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Já a Seguir

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Warner muda-se para a Cinemundo, HBO Max começa a falar português

Manuel Reis, 28.06.21

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Semana interessante para os irmãos Warner (e para a irmã Warner) nos mercados lusófonos: amanhã assistimos ao início da internacionalização da HBO Max (com o lançamento na América Latina) e, por cá, um novo acordo de distribuição em cinema, com a Cinemundo.

Comecemos por cá: é uma jogada interessante de mercado a juntar-se a outra que aconteceu pouco antes do início da pandemia e que passou um pouco despercebida à altura: depois da muito pública crise entre a NOS e a Universal (a NOS Distribuição distribuia filmes da Universal, mas a NOS exibidora recusava-se a aceitar termos comerciais da produtora), a Cinemundo pegou na distribuição da Universal e ficou assim com o seu primeiro contrato com uma das big four da produção.

A Warner também ficou interessada em mudar de ares, e a distribuidora portuguesa pega no catálogo, até agora também distribuido pela NOS, a partir desta Quinta-feira, 1 de Julho. No espaço de pouco mais de um ano, a Cinemundo passa da distribuição de zero para dois dos grandes estúdios de Hollywood (a Disney mantém-se numa relação de longa data com a NOS e, depois da absorção da 20th Century pelo Rato Mickey, também com esse conjunto de estúdios), com tudo o que isso possa implicar - sobretudo a real possibilidade de se tornar na distribuidora n.º 1 em Portugal. Mas, para isso, é preciso que não aconteça o que aconteceu em 2019 com a Universal e que os filmes estreiem na cadeia que “apenas” tem cerca de 40% dos ecrãs em Portugal.

De resto, não é errado pensar que a Cinemundo não pode esperar grandes resultados dos filmes da Warner em 2021: mesmo que os filmes “só” estreiem na HBO Max nos EUA, é o suficiente para que cópias de alta qualidade desses filmes voem directamente para sites de partilha de ficheiros e, consequentemente, para as casas das pessoas. Apesar desta estratégia da HBO Max ter sido considerada uma das causas para que a AT&T tenha acelerado desfazer-se da WarnerMedia (numa espécie de fusão com a Discovery), a verdade é que - e ao contrário dos rumores - Dune irá mesmo ter estreia simultânea nos cinemas e na HBO Max (nos EUA), e essa deve ser a norma com os lançamentos até ao fim do ano (onde também se inclui o novo The Matrix).

Ainda sobre a Cinemundo, e durante a apresentação deste projecto no Pátio da Galé, há já algumas semanas, o CEO Miguel Chambel - que, num momento algo espiritual, nos pediu para imaginar as diferenças entre ver filmes por streaming e em sala de cinema* - referiu que a Cinemundo se vai esforçar para ter as janelas de exclusividade em sala bem abertas. É interessante que ele diga isto num momento em que os estúdios se preparam para, após a pandemia, terem janelas de exibição ainda mais pequenas do que as que tinham antes, desejando acelerar a entrada dos filmes em streaming e PVOD. Veremos quem ganha, mas estou genuinamente farto de não ir ao cinema. Para outros detalhes, recomendo a leitura da entrevista feita pelo grande Pedro Miguel Coelho, do Espalha-Factos.

*Infelizmente, ver filmes em streaming/no computador não é algo que a pandemia me trouxe (nem a mim, nem a outros cinéfilos). Quer porque os filmes não estreiam cá, quer porque estreiam passado um ou dois anos… é algo infelizmente habitual, que a pandemia apenas expandiu. Torna-se pior com as séries e é um dos factores que me faz dizer que o streaming chegou tarde e ainda tem muito para aprender… mas isso fica para outro dia.

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Por outro lado, amanhã (29 de Junho) é lançada a HBO Max na América Latina (LATAM - alô, Brasil!), que marca o primeiro esforço de internacionalização do serviço. E as notícias são boas: o termo “upgrading” foi usado, o que faz antever que nos vamos ver livres da actual plataforma na qual se baseia a HBO Portugal (e a espanhola, e a nórdica, etc.) e migrar para uma plataforma única em que o conteúdo muda de acordo com os países (ou seja, exactamente como todas as outras rivais fazem). Mesmo que a nova app não esteja imune a problemas (bem pelo contrário), é uma mudança bem-vinda e irá (espero) atenuar alguns dos problemas existentes com a experiência de utilizador. (Não resolve más legendas ou a publicação dos conteúdos atempadamente*, mas já é um início - desde que memorize as watchlists ou os progressos das séries.)

