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Já a Seguir

08
Set18

Comic Con Portugal 2018, dia 3: Outra vez Maurício, Lisbon Film Orchestra, sub-aproveitamentos e compras!

Manuel Reis

O dia 3 da Comic Con começou com um susto da chuva, mas prolongou-se para ver a maior enchente do recinto, até agora. A Beatriz Silva fez-me companhia para falar deste dia e de tudo o que se passou, que incluiu chamadas Skype, Filipes Melo e Homem Fonseca e uma revelação muito especial feita por Nuno Sá, maestro da Lisbon Film Orchestra!

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07
Set18

Comic Con Portugal 2018, dia 2: Fogler, Hoult, Claremont, Maurício, críticas e elogios fortes

Manuel Reis

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A sexta-feira trouxe ao segundo dia da Comic Con mais algum movimento do que o do dia anterior, mais algum cosplay, mas a sensação de que acabou a calma antes da tempestade. Para trazer outras perspectivas - até porque não somos omnipresentes - convidei a Daniela Azevedo, do Sbroing, para me ajudar. Pudemos falar um pouco de Dan Fogler (a promover a sequela de Monstros Fantásticos, mas que também podem conhecer de Fanboys ou The Goldbergs), Nicholas Hoult (X-Men: Dark Phoenix), Chris Claremont (escritor de X-Men durante 16 anos) e Maurício de Sousa - com quem nenhum de nós falou hoje, mas com quem já estivemos antes e que é, certamente, uma figura maior desta edição. Explorámos já alguns aspectos positivos e negativos. Deu conversa, 40 minutos! Está tudo aqui.

 

07
Set18

Comic Con Portugal 2018, dia 1: Dichen Lachman e primeiras impressões

Manuel Reis

iPhone - Foto 2018-09-06 19_00_49.jpeg

 Vai em áudio por vários motivos, mas sobretudo por estes: estou demasiado cansado (para além da visita à CCPT, ainda tenho estado a fazer outras coisas - felizmente, os próximos dias já serão mais calmos) e quero experimentar algo. Sim, o áudio está cru e só levou uma edição básica. É o que há, de momento. Vou tentar que o próximo seja mais rico (e que o cansaço não me apague o entusiasmo). Um muito obrigado ao Aberto Até de Madrugada pelo convite para ir à CCPT pelo blog!

(Ah, aquilo ali em cima? Misturei canais de TV e lutei contra um Zombie de Torres Vedras da Fox - que transmite The Walking Dead em Portugal - na arena do AMC - que produz The Walking Dead e que transmite o seu spin-off, Fear The Walking Dead. O Zombie de Torres Vedras ganhou! Foi algo completamente orgânico, mas que foi uma experiência absolutamente brutal! 😃)

 

23
Ago18

O Último Sharknado: o Fin de uma era

Manuel Reis

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[Sem spoilers] “É tão mau que é bom” é a expressão normalmente associada aos filmes do Syfy: terríveis, com actores quase esquecidos, pouco talentosos ou em início de carreira (qualquer uma das seis combinações possíveis entre as opções, na verdade), efeitos especiais super-manhosos e, com sorte, um ou outro cameo de alguém relevante no último ano. É um bom resumo daquilo que o canal de vamos-dizer-que-é-ficção-científica (para ser justo, nos últimos anos, voltou a ser mais) faz várias vezes, especialmente durante o Verão.

 

Mas o fenómeno Sharknado é algo à parte. Sim, começou com uma encomenda habitual à Asylum: Dêem-nos um filme, têm este orçamento minúsculo e este calendário para o produzir. E é uma história típica do Syfy: um tornado com tubarões. É difícil explicar o que destacou Sharknado de um Tubarão com 3 Cabeças ou de outras ideias terríveis. Fin (Ian Ziering, conhecido pelo seu passado em Beverly Hills, 90210), é um homem numa missão: salvar a sua família e, se conseguir, os seus amigos. Tara Reid (sensação dos filmes de adolescentes entre 1998 e 2003, incluindo os clássicos American Pie e Van Wilder) é April, a ex-companheira dele. Depois há tubarões e moto-serras. É tudo o que precisam de saber para ver o primeiro, que tem um ritmo bastante diferente dos seguintes.

