (demasiadas?) timelines e labirintos (se são metafóricos ou não, vou-vos deixar na dúvida). Isto quer dizer que, durante as próximas 9 semanas, temos tópico de conversa mais do que garantido - ao contrário de outras séries cuja popularidade explodiu recentemente mas que, em circunstâncias normais, há-de acalmar nas próximas semanas. (Sim, estou a falar de La Casa de Papel, que ainda não vi nem planeio ver nos dias que vêm: demasiadas séries, pouco tempo, e esse tempo torna-se mais escasso devido ao que vão ler a seguir.)

 

Isto tudo para dizer o quê? Que estou a fazer um podcast sobre Westworld. O nome (e estou à vontade para dizer isto, porque não fui eu que me lembrei dele) é absolutamente brilhante - As Vozes da Dolores - e é exactamente o mesmo formato d' A Cabeça do Ned, o meu outro podcast sobre Game of Thrones. (que está parado porque… Bem, não há série até 2019.) Torna-se ainda melhor porque, desta vez, a Marta Gomes da Silva (a pessoa mais vezes convidada d' A Cabeça) estará em todos os episódios (menos um), efectivamente sendo a co-host do projecto. Como bónus, e apesar de começarmos isto na segunda temporada, gravámos 10 episódios mais curtos em que falamos da primeira temporada da série, depois de a termos revisto.

 

Estamos no iTunes, no Mixcloud e no YouTube - onde adicionamos à loucura alguns bónus visuais. Também podem subscrever o feed directamente na vossa app de podcasts preferida. Passem também pelo nosso Facebook, onde vamos partilhando links sobre a série e sobre os episódios. Deixem feedback! É muito importante para nós.

 

Se são fãs de Westworld, ouçam As Vozes da Dolores. Prometemos elogiar o que achamos bom, gozar com o que achamos ridículo, contar as mortes do Teddy (para quem não vê a série, é tipo o que acontecia ao Pedro Granger há uns anos) e questionar a nossa existência e convivência com robots.

 

Se nunca viram Westworld, experimentem! Vejam o primeiro episódio e ouçam As Vozes da Dolores logo a seguir. Eu sei, a série pode ser (é) confusa. Eu e a Marta tentamos ajudar a que seja menos.

06
Mar18

Óscares: Ainda me estou a auto-flagelar por ter errado Melhor Filme

Manuel Reis

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Depois de falar sobre a triste experiência, está na altura de varrer o chão, apanhar o boletim das apostas e ver que…

 

Porra. Errei Melhor Filme.

 

Não sendo a primeira vez que preenchi o ballot, este foi (sem dúvida) o mais dedicado que preenchi. Tentei ver os filmes que consegui, ponderar sobre as hipóteses, pensar para além da qualidade dos filmes (há muita política envolvida) e… Sabem, provavelmente voltava a apostar nos mesmos. E não posso considerar que tenha corrido totalmente mal: das 24 apostas, falhei 5. No entanto, das 19 apostas em que vi alguns dos/todos os nomeados, errei apenas 2 (Efeitos Visuais e Filme). Não está mal, só que…

 

Porra. Errei Melhor Filme.

 

A de Efeitos Visuais podia e devia ter sido prevista por mim. Afinal, o espectáculo visual que é Blade Runner 2049 ia certamente levar algo para casa, no mínimo Fotografia. E War For The Planet Of The Apes apenas teve esta nomeação. À excepção das três categorias de Curtas, Documentário e Filme Estrangeiro, que estão regularmente nesta situação, nenhum filme com apenas uma nomeação venceu.

 

Nas que fiz às cegas, podia também ter ponderado na vitória de Icarus, documentário do Netflix que está na minha watchlist há demasiado tempo e que fala do escândalo de doping na Rússia, com a política a ser um factor muito, muito forte para esta opção. No GoldDerby a hipótese Visages, Visages era demasiado forte para não ser seguro. Mas as surpresas acontecem. E nada me surpreendeu mais do que ver que…

 

Porra. Errei Melhor Filme.