* É o problema já referido anteriormente em relação à Cinemundo, mas invertido: aqui há uma verticalização do negócio bem definida - quem produz, distribui e exibe são braços da mesma empresa - mas continua a existir uma resistência desnecessária a uma distribuição global simultânea. O digital é mais rápido tanto para a distribuição própria, feita legalmente, como para aquela feita à revelia das empresas - mas o verdadeiro combate à pirataria deve passar por esbater essa diferença para perto de zero, e não manter ou dilatar. A tradução demora? Traduza-se antes o que for possível, e disponibilize-se, sem tradução, algo que poderá ter tradução posteriormente (a Disney+ fez isso com o Hamilton, correu bem, e continua sem legendagem). Isso custa mais dinheiro? 4,99€ é demasiado barato para a qualidade dos conteúdos - não necessariamente da aplicação ou da usabilidade da mesma, mas parto do princípio que essa parte será resolvida.

Os preços anunciados são muito competitivos, mais baixos do que os da HBO Go local em qualquer um dos planos. (Vale a pena ver a apresentação, para ir imaginando o que nos pode sair na rifa.) Os preços brasileiros, considerando que têm a transmissão da Liga dos Campeões e não têm anúncios*, são uma autêntica pechincha.

*Serviços de streaming com anúncios são obra do demónio. Se já no YouTube a implementação é má, aqui paga-se para termos anúncios colocados fora dos breaks para publicidade, se é que os episódios têm esses breaks. Diabólico. Se estas ideias cá chegarem, evitem e paguem a subscrição por inteiro. A experiência de utilizador tem de ser a rainha.*

Mas uma notícia que talvez nos possa dizer respeito é em relação à janela de exibição de filmes no cinema: durante a apresentação, referiram que os filmes da Warner irão para a HBO Max LATAM 35 dias após a estreia no cinema. Para não nos perdermos:

  • Estados Unidos: Estreia em simultâneo com cinemas, sai do streaming após o primeiro mês para ficar exclusivamente nos cinemas que sobrarem, para eventualmente regressar ao streaming algum tempo depois;
  • LATAM: Estreia primeiro em sala, e 35 dias depois na HBO Max.

Por cá continuamos à espera - o upgrade para a HBO Max em Portugal está marcado para o segundo semestre do ano, ainda sem data específica.

Mr. Mayor T1: prometeu muito e cumpriu pouco

Como um verdadeiro Presidente da Câmara.

Manuel Reis, 07.06.21

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Apesar de vir de Tina Fey e Robert Carlock, mentes por trás de Unbreakable Kimmy Schmidt e, claro, 30 Rock, Mr. Mayor parece uma versão desintegrada de qualquer uma destas séries. Era para ter sido um spin-off de 30 Rock passado em Nova Iorque e protagonizado por Alec Baldwin, mas o actor acabou por não voltar aos fatos de Jack Donaghy e a série mudou-se para Los Angeles por exigência de Ted Danson, a nova escolha para actor principal.

Com um elenco fortíssimo, esperava-se mais - mas temos um Ted Danson ainda muito colado a The Good Place a interpretar um guião também ainda muito colado a Baldwin e ao seu personagem, um Bobby Moynihan demasiado histérico e um restante elenco que merecia melhores piadas e diálogos - para lá da veterana Holly Hunter, há Vella Lovell (Crazy Ex-Girlfriend), Kyla Kenedy (um dos muitos pontos fortes de Speechless, que merecia ter tido mais uma temporada) e Mike Cabellon, além de alguns cameos e participações especiais de colaboradores regulares de Fey.

A série acabou por ser renovada para uma segunda temporada, e há comédias da NBC com um registo interessante em resolver quaisquer solavancos que tenham no seu início (em concreto, Parks and Recreation e a versão americana de The Office* - e até 30 Rock, que começou bem melhor, mas que foi evoluindo). Há alguma esperança, mesmo com uma primeira temporada medíocre.

*Sim, The Office e P&R são da mesma casta criativa, que é diferente da de 30 Rock. Mesmo assim.

Mr. Mayor estreia hoje (7 de Junho) em Portugal, no TVCine Emotion, às 22:10. Mesmo a tempo das autárquicas.

 

Pensamentos soltos durante o bloqueio.

Manuel Reis, 16.04.21

Uma espécie de Twitter, só que não é.