 

Após uma notória subida de orçamento, o segundo filme muda a abordagem de um filme que segue, sobretudo, a história dos personagens para algo que começa a incluir referências directas a filmes ou fenómenos da cultura pop, com os seguintes a insistir ainda mais nessa vertente. Os filmes continuam a ter um fio condutor (mesmo que por vezes pareça que não), mas o ênfase dado aos cameos é progressivamente maior à medida que os filmes avançam. No entanto, no 5º filme - reparem que a fórmula conseguiu durar quatro filmes - já se notava algum cansaço e algum esgotamento de ideias (sejamos francos, depois do terceiro era complicado superar). O twist final é muito bem conseguido e lançava boas possibilidades para o sexto.

 

Felizmente o Syfy deu a Anthony C. Ferrante e à sua equipa a hipótese de se despedirem de forma digna deste fenómeno. Só a hipótese, porque o orçamento e o tempo de produção devem ter sido mais curtos. Os efeitos especiais são os piores da saga, os cameos não são tantos, nem, de uma forma geral, tão notórios (se bem que os principais nomes são melhor aproveitados), a direcção de actores é pavorosa, a continuidade é terrível e o guião é, em muitos momentos, péssimo: Em suma, boa parte daquilo que me fez adorar Sharknado desde o primeiro momento. A primeira meia-hora é bastante bem conseguida (não conseguia parar de rir) e, depois de momentos meh (ou abaixo disso), o final é completamente "fora" e, sendo a despedida, puxa (genuinamente) à lágrima - com uma participação completamente inesperada. Não sendo o meu preferido (3) nem o melhor da saga (consenso geral vai para o primeiro, eu digo o 2), é uma conclusão minimamente satisfatória para uma saga que, felizmente, termina aqui.

 

Tive a sorte de ver os cinco primeiros em sala, a convite do canal (a quem agradeço - foram sempre sessões muito animadas, especialmente a primeira - quem lá esteve sabe do que estou a falar). O último, The Last Sharknado: It’s About Time!, passa hoje, dia 23 de Agosto, às 22:15, no Syfy. Merecia, no mínimo, uma festa de despedida - que teremos de ser nós a fazer, no conforto do nosso lar.

 

Fico à espera do remake hollywoodesco com o The Rock.

05
Ago18

Orange is the New Black T6: Saber quando acabar

Manuel Reis

Orange Is The New Black: 6ª Temporada no Netflix

[Spoilers em relação às temporadas anteriores de OITNB]

 

As séries de sucesso crítico e comercial têm, na sua larga maioria, um problema grave: prolongam-se eternamente no tempo sem que ninguém ponha mão. Isso causa várias situações complicadas para serem resolvidas por quem escreve a série, nomeadamente dar um rumo à mesma. É um problema comum, que acontece, sobretudo, quando a série não tem um end-game bem definido.

 

Ora, o que é que isto tem a ver com Orange Is The New Black (OITNB) e com a sua sexta temporada (que estreou na semana passada no Netflix)? Alguma coisa. A série, que continua a expôr muito bem os problemas das reclusas (alguns específicos para a realidade americana mas, no geral, aplicáveis um pouco por todo o mundo), afasta-se da prisão de segurança mínima (depois dos eventos da temporada passada, era esperado), troca boa parte do elenco secundário por novas personagens e consegue, muito mais facilmente do que nas temporadas anteriores, pôr o espectador a acompanhar as múltiplas storylines de cada episódio.

 

O que foi feito na temporada anterior (toda passada durante três dias, durante um motim) foi o melhor para a série por vários motivos: porque, após a quarta temporada, sentia-se algum esgotamento de ideias mas, sobretudo, porque iria ter implicações em futuras temporadas. Nada podia ser o mesmo depois do motim. Como bónus, a T6 de OITNB começa a dar sinais de final da série. Por muito que a série faça um serviço importante (a história da Taystee, que dá continuidade à temporada passada, é sinal disso), acredito que é mais interessante que uma série possa acabar nos seus próprios termos.

 

OITNB vai regressar no próximo ano para a sua sétima - e, acredito, última - temporada. Espero que resolvam a questão das referências a assuntos correntes - é que esta temporada tem muitas e não se deviam esquecer de que a série se passa algures entre 2013 e 2015.