 

No entanto, escrevi que podia virar para The Shape of Water. A corrida entre os dois era apertada, com Three Billboards Outside Ebbing, Missouri a vencer nos BAFTA e o filme de Guillermo del Toro a vencer o prémio dos Produtores. Este último é normalmente um bom indicador, mas as águas têm estado separadas nos últimos anos. (Em 2017, La La Land venceu nos PGA Awards e, por três minutos, também pensava que tinha vencido nos Óscares.) Dos nove, Get Out é o meu preferido, mas tinha completa noção de que esse não ia ganhar. Call Me By Your Name também já tinha perdido alguma força, Dunkirk ficou-se pelos técnicos (à semelhança de Gravity, que em 2014 venceu 7 prémios em 10 nomeações, mas 12 Years a Slave venceu Filme). Era entre estes dois. Optei pelas indicações recentes, mas parece que houve um regresso à tradição.

 

Errei Melhor Filme.

 

A cerimónia foi bastante sólida. Honestamente, não sei o que esperam da cerimónia para além da entrega de prémios. Jimmy Kimmel esteve seguro e, apesar de eu ser fã, tenho de admitir que não senti falta das referências à "contenda" com Matt Damon. O monólogo foi muito bom, Kimmel está mais forte nos temas políticos (vem de um ano em que esteve a puxar por isso no seu programa) e até gostei do momento com a "plebe" na sala de cinema. Quando é que temos oportunidade de ver o Arnie Hammer com uma pistola de cachorros quentes? Mas também: Como é que não sabia da existência de pistolas de cachorros quentes?

 

No fundo, acabou por ser uma cerimónia OK, com prémios OK, muito previsivelzinha. Funcionou bem. Venham os próximos! (E venham mais tópicos, que já estou um bocado farto deste.)

 

UPDATE: Ainda sobre a cerimónia, isto era algo que podia ter acontecido (tivesse orçamento para tal):

 

05
Mar18

Ver os Óscares foi um martírio.

Manuel Reis

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Nunca tive uma experiência de visionamento dos Óscares tão má como a deste ano. Sim, supera sair às 5 da manhã de uma sala de cinema no Amoreiras com gente bêbada a arrastar-se pelas escadas.

 

Antigamente, no tempo da RTP, só havia duas opções: Quem queria ver em directo, via e levava com comentários. Quem não queria, via um resumo na noite seguinte, já legendado. A TVI continuou com isto durante algum tempo e foi aprendendo: Com as pessoas cada vez mais a quererem ver a cerimónia original, sem úteis traduções simultâneas ou - pior - comentários desnecessários, a TVI foi dando mais espaço à cerimónia propriamente dita. Nos últimos anos só eram feitos comentários em alguns intervalos. Algo que, para quem gosta de cinema ou de ver a cerimónia dos Óscares, era absolutamente perfeito.

 

Depois veio a SIC.

 

Mas a SIC anunciou-se com uma "inovação": pela primeira vez, a cerimónia seria transmitida num dos seus canais de cabo, sem comentários desnecessários. A SIC Caras (que começou como exclusivo NOS e entretanto alargou a cobertura a outras operadoras) transmitiu a cerimónia dessa forma até ao ano passado, com a cerimónia a ser transmitida da forma "habitual" no sinal aberto. Tudo bem: mudava de canal e via a cerimónia.

 

Até este ano. Este ano decidiram fazer uma parceria com a NOS. Cartazes em todo o lado a falar no canal Óscares e que a cerimónia ia ser exibida na SIC. Hoje, vou ao site da SIC e vejo que a cerimónia ia também ser transmitida online, mas não na SIC Caras: na TV, só na SIC, e com comentários em Português. "Bem", penso eu, "isto pode dar problemas". Costumo ver os jogos da Liga Europa na SIC e estão sempre com um atraso de 30/40 segundos (por vezes mais) face à emissão televisiva. Ora, para quem quer discutir as coisas em tempo real… é chato.