22:27: O Twitter não bloqueia nem expulsa contas que, de forma activa e permanente, espalham informação falsa sobre a COVID-19 desde antes da declaração de pandemia, mesmo quando se denuncia. Mas se alguém faz uma piada com o cabelo de uma pessoa, alto e pára o baile!

23:04: Adán, que jogo de Adán! Menos um jogo, menos uma preocupação!

Sábado, 17 de Abril

13:41: A morte do Príncipe Filipe não me diria grande coisa - mas depois há todo um espectáculo televisivo à volta disso - a própria BBC foi buscar Sir David Attenborough para comentar o funeral.

14:08: Parece que o Príncipe Filipe escolheu músicas para o próprio funeral. À espera que Always Look On The Bright Side of Life seja tocada como marcha militar.

A programação habitual segue dentro de momentos.

Manuel Reis, 16.04.21

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Estimo que o Twitter se foda.

Assim, sem meias palavras. Não as merecem. Ainda há uns dias escrevi (por sinal, no Twitter - que não me deixa aceder a essa informação) algo sobre a bidimensionalidade dos conteúdos nas redes: da impossibilidade das máquinas perceberem totalmente o conteúdo do texto por não perceberem ironia, sarcasmo, uma piada. Eis a demonstração prática.

O meu "erro" foi responder a este tweet…

… a dizer que, quando ela estiver vacinada, a recepção 5G será impecável.

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E pronto, o Twitter apitou.

Mantenho o que disse. Porque também sei que, nos últimos 13 meses, tenho estado a apertar com as pessoas para usarem máscara, desinfectarem as mãos, para que se testem sempre que seja necessário, para se vacinarem assim que seja possível… Já acabei seguido até casa por um tipo que se recusava a pôr a máscara no supermercado.

Há sempre contexto. Aqui está perfeitamente presente. Não tenho culpa que um algoritmo não entenda contexto, nem que não existam moderadores humanos suficientes para esta função. Isso é obrigação do Twitter - que, se calhar, se tornou demasiado grande para a capacidade de resposta que tem.

Enquanto esta parvoíce não acaba, estou pelo Instagram a torturar um autocolante do Twitter nas Stories.

#LibertemOManel

Update, 22:11: Primeiro apelo recusado. É um pouco difícil fazer um apelo decente com um limite de 160 caracteres - abaixo do que o Twitter actualmente permite num tweet (280).

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WandaVision não é uma sitcom.

Manuel Reis, 04.03.21

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E isso torna-se óbvio, logo à partida, para quem já conhece o Marvel Cinematic Universe. Mas, para quem não conhece e cai aqui de pára-quedas… Já percebem porquê.

Primeiro, a minha atenção vai para o cuidado técnico - a todos os níveis - com que cada episódio temático foi feito, e para as referências utilizadas (I Love Lucy, The Dick Van Dyke Show, Bewitched, Good Times, That '70s Show, Family Ties, Full House, Malcom In The Middle, Modern Family, The Office, Happy Endings - só para referir algumas), que vão certamente chamar a atenção da Academia e garantir-lhe alguns prémios (em princípio será considerada uma mini-série, categoria onde irá existir forte concorrência). Sim, os penteados, o guarda-roupa e a cenografia são a faceta mais óbvia, mas os actores trabalharam as posturas que os seus colegas tinham nas respectivas épocas. A iluminação dos estúdios era a da época (com mais ou menos calor, dependendo da tecnologia) para que acertassem em cheio na fotografia. A maquilhagem foi adaptada para sobressair (quando Paul Bettany está em "modo" Vision nas cenas a preto e branco, está pintado de azul, para sobressair mais, em vez de vermelho). Tecnicamente está tudo tão, mas tão perfeito. Para quem cresceu com sitcoms de vários períodos nas noites da RTP2 (ali às 8 da noite) e é apaixonado por história da televisão, ver todo este detalhe de produção é um mimo.

Mas nada é bom sem história, e esta é uma mudança dramática para o MCU: não só representa a abertura da Fase Quatro (independentemente do adiamento de Black Widow, que se acredita ser um filme isolado) como é a primeira série produzida pela Marvel Studios, onde Kevin Feige quer, pode e manda.* E, felizmente, não segue uma estratégia adoptada por algumas das grandes séries premium dos últimos anos (como Stranger Things) ao tratar isto como “um filme de 𝑥 horas”. Em vez disso trata uma série como… uma série. Com episódios, algum isolamento narrativo entre cada um, mas avançando sempre a história maior, com o lançamento de personagens e conceitos para os próximos anos de filmes - e séries - do universo partilhado.