27
Abr18

Westworld e As Vozes da Dolores

Manuel Reis

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Westworld regressou. O que é que isso significa? Que, semanalmente, temos uma série sobre a qual temos teorias para debater, personagens que nos fazem pensar (e outras que nos fazem desesperar de tanto pretensiosismo, ou ambos), múltiplas (demasiadas?) timelines e labirintos (se são metafóricos ou não, vou-vos deixar na dúvida). Isto quer dizer que, durante as próximas 9 semanas, temos tópico de conversa mais do que garantido - ao contrário de outras séries cuja popularidade explodiu recentemente mas que, em circunstâncias normais, há-de acalmar nas próximas semanas. (Sim, estou a falar de La Casa de Papel, que ainda não vi nem planeio ver nos dias que vêm: demasiadas séries, pouco tempo, e esse tempo torna-se mais escasso devido ao que vão ler a seguir.)

 

Isto tudo para dizer o quê? Que estou a fazer um podcast sobre Westworld. O nome (e estou à vontade para dizer isto, porque não fui eu que me lembrei dele) é absolutamente brilhante - As Vozes da Dolores - e é exactamente o mesmo formato d' A Cabeça do Ned, o meu outro podcast sobre Game of Thrones. (que está parado porque… Bem, não há série até 2019.) Torna-se ainda melhor porque, desta vez, a Marta Gomes da Silva (a pessoa mais vezes convidada d' A Cabeça) estará em todos os episódios (menos um), efectivamente sendo a co-host do projecto. Como bónus, e apesar de começarmos isto na segunda temporada, gravámos 10 episódios mais curtos em que falamos da primeira temporada da série, depois de a termos revisto.

 

Estamos no iTunes, no Mixcloud e no YouTube - onde adicionamos à loucura alguns bónus visuais. Também podem subscrever o feed directamente na vossa app de podcasts preferida. Passem também pelo nosso Facebook, onde vamos partilhando links sobre a série e sobre os episódios. Deixem feedback! É muito importante para nós.

 

Se são fãs de Westworld, ouçam As Vozes da Dolores. Prometemos elogiar o que achamos bom, gozar com o que achamos ridículo, contar as mortes do Teddy (para quem não vê a série, é tipo o que acontecia ao Pedro Granger há uns anos) e questionar a nossa existência e convivência com robots.

 

Se nunca viram Westworld, experimentem! Vejam o primeiro episódio e ouçam As Vozes da Dolores logo a seguir. Eu sei, a série pode ser (é) confusa. Eu e a Marta tentamos ajudar a que seja menos.

06
Mar18

Óscares: Ainda me estou a auto-flagelar por ter errado Melhor Filme

Manuel Reis

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Depois de falar sobre a triste experiência, está na altura de varrer o chão, apanhar o boletim das apostas e ver que…

 

Porra. Errei Melhor Filme.

 

Não sendo a primeira vez que preenchi o ballot, este foi (sem dúvida) o mais dedicado que preenchi. Tentei ver os filmes que consegui, ponderar sobre as hipóteses, pensar para além da qualidade dos filmes (há muita política envolvida) e… Sabem, provavelmente voltava a apostar nos mesmos. E não posso considerar que tenha corrido totalmente mal: das 24 apostas, falhei 5. No entanto, das 19 apostas em que vi alguns dos/todos os nomeados, errei apenas 2 (Efeitos Visuais e Filme). Não está mal, só que…

 

Porra. Errei Melhor Filme.

 

A de Efeitos Visuais podia e devia ter sido prevista por mim. Afinal, o espectáculo visual que é Blade Runner 2049 ia certamente levar algo para casa, no mínimo Fotografia. E War For The Planet Of The Apes apenas teve esta nomeação. À excepção das três categorias de Curtas, Documentário e Filme Estrangeiro, que estão regularmente nesta situação, nenhum filme com apenas uma nomeação venceu.

 

Nas que fiz às cegas, podia também ter ponderado na vitória de Icarus, documentário do Netflix que está na minha watchlist há demasiado tempo e que fala do escândalo de doping na Rússia, com a política a ser um factor muito, muito forte para esta opção. No GoldDerby a hipótese Visages, Visages era demasiado forte para não ser seguro. Mas as surpresas acontecem. E nada me surpreendeu mais do que ver que…

 

Porra. Errei Melhor Filme.

