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Já a Seguir

Já a Seguir

Pensamentos soltos durante o bloqueio.

Manuel Reis, 16.04.21

Uma espécie de Twitter, só que não é.

22:27: O Twitter não bloqueia nem expulsa contas que, de forma activa e permanente, espalham informação falsa sobre a COVID-19 desde antes da declaração de pandemia, mesmo quando se denuncia. Mas se alguém faz uma piada com o cabelo de uma pessoa, alto e pára o baile!

23:04: Adán, que jogo de Adán! Menos um jogo, menos uma preocupação!

Sábado, 17 de Abril

13:41: A morte do Príncipe Filipe não me diria grande coisa - mas depois há todo um espectáculo televisivo à volta disso - a própria BBC foi buscar Sir David Attenborough para comentar o funeral.

14:08: Parece que o Príncipe Filipe escolheu músicas para o próprio funeral. À espera que Always Look On The Bright Side of Life seja tocada como marcha militar.

A programação habitual segue dentro de momentos.

Manuel Reis, 16.04.21

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Estimo que o Twitter se foda.

Assim, sem meias palavras. Não as merecem. Ainda há uns dias escrevi (por sinal, no Twitter - que não me deixa aceder a essa informação) algo sobre a bidimensionalidade dos conteúdos nas redes: da impossibilidade das máquinas perceberem totalmente o conteúdo do texto por não perceberem ironia, sarcasmo, uma piada. Eis a demonstração prática.

O meu "erro" foi responder a este tweet…

… a dizer que, quando ela estiver vacinada, a recepção 5G será impecável.

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E pronto, o Twitter apitou.

Mantenho o que disse. Porque também sei que, nos últimos 13 meses, tenho estado a apertar com as pessoas para usarem máscara, desinfectarem as mãos, para que se testem sempre que seja necessário, para se vacinarem assim que seja possível… Já acabei seguido até casa por um tipo que se recusava a pôr a máscara no supermercado.

Há sempre contexto. Aqui está perfeitamente presente. Não tenho culpa que um algoritmo não entenda contexto, nem que não existam moderadores humanos suficientes para esta função. Isso é obrigação do Twitter - que, se calhar, se tornou demasiado grande para a capacidade de resposta que tem.

Enquanto esta parvoíce não acaba, estou pelo Instagram a torturar um autocolante do Twitter nas Stories.

#LibertemOManel

Update, 22:11: Primeiro apelo recusado. É um pouco difícil fazer um apelo decente com um limite de 160 caracteres - abaixo do que o Twitter actualmente permite num tweet (280).

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WandaVision não é uma sitcom.

Manuel Reis, 04.03.21

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E isso torna-se óbvio, logo à partida, para quem já conhece o Marvel Cinematic Universe. Mas, para quem não conhece e cai aqui de pára-quedas… Já percebem porquê.

Primeiro, a minha atenção vai para o cuidado técnico - a todos os níveis - com que cada episódio temático foi feito, e para as referências utilizadas (I Love Lucy, The Dick Van Dyke Show, Bewitched, Good Times, That '70s Show, Family Ties, Full House, Malcom In The Middle, Modern Family, The Office, Happy Endings - só para referir algumas), que vão certamente chamar a atenção da Academia e garantir-lhe alguns prémios (em princípio será considerada uma mini-série, categoria onde irá existir forte concorrência). Sim, os penteados, o guarda-roupa e a cenografia são a faceta mais óbvia, mas os actores trabalharam as posturas que os seus colegas tinham nas respectivas épocas. A iluminação dos estúdios era a da época (com mais ou menos calor, dependendo da tecnologia) para que acertassem em cheio na fotografia. A maquilhagem foi adaptada para sobressair (quando Paul Bettany está em "modo" Vision nas cenas a preto e branco, está pintado de azul, para sobressair mais, em vez de vermelho). Tecnicamente está tudo tão, mas tão perfeito. Para quem cresceu com sitcoms de vários períodos nas noites da RTP2 (ali às 8 da noite) e é apaixonado por história da televisão, ver todo este detalhe de produção é um mimo.