 

Então pensei: vamos lá arriscar a SIC. Assim que mudei da RTP (onde tinha acabado de ver a final do Festival da Canção) para a SIC, vi logo o que ia dar. Intervalos ao ritmo americano. Os convidados em estúdio não tinham tempo para construir uma ideia. Não se conseguiam ouvir as entrevistas na red carpet por inteiro (e, às vezes, de todo).

 

…a cerimónia dos Óscares não deixa espaço para se comentar o que lá acontece.

 

Fui à procura de outros streams, directos dos EUA, mas nada: tudo o que encontrei estava sobrecarregado. "Bem", pensei eu, "vamos lá tentar ver na SIC". E até começou bem. Calados durante o monólogo do Jimmy Kimmel. Mas, durante o monólogo, ouvi qualquer coisa estranha: risos. Não eram os risos do Dolby Theater. Eram de quem estava em Carnaxide. Eles tinham via aberta. E tanto tinham via aberta que começaram a falar durante a parte final do monólogo do Jimmy, não deixando perceber a piada do jet ski que foi referida ao longo de toda a cerimónia. Saturei: fui ao site da SIC abrir o stream que eles prometiam que não tinha comentários. E não tinha. "Óptimo, vou atrasando a timeline do Twitter… Dá para gerir." Durante a cerimónia ainda me disseram "põe no canal 700", mas era só para clientes NOS e… não sou.

 

Percebi pelos comentários das pessoas que, ao longo da cerimónia, os maus timings eram recorrentes. A conta da SIC Notícias no Twitter até se armou em parva a responder às queixas. A verdade é que a cerimónia dos Óscares não deixa espaço para se comentar o que lá acontece. Para isso é que a ABC e a Academia têm (online) emissões de bastidores paralelas.

 

Além disto, a transmissão era poluída com oráculos e tickers (as barras em baixo) completamente desnecessários e com informações erradas. Algo que o canal oficial dos Óscares não devia deixar que acontecesse. Catano, têm um activo e não sabem tratar bem desse activo? Não há um mínimo de cuidado? Se há, não parece.

 

Voltando à história principal, passei para o stream à espera de que os problemas acabassem. E estava tão enganado. Durante a emissão, o stream (com boa qualidade de imagem, vá lá) era interrompido por publicidade sobreposta. (Nos intervalos, o stream só transmitia auto-promoções da SIC - quando havia publicidade, não era do stream principal, mas de vídeos que lá apareciam. Como um anúncio do YouTube.) Felizmente esses anúncios não interromperam a cerimónia… Até ao discuro de James Ivory pela vitória em Melhor Argumento Adaptado, que só ouvi pela metade.

 

Sempre me foi ensinado: "If it ain't broke, don't fix it." "Se não está partido, não o arranjes." E não só a cerimónia dos Óscares não está "partida" (pelo contrário: Kimmel volta a ser elogiado pelo segundo ano consecutivo), como o grande público tem uma compreensão e utilização cada vez maior da língua inglesa. Em 2018 é desnecessário um acompanhamento permanente da cerimónia, tal como também não é necessário aderir a todos os intervalos para passar publicidade comercial. Nunca pensei dizer isto, mas… SIC, preciso que sejam mais como a TVI, nisto. (APENAS NISTO.)

 

Sim, são muitas queixas. Mas sabem porquê? Porque os Óscares são um bom produto televisivo e têm público verdadeiramente interessado no assunto. E, quando não são um bom produto televisivo (quando foi apresentado pelas duplas Baldwin/Martin ou Franco/Hathaway, por exemplo), continuam a ser uma das principais noites de televisão do planeta. E entristece-me que um canal pague uns valentes milhares de euros para, depois, tratar o produto desta forma. É dar pérolas a porcos.

 

(Podem ler o rescaldo sobre os resultados e a cerimónia propriamente dita aqui.)

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