 

No entanto, escrevi que podia virar para The Shape of Water. A corrida entre os dois era apertada, com Three Billboards Outside Ebbing, Missouri a vencer nos BAFTA e o filme de Guillermo del Toro a vencer o prémio dos Produtores. Este último é normalmente um bom indicador, mas as águas têm estado separadas nos últimos anos. (Em 2017, La La Land venceu nos PGA Awards e, por três minutos, também pensava que tinha vencido nos Óscares.) Dos nove, Get Out é o meu preferido, mas tinha completa noção de que esse não ia ganhar. Call Me By Your Name também já tinha perdido alguma força, Dunkirk ficou-se pelos técnicos (à semelhança de Gravity, que em 2014 venceu 7 prémios em 10 nomeações, mas 12 Years a Slave venceu Filme). Era entre estes dois. Optei pelas indicações recentes, mas parece que houve um regresso à tradição.

 

Errei Melhor Filme.

 

A cerimónia foi bastante sólida. Honestamente, não sei o que esperam da cerimónia para além da entrega de prémios. Jimmy Kimmel esteve seguro e, apesar de eu ser fã, tenho de admitir que não senti falta das referências à "contenda" com Matt Damon. O monólogo foi muito bom, Kimmel está mais forte nos temas políticos (vem de um ano em que esteve a puxar por isso no seu programa) e até gostei do momento com a "plebe" na sala de cinema. Quando é que temos oportunidade de ver o Arnie Hammer com uma pistola de cachorros quentes? Mas também: Como é que não sabia da existência de pistolas de cachorros quentes?

 

No fundo, acabou por ser uma cerimónia OK, com prémios OK, muito previsivelzinha. Funcionou bem. Venham os próximos! (E venham mais tópicos, que já estou um bocado farto deste.)

 

UPDATE: Ainda sobre a cerimónia, isto era algo que podia ter acontecido (tivesse orçamento para tal):

 

05
Mar18

Ver os Óscares foi um martírio.

Manuel Reis

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Nunca tive uma experiência de visionamento dos Óscares tão má como a deste ano. Sim, supera sair às 5 da manhã de uma sala de cinema no Amoreiras com gente bêbada a arrastar-se pelas escadas.

 

Antigamente, no tempo da RTP, só havia duas opções: Quem queria ver em directo, via e levava com comentários. Quem não queria, via um resumo na noite seguinte, já legendado. A TVI continuou com isto durante algum tempo e foi aprendendo: Com as pessoas cada vez mais a quererem ver a cerimónia original, sem úteis traduções simultâneas ou - pior - comentários desnecessários, a TVI foi dando mais espaço à cerimónia propriamente dita. Nos últimos anos só eram feitos comentários em alguns intervalos. Algo que, para quem gosta de cinema ou de ver a cerimónia dos Óscares, era absolutamente perfeito.

 

Depois veio a SIC.

 

Mas a SIC anunciou-se com uma "inovação": pela primeira vez, a cerimónia seria transmitida num dos seus canais de cabo, sem comentários desnecessários. A SIC Caras (que começou como exclusivo NOS e entretanto alargou a cobertura a outras operadoras) transmitiu a cerimónia dessa forma até ao ano passado, com a cerimónia a ser transmitida da forma "habitual" no sinal aberto. Tudo bem: mudava de canal e via a cerimónia.

 

Até este ano. Este ano decidiram fazer uma parceria com a NOS. Cartazes em todo o lado a falar no canal Óscares e que a cerimónia ia ser exibida na SIC. Hoje, vou ao site da SIC e vejo que a cerimónia ia também ser transmitida online, mas não na SIC Caras: na TV, só na SIC, e com comentários em Português. "Bem", penso eu, "isto pode dar problemas". Costumo ver os jogos da Liga Europa na SIC e estão sempre com um atraso de 30/40 segundos (por vezes mais) face à emissão televisiva. Ora, para quem quer discutir as coisas em tempo real… é chato.

 

Então pensei: vamos lá arriscar a SIC. Assim que mudei da RTP (onde tinha acabado de ver a final do Festival da Canção) para a SIC, vi logo o que ia dar. Intervalos ao ritmo americano. Os convidados em estúdio não tinham tempo para construir uma ideia. Não se conseguiam ouvir as entrevistas na red carpet por inteiro (e, às vezes, de todo).

 

…a cerimónia dos Óscares não deixa espaço para se comentar o que lá acontece.