Mas nada é bom sem história, e esta é uma mudança dramática para o MCU: não só representa a abertura da Fase Quatro (independentemente do adiamento de Black Widow, que se acredita ser um filme isolado) como é a primeira série produzida pela Marvel Studios, onde Kevin Feige quer, pode e manda.* E, felizmente, não segue uma estratégia adoptada por algumas das grandes séries premium dos últimos anos (como Stranger Things) ao tratar isto como “um filme de 𝑥 horas”. Em vez disso trata uma série como… uma série. Com episódios, algum isolamento narrativo entre cada um, mas avançando sempre a história maior, com o lançamento de personagens e conceitos para os próximos anos de filmes - e séries - do universo partilhado.

* Até há pouco tempo, a Marvel entregava as produções televisivas à Marvel Television - enquanto que os estúdios respondiam à Disney, a unidade de televisão respondia à liderança (um pouco mais independente) da própria Marvel. Isso explica alguma da falta de coesão de Agents of S.H.I.E.L.D. e das séries da Netflix com o restante MCU, sobretudo nas temporadas mais recentes. Sim, a terrível Inhumans, também disponível na Disney+ (caso desejem ter algumas horas de tortura) era da Marvel Television. Não havia forma daquilo passar pelas mãos de Feige e sair como saiu.

E é (quase) sempre na história que a Marvel triunfa. O oitavo episódio da série (que terá nove) oferece um momento absolutamente brilhante, daqueles que afunda o espectador que tenha criado empatia com Wanda (uma soberba Elizabeth Olsen) e com o caminho que ela percorre na série (e que já percorreu até aqui), e que é (parece-me) a génese de toda a história que a série quer contar. As interpretações de Olsen, Paul Bettany, Kathryn Hann ou Teyonah Parris, como as de algum elenco secundário (entre as quais a da inigualável Debra Jo Rupp) são incríveis, com uma performance incrível em cada episódio em que aparecem, sobretudo (como já referi) em cada uma das épocas.

A distribuição semanal, que parece uma lufada de ar fresco (quando, na verdade, é apenas a manutenção do formato com que a Disney lançou The Mandalorian e que é, muito simplesmente, o formato tradicional da televisão) é das melhores decisões tomadas. Porque uma série não é um filme, nem merece ser vista como tal. Uma série, ao contrário de um filme, permite mais tempo e espaço para que cada personagem seja desenvolvido com maior cuidado. Mesmo o lançamento semanal permite que possamos pensar e digerir melhor o que acabámos de ver em cada capítulo, ao invés de vermos seis ou sete episódios de enfiada. Permite-nos conversar, falar, dar destaque a certos momentos. O modelo binge popularizado pela Netflix pode dar jeito para ver tudo de enfiada, ou cada um ao seu ritmo - e este é, para mim, um problema. Acredito que uma série pode ser um momento social, um momento em que falamos uns com os outros sobre o que vimos durante o fim-de-semana e conversamos sobre esses episódios.

No fim de contas, vamos ter cerca de cinco a seis horas de uma história com princípio, meio e fim, em que houve muito mais tempo (e espaço) do que num filme para desenvolver uma história e para que se possa reflectir sobre ela. Não, WandaVision não é uma sitcom: é simultaneamente um tributo à história da televisão e um enorme passo em frente para o universo partilhado do qual faz parte.

O último episódio estreia esta sexta-feira, e na próxima semana estreia uma nova série da Marvel, Assemble, que irá reunir os making of do MCU daqui para a frente - em tudo semelhante ao que Disney Gallery tem sido para The Mandalorian.

 

À boleia de Borat, 5 séries para ver na Prime Video

Manuel Reis, 23.10.20

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Borat Subsequent Moviefilm: Delivery of Prodigious Bribe to American Regime for Make Benefit Once Glorious Nation of Kazakhstan, ou Borat 2, chegou hoje à Prime Video - e a curiosidade é muita, nem que seja para ver qual é o novo capítulo no cair de graça de Rudy Giuliani. Ainda não vi o filme - irei tratar disso mais logo - mas tenho usado a Prime nos últimos meses e… até estou bastante satisfeito. É, provavelmente, o segundo melhor serviço de streaming que anda por cá.