* Até há pouco tempo, a Marvel entregava as produções televisivas à Marvel Television - enquanto que os estúdios respondiam à Disney, a unidade de televisão respondia à liderança (um pouco mais independente) da própria Marvel. Isso explica alguma da falta de coesão de Agents of S.H.I.E.L.D. e das séries da Netflix com o restante MCU, sobretudo nas temporadas mais recentes. Sim, a terrível Inhumans, também disponível na Disney+ (caso desejem ter algumas horas de tortura) era da Marvel Television. Não havia forma daquilo passar pelas mãos de Feige e sair como saiu.

E é (quase) sempre na história que a Marvel triunfa. O oitavo episódio da série (que terá nove) oferece um momento absolutamente brilhante, daqueles que afunda o espectador que tenha criado empatia com Wanda (uma soberba Elizabeth Olsen) e com o caminho que ela percorre na série (e que já percorreu até aqui), e que é (parece-me) a génese de toda a história que a série quer contar. As interpretações de Olsen, Paul Bettany, Kathryn Hann ou Teyonah Parris, como as de algum elenco secundário (entre as quais a da inigualável Debra Jo Rupp) são incríveis, com uma performance incrível em cada episódio em que aparecem, sobretudo (como já referi) em cada uma das épocas.

A distribuição semanal, que parece uma lufada de ar fresco (quando, na verdade, é apenas a manutenção do formato com que a Disney lançou The Mandalorian e que é, muito simplesmente, o formato tradicional da televisão) é das melhores decisões tomadas. Porque uma série não é um filme, nem merece ser vista como tal. Uma série, ao contrário de um filme, permite mais tempo e espaço para que cada personagem seja desenvolvido com maior cuidado. Mesmo o lançamento semanal permite que possamos pensar e digerir melhor o que acabámos de ver em cada capítulo, ao invés de vermos seis ou sete episódios de enfiada. Permite-nos conversar, falar, dar destaque a certos momentos. O modelo binge popularizado pela Netflix pode dar jeito para ver tudo de enfiada, ou cada um ao seu ritmo - e este é, para mim, um problema. Acredito que uma série pode ser um momento social, um momento em que falamos uns com os outros sobre o que vimos durante o fim-de-semana e conversamos sobre esses episódios.

No fim de contas, vamos ter cerca de cinco a seis horas de uma história com princípio, meio e fim, em que houve muito mais tempo (e espaço) do que num filme para desenvolver uma história e para que se possa reflectir sobre ela. Não, WandaVision não é uma sitcom: é simultaneamente um tributo à história da televisão e um enorme passo em frente para o universo partilhado do qual faz parte.

O último episódio estreia esta sexta-feira, e na próxima semana estreia uma nova série da Marvel, Assemble, que irá reunir os making of do MCU daqui para a frente - em tudo semelhante ao que Disney Gallery tem sido para The Mandalorian.

 

À boleia de Borat, 5 séries para ver na Prime Video

Manuel Reis, 23.10.20

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Borat Subsequent Moviefilm: Delivery of Prodigious Bribe to American Regime for Make Benefit Once Glorious Nation of Kazakhstan, ou Borat 2, chegou hoje à Prime Video - e a curiosidade é muita, nem que seja para ver qual é o novo capítulo no cair de graça de Rudy Giuliani. Ainda não vi o filme - irei tratar disso mais logo - mas tenho usado a Prime nos últimos meses e… até estou bastante satisfeito. É, provavelmente, o segundo melhor serviço de streaming que anda por cá.

Preço e limites: 5,99€/mês, até três ecrãs em simultâneo a ver conteúdos diferentes (ou seja, não é possível estarem dois ecrãs da mesma conta a exibirem o mesmo vídeo), sempre em HD ou 4K (quando disponível nos vídeos, se a rede deixar e se o dispositivo suportar), com qualidade estável (pelas minhas experiências, mais estável do que a Netflix). Claro, este é o preço do Prime Video a solo, sem Amazon Prime, num país que tem sido (de uma forma geral) ignorado pela empresa de Bezos. (Se calhar, ainda bem.)

O player tem o bónus de estar ligado ao IMDb (que pertence à Amazon) e carrega não só a ficha técnica do episódio, como também os actores presentes na cena que estamos a ver… e algum trivia. Tal como na Netflix, a pesquisa também é turbo-carregada, não nos mostrando apenas os títulos óbvios para aquilo que queremos encontrar, mas também os que tiverem algum tipo de relação com aquilo que procuramos. A interface, no geral, é muito dentro do habitual neste tipo de serviços.