 

Fui à procura de outros streams, directos dos EUA, mas nada: tudo o que encontrei estava sobrecarregado. "Bem", pensei eu, "vamos lá tentar ver na SIC". E até começou bem. Calados durante o monólogo do Jimmy Kimmel. Mas, durante o monólogo, ouvi qualquer coisa estranha: risos. Não eram os risos do Dolby Theater. Eram de quem estava em Carnaxide. Eles tinham via aberta. E tanto tinham via aberta que começaram a falar durante a parte final do monólogo do Jimmy, não deixando perceber a piada do jet ski que foi referida ao longo de toda a cerimónia. Saturei: fui ao site da SIC abrir o stream que eles prometiam que não tinha comentários. E não tinha. "Óptimo, vou atrasando a timeline do Twitter… Dá para gerir." Durante a cerimónia ainda me disseram "põe no canal 700", mas era só para clientes NOS e… não sou.

 

Percebi pelos comentários das pessoas que, ao longo da cerimónia, os maus timings eram recorrentes. A conta da SIC Notícias no Twitter até se armou em parva a responder às queixas. A verdade é que a cerimónia dos Óscares não deixa espaço para se comentar o que lá acontece. Para isso é que a ABC e a Academia têm (online) emissões de bastidores paralelas.

 

Além disto, a transmissão era poluída com oráculos e tickers (as barras em baixo) completamente desnecessários e com informações erradas. Algo que o canal oficial dos Óscares não devia deixar que acontecesse. Catano, têm um activo e não sabem tratar bem desse activo? Não há um mínimo de cuidado? Se há, não parece.

 

Voltando à história principal, passei para o stream à espera de que os problemas acabassem. E estava tão enganado. Durante a emissão, o stream (com boa qualidade de imagem, vá lá) era interrompido por publicidade sobreposta. (Nos intervalos, o stream só transmitia auto-promoções da SIC - quando havia publicidade, não era do stream principal, mas de vídeos que lá apareciam. Como um anúncio do YouTube.) Felizmente esses anúncios não interromperam a cerimónia… Até ao discuro de James Ivory pela vitória em Melhor Argumento Adaptado, que só ouvi pela metade.

 

Sempre me foi ensinado: "If it ain't broke, don't fix it." "Se não está partido, não o arranjes." E não só a cerimónia dos Óscares não está "partida" (pelo contrário: Kimmel volta a ser elogiado pelo segundo ano consecutivo), como o grande público tem uma compreensão e utilização cada vez maior da língua inglesa. Em 2018 é desnecessário um acompanhamento permanente da cerimónia, tal como também não é necessário aderir a todos os intervalos para passar publicidade comercial. Nunca pensei dizer isto, mas… SIC, preciso que sejam mais como a TVI, nisto. (APENAS NISTO.)

 

Sim, são muitas queixas. Mas sabem porquê? Porque os Óscares são um bom produto televisivo e têm público verdadeiramente interessado no assunto. E, quando não são um bom produto televisivo (quando foi apresentado pelas duplas Baldwin/Martin ou Franco/Hathaway, por exemplo), continuam a ser uma das principais noites de televisão do planeta. E entristece-me que um canal pague uns valentes milhares de euros para, depois, tratar o produto desta forma. É dar pérolas a porcos.

 

(Podem ler o rescaldo sobre os resultados e a cerimónia propriamente dita aqui.)

04
Mar18

Óscares: Apostas e notas rápidas nos nomeados a Melhor Filme

Manuel Reis

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Pela primeira vez na minha vida, propus-me a ver todos os nomeados para Melhor Filme, mais alguns que, não estando nomeados para Melhor Filme, também me chamaram a atenção. E consegui! No momento de publicação deste post, e dos 59 filmes nomeados, vi 20 (metade em sala), equivalendo a 77 nomeações (63,1% do total). Infelizmente não dá para ver tudo, quer por tempo, quer por limitações de acesso.

 

Antes, no entanto, uma menção honrosa para I, Tonya, que devia estar na lista de nomeados a Melhor Filme. Existem duas nomeações que são particularmente merecedoras de atenção: A de Montagem (não vai ganhar, mas o filme está maravilhosamente bem editado) e, obviamente, a de Actriz Secundária. A primeira metade do filme é de Allison Janney, e a presença dela sente-se durante o resto. Janney já domina a televisão há quase 20 anos (7 Emmys em 13 nomeações, pelo menos 2 em cada uma das séries - The West Wing e Mom - da qual fez parte a tempo inteiro) e acaba por ser estranho que só agora ela esteja a ter a atenção que já merecia há muito tempo do lado cinematográfico.