Preço e limites: 5,99€/mês, até três ecrãs em simultâneo a ver conteúdos diferentes (ou seja, não é possível estarem dois ecrãs da mesma conta a exibirem o mesmo vídeo), sempre em HD ou 4K (quando disponível nos vídeos, se a rede deixar e se o dispositivo suportar), com qualidade estável (pelas minhas experiências, mais estável do que a Netflix). Claro, este é o preço do Prime Video a solo, sem Amazon Prime, num país que tem sido (de uma forma geral) ignorado pela empresa de Bezos. (Se calhar, ainda bem.)

O player tem o bónus de estar ligado ao IMDb (que pertence à Amazon) e carrega não só a ficha técnica do episódio, como também os actores presentes na cena que estamos a ver… e algum trivia. Tal como na Netflix, a pesquisa também é turbo-carregada, não nos mostrando apenas os títulos óbvios para aquilo que queremos encontrar, mas também os que tiverem algum tipo de relação com aquilo que procuramos. A interface, no geral, é muito dentro do habitual neste tipo de serviços.

O grande calcanhar de Aquiles é a localização para português de Portugal, que é fraca ou inexistente (para além das taxas, também já se legislava isto), sobretudo em produções mais antigas ou publicadas há mais tempo - lá está, ignorados pela Amazon. Outro ponto negativo é a organização de séries - cada temporada tem um registo individual e aparece como resultado único, a fazer lembrar DVDs individuais das temporadas - embora, durante a visualização e consulta das fichas, estejam ligadas entre si. Mesmo assim, pode-se dar o caso de fazerem um site especial - como aconteceu com The Boys - e a ligação na lista de "Watch next" perde-se.

Pelo que vi no Twitter quando anunciaram Borat 2, há algum interesse no filme, e até alguma abertura para experimentar o serviço da Amazon e ver no que dá. Ora, dou-vos aqui cinco bons motivos para a subscreverem - e, assim, pagarem mais um serviço… ou, pelo menos, passarem a subscrever este em vez de um que nos faz ter vontade de atirar o comando à televisão.

"Futebol é vida." Ted Lasso é amor.

Manuel Reis, 09.10.20

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[SEM SPOILERS] Hoje não há um novo episódio de Ted Lasso. E isso deixa-me profundamente triste - embora saiba perfeitamente que a série terminou na semana passada e que vai voltar para uma segunda temporada. Mas vai aparecer em várias listas das melhores séries do ano, com toda a justiça.

E surgiu num momento crucial de 2020 (sim, ainda estamos em 2020).* Com o período eleitoral a decorrer nos EUA (e com tudo o que o resultado final possa significar para os efeitos causados no mundo), com uma pandemia que não dá tréguas e com as estreias de novas temporadas adiadas para daqui a semanas ou meses, esta produção da Apple TV+ ganhou um merecido espaço para se mostrar e exibir uma abordagem diferente.

* Também num momento crucial da minha vida, mas isso é outra história.

Tudo o que precisam de saber sobre a história: Ted Lasso (Jason Sudeikis, Saturday Night Live) é um treinador de futebol americano que é escolhido pela nova dona (Hannah Waddingham, Game of Thrones) de um clube da Premier League para treinar uma equipa de futebol (futebol a sério).

A série podia ser uma simples paródia, um desenvolvimento do personagem de acordo com os sketches que lhe deram origem. Mas foi num sentido completamente oposto, a colocar alguma profundidade no personagem e nas histórias que lhe acompanham. É um tratado contra alguns estereótipos, uma história humana, que joga contra a maré e nos dá um olhar de esperança, com uma interpretação formidável de Sudeikis (há quem lhe antecipe o Emmy), ladeado por um elenco bem acima do competente.

As sequências de futebol não são grande coisa, e é o único ponto da série que talvez pudesse pedir uma melhoria significativa em novas temporadas (e isso sente-se particularmente no final desta). Mas, será que é mesmo necessário? Porque não distrai assim tanto das histórias que a série conta - não apenas as que envolvem Ted, mas todos os outros personagens (mais uma vez, com um determinado personagem a ganhar uma enorme profundidade nas cenas finais do último episódio).

A primeira temporada de Ted Lasso está na Apple TV+, e a segunda vem a caminho, com a série a ter bastante destaque nas mais recentes apresentações da empresa de Cupertino. Experimentem a plataforma, tem boas séries (adorei For All Mankind) e bons filmes originais - e ainda ontem foi anunciada uma extensão dos períodos gratuitos.

 

É preciso falar de saúde mental.