O grande calcanhar de Aquiles é a localização para português de Portugal, que é fraca ou inexistente (para além das taxas, também já se legislava isto), sobretudo em produções mais antigas ou publicadas há mais tempo - lá está, ignorados pela Amazon. Outro ponto negativo é a organização de séries - cada temporada tem um registo individual e aparece como resultado único, a fazer lembrar DVDs individuais das temporadas - embora, durante a visualização e consulta das fichas, estejam ligadas entre si. Mesmo assim, pode-se dar o caso de fazerem um site especial - como aconteceu com The Boys - e a ligação na lista de "Watch next" perde-se.

Pelo que vi no Twitter quando anunciaram Borat 2, há algum interesse no filme, e até alguma abertura para experimentar o serviço da Amazon e ver no que dá. Ora, dou-vos aqui cinco bons motivos para a subscreverem - e, assim, pagarem mais um serviço… ou, pelo menos, passarem a subscrever este em vez de um que nos faz ter vontade de atirar o comando à televisão.

"Futebol é vida." Ted Lasso é amor.

Manuel Reis, 09.10.20

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[SEM SPOILERS] Hoje não há um novo episódio de Ted Lasso. E isso deixa-me profundamente triste - embora saiba perfeitamente que a série terminou na semana passada e que vai voltar para uma segunda temporada. Mas vai aparecer em várias listas das melhores séries do ano, com toda a justiça.

E surgiu num momento crucial de 2020 (sim, ainda estamos em 2020).* Com o período eleitoral a decorrer nos EUA (e com tudo o que o resultado final possa significar para os efeitos causados no mundo), com uma pandemia que não dá tréguas e com as estreias de novas temporadas adiadas para daqui a semanas ou meses, esta produção da Apple TV+ ganhou um merecido espaço para se mostrar e exibir uma abordagem diferente.

* Também num momento crucial da minha vida, mas isso é outra história.

Tudo o que precisam de saber sobre a história: Ted Lasso (Jason Sudeikis, Saturday Night Live) é um treinador de futebol americano que é escolhido pela nova dona (Hannah Waddingham, Game of Thrones) de um clube da Premier League para treinar uma equipa de futebol (futebol a sério).

A série podia ser uma simples paródia, um desenvolvimento do personagem de acordo com os sketches que lhe deram origem. Mas foi num sentido completamente oposto, a colocar alguma profundidade no personagem e nas histórias que lhe acompanham. É um tratado contra alguns estereótipos, uma história humana, que joga contra a maré e nos dá um olhar de esperança, com uma interpretação formidável de Sudeikis (há quem lhe antecipe o Emmy), ladeado por um elenco bem acima do competente.

As sequências de futebol não são grande coisa, e é o único ponto da série que talvez pudesse pedir uma melhoria significativa em novas temporadas (e isso sente-se particularmente no final desta). Mas, será que é mesmo necessário? Porque não distrai assim tanto das histórias que a série conta - não apenas as que envolvem Ted, mas todos os outros personagens (mais uma vez, com um determinado personagem a ganhar uma enorme profundidade nas cenas finais do último episódio).

A primeira temporada de Ted Lasso está na Apple TV+, e a segunda vem a caminho, com a série a ter bastante destaque nas mais recentes apresentações da empresa de Cupertino. Experimentem a plataforma, tem boas séries (adorei For All Mankind) e bons filmes originais - e ainda ontem foi anunciada uma extensão dos períodos gratuitos.

 

É preciso falar de saúde mental.

Manuel Reis, 23.06.20

Escrevi uma versão disto ontem à noite, no Twitter, enquanto via o penúltimo episódio da 5.ª temporada de Mad Men (ando a ver a série e, sem grandes spoilers, foi algo irónico ter calhado nesta altura). Fica aqui, com algumas edições para o tornar mais coeso.

Se calhar, em vez de criminologistas, astrólogos, homeopatas, "nutricionistas" que tiraram o curso no Instagram, ou nos códigos das marcas ou vendedores de banha da cobra (literalmente)… se calhar os programas de daytime podiam começar a apostar a sério em falar de saúde mental.

Mas, siga; é o ciclo do costume de "suicida-se um famoso, ai que pena, coitadinho, coitadinha da família, ninguém sabia de nada, ninguém percebia nada", discute-se um bocado de que lado está a razão, noticia-se o método de forma muito específica e sem querer saber das repercussões que pode ter e segue-se em frente. A verdadeira contribuição para a ajuda fica para outro dia. Se é que aparece, de todo.