 

Call Me By Your Name: O primeiro meh desta lista. A história é bonita, está bem interpretado, mas sinto que o filme se arrastou demasiado tempo. Tem um dos melhores monólogos desta lista de nomeados. Considerando a força que tem tido ao longo desta época de prémios, deve sair com um Óscar (aposto em Argumento Adaptado, sempre uma categoria terrível para se prever quando não se conhece o material de origem - nesta categoria, apenas conheço The Disaster Artist).

 

Darkest Hour: Gary freakin’ Oldman. E é só. Bom filme para se ver em conjunto com Dunkirk (cobrem mais ou menos o mesmo período de tempo), mas toma demasiadas liberdades artísticas. Por vezes, senti que estava a ver um qualquer filme de Roland Emmerich ou Michael Bay, mas sem as explosões irreais ou os desastres inventados.

 

Dunkirk: O. SOM. Se Dunkirk não ganha alguns dos técnicos para os quais está nomeado, será uma tremenda injustiça. Um ritmo frenético numa narrativa não-linear (não costumo ser fã, mas funcionou bem aqui), que me fez estar agarrado à cadeira durante boa parte do filme.

 

Get Out: Porra, que isto é forte. Um excelente exercício de terror psicológico, com mensagens assustadoramente actuais. Jordan Peele faz um excelente trabalho na cadeira de realizador, um início de carreira cinematográfica promissor. Daniel Kaluuya, se tudo lhe correr bem, voltará a estar presente na lista de nomeados nos próximos anos. Será uma pena se não sair do Dolby Theater sem, pelo menos, uma estatueta dourada (em princípio Argumento Original, talvez - um grande talvez - Realização)

 

Lady Bird: Outro meh. Já vi esta história contada vezes sem conta, das mais diferentes formas. Em alguns momentos nota-se a inspiração de Greta Gerwig em Wes Anderson, mas leva-me a crer que gosto mais dela como actriz. Existem alguns momentos bons na montagem do filme. Se quiserem ver por vocês próprios, estreia dia 15 em Portugal.

 

Phantom Thread: “É bonito, mas é melhor veres de dia, bem acordado, porque é lento.” E… que… lento. Tal como Darkest Hour, é um filme feito à medida (pun intended) do protagonista; neste caso, Daniel Day-Lewis, na sua última (veremos) performance de uma já longa carreira. Mas, à excepção do Guarda-Roupa (em destaque óbvio, considerando a profissão do personagem de Day-Lewis), não o vejo a “terminar” com mais um prémio da Academia em casa. A Banda Sonora também é absolutamente magnífica.

 

The Post: Esta nomeação é uma palhaçada meramente política. Porquê? Porque, além desta nomeação, The Post só tem mais uma: Melhor Actriz, Meryl Streep. E, de facto, o que temos é uma exibição clássica de Meryl Streep, em que ela se adapta (e faz isso parecer tão fácil) às necessidades do papel. Mas daí a nomeá-lo para Melhor Filme é um esticão. Qualquer um dos outros nomeados tem, pelo menos, 4 nomeações. Este tipo de nomeações não deve acontecer. O filme é bom, mas não é nada de extraordinário e facilmente trocaria a presença dele nesta lista pelo já referido I, Tonya. No entanto, parabéns a Spielberg e à sua equipa pelo tempo recorde em que o completaram.

 

The Shape of Water: Entrei na sala com expectativas altas e com a ideia de ver o habitual mundo super imaginativo de Guillermo Del Toro e saí com o coração cheio e feliz por ver uma história de amor tão bem contada no grande ecrã. É quase uma tragédia Michael Shannon não estar nomeado para Melhor Actor Secundário, mas não é pior do que algo que acontece bem cedo no filme e do qual não vou falar aqui (spoilers, sorry). 

 

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri: Podemos olhar para este filme como tendo sido feito para a Frances McDormand ganhar o Óscar, mas o filme é muito mais do que isso. Com Woody Harrelson e, sobretudo, Sam Rockwell, irrepreensíveis. De todos, parece-me ser o mais consistente e com maior capacidade de agradar a todos os níveis. Embora não seja o meu preferido dos três nomeados, é a minha aposta segura para Melhor Filme, com a noção de que há um ligeiro risco de virar para outro lado. 