Manuel Reis, 23.06.20

Escrevi uma versão disto ontem à noite, no Twitter, enquanto via o penúltimo episódio da 5.ª temporada de Mad Men (ando a ver a série e, sem grandes spoilers, foi algo irónico ter calhado nesta altura). Fica aqui, com algumas edições para o tornar mais coeso.

Se calhar, em vez de criminologistas, astrólogos, homeopatas, "nutricionistas" que tiraram o curso no Instagram, ou nos códigos das marcas ou vendedores de banha da cobra (literalmente)… se calhar os programas de daytime podiam começar a apostar a sério em falar de saúde mental.

Mas, siga; é o ciclo do costume de "suicida-se um famoso, ai que pena, coitadinho, coitadinha da família, ninguém sabia de nada, ninguém percebia nada", discute-se um bocado de que lado está a razão, noticia-se o método de forma muito específica e sem querer saber das repercussões que pode ter e segue-se em frente. A verdadeira contribuição para a ajuda fica para outro dia. Se é que aparece, de todo.

Não consigo condenar uma pessoa que se mate. Eu não sei o que vai na vossa cabeça. (Às vezes nem sei o que vai na minha.) Mais depressa lhe chamo um acto de coragem - que também não é uma descrição positiva, parece-me um bocado romântica.

Mas a verdade é que é preciso alguma dose de coragem. E não ir em diante não é nenhum sinal de cobardia. É querer tentar outra vez. Tal como falhar e viver para contar a história não é nenhum sinal de incompetência; é… sorte. (Ver isto pelo lado positivo.)

Eu acredito que um suicídio por doença mental é, ou devia ser, uma morte evitável. É isso que custa mais nesta situação: ver um tipo, que até me parecer ter uma vida minimamente boa, que é bem referenciado por todos os que o rodeiam (nunca o conheci nem falei com ele, mas tinha boa impressão), a apagar-se, assim.

Mas essa decisão só é tomada aliada a um grande nível de desespero, e de cansaço desse desespero. Físico ou - no caso deste monólogo - mental. E esse cansaço aumenta, e aumenta, e aumenta. Porque falar sobre isso "é um sinal de fraqueza".

Não é.

O tabu tem de acabar. E é aí que a televisão tem de entrar. Televisão a sério. Isto aqui na net é muito giro, mas a televisão continua a ter um poder MUITO mais abrangente. O que passa lá vem para aqui. Claro, o que escrevo aqui de nada vale se não passarem por lá especialistas devidamente credenciados - psicólogos, psiquiatras, etc. - que desfaçam o bicho de sete cabeças.

Em resumo, algumas coisas que vou repetindo a mim mesmo para manter a sanidade mental:

  • nunca estás sozinho;
  • não há vergonha nenhuma em falar disto;
  • haverá sempre um caminho;
  • pede ajuda;
  • o que os outros pensam de ti? Que se f*dam os outros.

Gostava de evitar o vídeo do cão, mas é a melhor metáfora audiovisual que encontrei até hoje.

À conversa com Dale Mayeda (Frozen II, Big Hero 6)

Manuel Reis, 18.05.20

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No tempo em que dava para fazer viagens intercontinentais (ou apenas até ao concelho ao lado), Dale Mayeda passou pela SiNFO para uma apresentação, e o Manuel foi conversar com ele sobre a vida na Disney, trabalhos mais recentes… E Armageddon.

A apresentação referida na conversa, bem como uma outra apresentação de Hannes Poser (Image Engine, que fez efeitos visuais dos dragões em Game of Thrones - coisa pouca) pode ser vista aqui.

Há agora outra forma de saberem de novos episódios do Já a Seguir: uma newsletter no e-mail. Sairá sempre com um novo episódio do podcast (não será mais do que uma vez por semana) e terá um resumo dos posts publicados entretanto… se sair algum. Podem subscrever a newsletter neste link.