Não consigo condenar uma pessoa que se mate. Eu não sei o que vai na vossa cabeça. (Às vezes nem sei o que vai na minha.) Mais depressa lhe chamo um acto de coragem - que também não é uma descrição positiva, parece-me um bocado romântica.

Mas a verdade é que é preciso alguma dose de coragem. E não ir em diante não é nenhum sinal de cobardia. É querer tentar outra vez. Tal como falhar e viver para contar a história não é nenhum sinal de incompetência; é… sorte. (Ver isto pelo lado positivo.)

Eu acredito que um suicídio por doença mental é, ou devia ser, uma morte evitável. É isso que custa mais nesta situação: ver um tipo, que até me parecer ter uma vida minimamente boa, que é bem referenciado por todos os que o rodeiam (nunca o conheci nem falei com ele, mas tinha boa impressão), a apagar-se, assim.

Mas essa decisão só é tomada aliada a um grande nível de desespero, e de cansaço desse desespero. Físico ou - no caso deste monólogo - mental. E esse cansaço aumenta, e aumenta, e aumenta. Porque falar sobre isso "é um sinal de fraqueza".

Não é.

O tabu tem de acabar. E é aí que a televisão tem de entrar. Televisão a sério. Isto aqui na net é muito giro, mas a televisão continua a ter um poder MUITO mais abrangente. O que passa lá vem para aqui. Claro, o que escrevo aqui de nada vale se não passarem por lá especialistas devidamente credenciados - psicólogos, psiquiatras, etc. - que desfaçam o bicho de sete cabeças.

Em resumo, algumas coisas que vou repetindo a mim mesmo para manter a sanidade mental:

  • nunca estás sozinho;
  • não há vergonha nenhuma em falar disto;
  • haverá sempre um caminho;
  • pede ajuda;
  • o que os outros pensam de ti? Que se f*dam os outros.

Gostava de evitar o vídeo do cão, mas é a melhor metáfora audiovisual que encontrei até hoje.

À conversa com Dale Mayeda (Frozen II, Big Hero 6)

Manuel Reis, 18.05.20

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No tempo em que dava para fazer viagens intercontinentais (ou apenas até ao concelho ao lado), Dale Mayeda passou pela SiNFO para uma apresentação, e o Manuel foi conversar com ele sobre a vida na Disney, trabalhos mais recentes… E Armageddon.

A apresentação referida na conversa, bem como uma outra apresentação de Hannes Poser (Image Engine, que fez efeitos visuais dos dragões em Game of Thrones - coisa pouca) pode ser vista aqui.

Há agora outra forma de saberem de novos episódios do Já a Seguir: uma newsletter no e-mail. Sairá sempre com um novo episódio do podcast (não será mais do que uma vez por semana) e terá um resumo dos posts publicados entretanto… se sair algum. Podem subscrever a newsletter neste link.

Parks and Recreation regressou para nos aquecer o coração

Precisamos de mais Leslies Knope no mundo

Manuel Reis, 01.05.20

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Parks and Recreation deixou saudades, com as sete temporadas em que esteve no ar. Há uma semana, fiquei muito feliz com a notícia de que o elenco da série - o grupo central da terceira temporada para a frente, sem Paul Schneider (lembram-se do Mark?) - se ia reunir para um especial gravado na casa de cada um. E foi… Bom. O estabelecimento dos personagens no primeiro acto (onde estão, porque é que estão naquele local) não pareceu tão forçado quanto podia ter sido, o episódio foi bem integrado no universo da série (tanto com a ferramenta usada para o videochat como tudo o que acontece durante o segundo acto), e a história (mesmo sendo simples) foi muito bem definida, não parecendo tanto uma colagem entre diferentes pessoas - a montagem ajudou. Foi um grande trabalho, com boas audiências - se os envolvidos não estivessem todos ocupados com vários projectos distintos, talvez se pudesse equacionar uma nova temporada de uma forma mais séria. Mesmo assim, são 24 minutos de televisão em que vale a pena pegar - sobretudo se são fãs da série. Se nunca a viram, as sete temporadas estão no Prime Video da Amazon.

O objectivo do especial era recolher fundos para a Feeding America, uma organização norte-americana com um propósito em tudo semelhante ao Banco Alimentar Contra a Fome. Apoiem a Rede de Emergência Alimentar portuguesa - saibam mais aqui.