 

Filme: Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (pode virar para The Shape of Water)

Realização: Guillermo Del Toro, The Shape of Water (pode virar para Get Out)

Fotografia: Blade Runner 2049

Montagem: Dunkirk

Argumento Original: Jordan Peele, Get Out (pode virar para Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)

Argumento Adaptado: Call Me By Your Name

Actriz: Frances McDormand, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

Actor: Gary Oldman, Darkest Hour

Actriz Secundária: Allison Janney, I, Tonya

Actor Secundário: Sam Rockwell, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

Banda Sonora Original: The Shape of Water (pode virar para Dunkirk)

Canção Original: “Remember Me”, Coco (pode virar para "This Is Me", The Greatest Showman)

Mistura de Som: Dunkirk

Montagem de Som: Dunkirk

Efeitos Visuais: War For The Planet of The Apes

Direcção de Arte: The Shape of Water

Guarda-Roupa: Phantom Thread

Maquilhagem/Cabelos: Darkest Hour

Curta Animação: Dear Basketball (Apenas não vi Negative Space, e adorei Garden Party. Mas, lá está, Oscar politics.)

 

Nas cinco seguintes não consegui ver nenhum dos nomeados em tempo útil. Apostas baseadas apenas em trailers, conversas e odds de sites da especialidade.

 

Animação: Coco

Documentário: Visages, Visages

Filme Estrangeiro: A Fantastic Woman (long shot: pode virar para The Square)

Curta: DeKalb Elementary

Curta Documentário: Edith+Eddie

 

A cerimónia acontece hoje à 1:00 e é transmitida na SIC (com comentários em português) e, sem comentários, no site da SIC. (Vamos ver é como é que será a latência…) Se quiserem fazer as vossas contas e ver quantos filmes e nomeações viram e quantos vencedores é que acertam, façam download desta folha de cálculo que criei. Vou estar pelo Twitter a comentar em directo, em @ManuelReis. Sigam-me por lá!

28
Fev18

Já que estão aqui, vão ver The Good Place

Manuel Reis

Voltando um pouco atrás, em relação ao texto sobre a Anabela: obrigado aos novos subscritores, a quem se fartou de rir, a quem partilhou entre os amigos e ao Sapo pelo duplo destaque (blogs e homepage). Isto não é um blog de teorias de conspiração nem de conteúdo humorístico, é apenas de cultura pop e de tudo o que a possa rodear. Foram quase sete mil visualizações num só dia, e eu prometo que vou fazer da Anabela aquilo que as "gémeas" Olsen são para o John Oliver. Ainda bem que cá chegaram.

 

No entanto, penso: se só agora me conheceram, eu tenho de vos dizer algo que vos agarre e que acredite (melhor, que saiba) que vai melhorar as vossas vidas. Como é que vou fazer isso? Com mais uma sugestão de conteúdo a que podem assistir.

 

Eis The Good Place.

 

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Comecei-a a ver pelo pedigree: Kristen Bell (Veronica Mars) e Ted Danson (Cheers, CSI) a liderar o elenco, criada por Michael Schur (guionista da versão americana de The Office, co-criador de Parks and Recreation e Brooklyn Nine-Nine). A sinopse ajuda: Uma mulher (interpretada pela Kristen) morre e vai para uma interpretação do paraíso (o Lugar Bom a que se refere o título da série) em que só os melhores vão. E isso é decidido através de um sistema de pontuação, baseado em boas e más acções, e que determinou que Eleanor Shellstrop (a tal mulher) é, sem sombra de dúvidas, uma boa pessoa. Só que não é. Enganaram-se na Eleanor Shellstorp.*

 

*Para quem disser que isto é spoiler: não é. É a premissa base da série. Isso não é um spoiler.

 

Isto podia ter ido por um caminho muito básico, de uma sitcom em que há um equívoco e se tenta esconder o equívoco e viver com isso. Mas não. Esta série é a série, aquela que eu vejo religiosamente quando acordo e sei que há um novo episódio (está no Netflix). Consegue condensar em 22 minutos a explicação de temas normalmente chatos (como filosofia ou ética) para boa parte da população, especialmente durante a segunda temporada. E notem que, apesar do cartão que aparece antes de cada episódio, não é uma série do Netflix, mas sim da NBC. Ou seja, uma comédia de um canal mainstream. No entanto, a forma como cada episódio é escrito e produzido para que os finais estejam quase colados aos inícios dos episódios seguintes faz com que funcione de forma perfeita numa plataforma de streaming.

 

Este mundo está cada vez mais inundado de séries, havendo praticamente uma para cada um. The Good Place, felizmente, é para todos.

 

 

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