Parks and Recreation regressou para nos aquecer o coração

Precisamos de mais Leslies Knope no mundo

Manuel Reis, 01.05.20

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Parks and Recreation deixou saudades, com as sete temporadas em que esteve no ar. Há uma semana, fiquei muito feliz com a notícia de que o elenco da série - o grupo central da terceira temporada para a frente, sem Paul Schneider (lembram-se do Mark?) - se ia reunir para um especial gravado na casa de cada um. E foi… Bom. O estabelecimento dos personagens no primeiro acto (onde estão, porque é que estão naquele local) não pareceu tão forçado quanto podia ter sido, o episódio foi bem integrado no universo da série (tanto com a ferramenta usada para o videochat como tudo o que acontece durante o segundo acto), e a história (mesmo sendo simples) foi muito bem definida, não parecendo tanto uma colagem entre diferentes pessoas - a montagem ajudou. Foi um grande trabalho, com boas audiências - se os envolvidos não estivessem todos ocupados com vários projectos distintos, talvez se pudesse equacionar uma nova temporada de uma forma mais séria. Mesmo assim, são 24 minutos de televisão em que vale a pena pegar - sobretudo se são fãs da série. Se nunca a viram, as sete temporadas estão no Prime Video da Amazon.

O objectivo do especial era recolher fundos para a Feeding America, uma organização norte-americana com um propósito em tudo semelhante ao Banco Alimentar Contra a Fome. Apoiem a Rede de Emergência Alimentar portuguesa - saibam mais aqui.

À distância - 2020-03-17

Manuel Reis, 18.03.20

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5.º dia em (vamos passar a chamar-lhe, e já vão perceber porquê) distanciamento social.

  • No Domingo saí um pouco. Estava enfiado em casa desde Quinta-feira e fui passear pelo bairro. A manutenção de sanidade mental assim o obrigou. Eu sei, é estranho ler que alguém saiu de casa. No entanto, obviamente, quando me cruzo com pessoas, faço os desvios necessários para as manter sempre a pelo menos um metro de distância (e, para qualquer interacção que exista, duplico essa medida). Toco o mínimo possível em superfícies (andem sempre com um frasquinho de álcool gel). Nunca me sentei, sempre a andar. Deu para conhecer alguns novos caminhos que nunca tinha percorrido, e ver onde é que alguns pontos se ligam. É como ir passear o cão - com a diferença de que eu não tenho um.
  • A foto que está aqui acima foi o primeiro sinal que vi de um espaço encerrado. Prático e directo. Não era o único: vários outros locais estavam fechados, bastantes com avisos à porta, mais ou menos improvisados. As esplanadas que existiam estavam um pouco mais espaçadas, e até a sair do seu local habitual (e, possivelmente, fora dos seus limites legais). Comprei pão numa padaria aqui perto, que fechou ontem (16). Aproveitar enquanto ainda há. Agora, só do supermercado ou pão de forma.
  • Dobrar roupa, arrumar roupa. Tanto tempo dentro de casa ajuda a que uma pessoa repense o espaço em que está e a gestão do mesmo. Tentar torná-lo o melhor com o que há.
  • Gravei a estreia d' As Vozes da Dolores. Acho que vou testar uns métodos diferentes ao longo da temporada, para ver o que acaba por me dar menos trabalho, mantendo - ou melhorando - a qualidade do áudio. Foi um episódio fixe, acho que o deviam ir ouvir (e subscrever o podcast, também).

O que surgiu para passar o tempo:

  • Todos os late-night shows americanos estão suspensos, mas Stephen Colbert - que ia fazer uma pausa a partir da próxima semana - lá arranjou forma de continuar o programa. Há-de passar na SIC Radical daqui a uns dias, mas podem ver os dois segmentos no YouTube.
  • Umas certas válvulas têm sido usadas para tratamentos de pacientes com COVID-19 em Itália. No entanto, um hospital precisava de mais, e a empresa que as fabrica não conseguia produzir mais válvulas em tempo útil. Vai daí, uma outra empresa voluntariou-se para imprimir as válvulas em 3D. Problema? As válvulas custam 11 mil dólares, mas podem ser impressas em 3D por apenas um dólar. A fabricante de válvulas está a processar, e este é sempre um bom momento para relembrar que não pode valer tudo, especialmente agora.
  • O Festival Eu Fico em Casa teve boas reacções do público (e vai continuar nos próximos dias com mini-concertos de artistas portugueses), mas tenho de destacar o concerto dos Dropkick Murphys, em Boston, no St. Patrick's. Duas horas de rock. Muito bom. ☘️
  • O blog À Pala de Walsh publicou no seu Facebook uma lista de filmes portugueses disponibilizados de forma gratuita, durante este período de confinamento.
  • Seth Rogen viu Cats, pedrado.

Lista de coisas a fazer amanhã (18):

  • Um episódio da Epopeia, a minha rubrica sobre cultura pop em português na RDP Internacional. Estava para suspensa (devido ao actual momento e às contingências de programação), mas pedi para continuar e lá arranjaram espaço. Vamos ver o que se desenrasca. Vai para a RTP Play e passa na emissão da RDPi na Quinta-feira, às 21:50 - normalmente é o horário de repetição mas, não havendo manhãs, é o que dá para fazer.
  • Lavar um prato do jantar de hoje.
  • Apanhar ar fresco, enquanto não andam por aí chaimites.

Lista de coisas a fazer durante este período (irei actualizar):

  • Acabar de ler a saga Harry Potter - a Ordem de Fénix é um livro demasiado enfadonho e com muita palha.
    • Dependendo do acima, acabar de ver os filmes da saga Harry Potter.
  • Acabar The West Wing - vou a meio da 5.ª temporada, e a saída de Sorkin faz-se notar.

À distância - 2020-03-14

Manuel Reis, 15.03.20

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Foi o meu 2.º dia a forçar distanciamento social.

  • Fiquei por casa, pus séries em dia - mas sem conseguir estar completamente concentrado nos episódios. É difícil, ainda, mas havemos de nos habituar. A indústria televisiva está a ter constrangimentos semelhantes aos que teve há 12 anos, durante a greve dos guionistas nos EUA - mas, obviamente, bem mais graves e que impedem a produção de qualquer conteúdo, tenha ou não argumento.
  • Liguei a pessoas, falei com elas. É bom perceber como outros estão a viver estes dias. Ajuda a relativizar a situação.
  • Toquei um bocado de guitarra, mas não esperem nenhum concerto.
  • O Sporting e o Vitória SC, que deviam ter jogado em Guimarães este fim-de-semana, jogaram uma partida de Quatro-Em-Linha no Twitter. Durante duas horas os dois Clubes degladiaram-se, tendo os Leões vencido por 1-0 no decorrer da segunda parte. Acho que devíamos puxar para nós o título de campeões de Quatro em Linha.
  • Às 22:00, houve palmas. Só espero que esse apoio popular se reveja nos próximos anos, com um aumento orçamental do SNS e com a população a votar em listas que, de facto, proponham (e executam) o fortalecimento do SNS.
  • O Lux Frágil fez uma noite de DJing do car*lho. Estive por lá de calças de fato de treino e tshirt e não me barraram a entrada. Não vi o João Botelho; mas, à medida que os comentários passavam, era difícil ver se ele andava por lá.
  • Tivemos mais uma pessoa curada. 3 duplos negativos (o critério para se declarar cura), 0 mortes. Façamos por manter isto assim.

O que surgiu para passar o tempo:

  • A Disney adiantou a estreia de Frozen II no Disney+, para este Domingo, e o lançamento do último Star Wars em Blu-Ray nos EUA. No entanto, em Portugal não há Disney+. "Chatice."
  • A Korg e a Moog tornaram as suas aplicações gratuitas, para fazerem umas brincadeiras com sintetizadores.
  • O Fábio Conde Martins fez uma lista de séries fixes para ver durante este período. The Good Place logo em primeiro lugar, obviamente. (Obrigado pela publicidade, rapaz.)
  • Com gráficos e animações, espreitem este artigo do Washington Post sobre as medidas de distanciamento e isolamento a tomar neste tipo de situações. Bastante interessante.

Lista de coisas a fazer amanhã (15):

  • Dobrar roupa;
  • Sair de casa - andar por aqui pela rua, numa praça ou num jardim perto, mas manter o distanciamento. Vai mesmo ter de ser, para manter a sanidade mental. E é recomendável, embora não em grupos.
  • Westworld à uma da manhã, e As Vozes da Dolores na terça-feira. Ou talvez na segunda, à meia-noite. Quem sabe.

Lista de coisas a fazer durante este período (irei actualizar):

  • Acabar de ler a saga Harry Potter - a Ordem de Fénix é um livro demasiado enfadonho e com muita palha.
    • Dependendo do acima, acabar de ver os filmes da saga Harry Potter.